Ponto Vermelho
Fora dos cuidados intensivos
7 de Outubro de 2013
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O avolumar de notícias e a avalanche de críticas que se tem abatido sobre o Benfica nos últimos tempos em especial a partir do empate com o Belenenses e da contundente derrota em Paris, fez aumentar a temperatura em torno do jogo do Estoril em que até o fim da linha de Jesus era equacionado. Enquanto isso a Norte, as prestações do FC Porto têm sido igualmente pautadas pelo cinzentismo exibicional, mas o facto de em vários desafios terem jogado com 14 que os têm ajudado nas vitórias, fez com que o foco se concentrasse exclusivamente nos encarnados. Uma prática de sempre, aliás.

Não fosse assim (e contrariamos a tese dos branqueadores) e estaríamos a falar de situações antagónicas, o que significaria uma classificação próximo da realidade e não tão mentirosa como a actual. Basicamente porque a ter sido respeitada a verdade e não ter havido erros grosseiros (e só estamos a falar destes) e diferenças aberrantes de critérios dos árbitros e dos bandeirinhas que influenciaram os resultados, muito provavelmente as exibições do Benfica estariam noutro patamar, enquanto as do FC Porto pela mesma razão lógica, seriam mais negativas. Esta é a diferença fundamental entre jogar mal e ganhar, e jogar igualmente mal e empatar ou perder.

E também não teríamos que assistir às divagações do actual director do diário da verdade a que temos direito sobre Bruno Paixão um dos mais vulneráveis porque além do mais não é benquisto no Dragão, numa tentativa de isolar uma das árvores mais débeis da floresta. Ou então desse eterno amargurado de seu apelido Rosário sempre a viver dias de amargura e a necessitar de descarregar as frustações. Pena é que esteja hipotecado com a originalidade e com continue a debitar aleivosias repetidas na tentativa óbvia de tentar convencer quem há muito está preparado para as suas tiradas tonitruantes repletas de fanatismo e de gosto duvidoso. E, ainda por cima, para seu azar, a sua velha e desgastada teoria de que o ”Todas as equipas jogam com onze e no fim ganha sempre o FC Porto” sofreu um revés inesperado. Acontece.

Acresce que este plumitivo continua com a vacina anti-maledicência fora de prazo. Decerto porque ainda não teve tempo de a pôr em dia, ou então porque nenhuma vacina consegue realmente eliminar essa estirpe de vírus. E quando se aproximam três semanas sem campeonato, já estamos seriamente preocupados pela falta de assunto, muito embora neste futebol e com o tipo de gente que nele navega directa ou indirectamente, tenhamos a certeza que alguma coisa se há-de arranjar. Se não houver, há sempre a possibilidade de voltar a falar do Benfica repetindo invariavelmente os mesmos estafados argumentos: "O investimento brutal", "A muita arrogância", "O ego desmesurado de Jorge Jesus" ou, ainda, "do sonho" que LFVieira nunca deveria ter tido.

Enquanto opinadores deste jaez continuam a destilar ódios para disfarçar paixões exacerbadas, centremo-nos nos aspectos que pautaram a realidade. A despeito dos exageros avançados sobre a partida do Estoril, era no entanto indiscutível que desta vez estávamos perante um jogo diferente. Depois dos seus adversários directos terem vencido os respectivos jogos, não restava alternativa ao Benfica senão vencer o desafio para dar um sinal ao campeonato e aos seus adeptos de que poderiam continuar com ele. Não ganhar significaria alargar, quiçá irremediavelmente, o fosso e acentuar os sintomas de instabilidade e de falta de confiança da equipa. E a acontecer, esperar sentado à espera que tudo passasse seria talvez a pior das alternativas.

De novo o Benfica entrou bem no jogo e marcou na primeira dezena de minutos. Para quem não se refugia no compulsivo pessimismo que caracteriza alguns, deu a sensação que este seria, finalmente, o desafio que espantaria de vez todos os fantasmas. Debalde. Poucos minutos depois regressaram as incertezas, os passes começaram a sair transviados, a definição das jogadas incerta, o timing do passe desadequado e o individualismo a sobressair num jogo que deveria ser colectivo. Cresceu o Estoril que numa primeira fase equilibrou, e depois assumiu mesmo algum domínio ainda que sem causar perigo de maior. Quando já se aguardava o período de descanso surgiu o penalty e com ele a desilusão do falhanço. O Benfica não ia mesmo poder descansar.

Veio o recomeço e entre os adeptos pairava algum receio. O Estoril vinha animado e predisposto a virar o curso dos acontecimentos. Mas passados apenas alguns minutos via um seu jogador ser expulso. Os adeptos encarnados ficavam mais descansados e os estorilistas viam aumentar as dificuldades de recuperação que se acentuaram com o estupendo golo de Cardozo. Parecia então que tudo estaria decidido. Puro engano. Rapidamente os canarinhos marcaram dando um sinal que não estavam ainda derrotados. E, provando que têm uma boa equipa e perante o desacerto do Benfica incapaz de controlar o jogo, começaram a dominar e a ameaçar, tornando o resultado final incerto. O Benfica recuava cada vez mais e sucediam-se os livres e os cantos. Num deles, no último, o golo do empate esteve à vista.

Exibição globalmente deficiente dos encarnados. A equipa deu indícios de já ter deixado os cuidados intensivos, mas ainda a necessitar de muita assistência. Há matéria prima, há imenso potencial, mas a falta de uma exibição consistente e a deficiente condição psicológica parecem estar a impedir a sua libertação para outros patamares exibicionais que estão ao seu alcance. As próximas semanas de interregno poderão vir a ser determinantes. Individualmente ninguém se destacou, mas o golo de Cardozo com o seu pior pé merece ser assinalado. Arbitragem equilibrada na apreciação dos lances adoptando um critério uniforme e quando assim é… Um único senão: a entrada por trás de Sebá a Siqueira merecia outro tipo de cartão.




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