Ponto Vermelho
Semanas entediantes
9 de Outubro de 2013
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Após o rescaldo da última jornada e de alguns cruzamentos de notícias, da homenagem pessoal de Loureiro ao Querido Líder que a todos comoveu, seguem-se os trabalhos das Selecções incluindo a portuguesa que desembocarão em dois jogos muito importantes para as nossas cores no que à possibilidade de apuramento para o Mundial diz respeito. Havendo interregno do campeonato as notícias substantivas e as especulações associadas perdem gás, o que significa que desse ponto de vista teremos alguma acalmia. Mas se calhar não muita.

Uma parte substancial da imprensa que faz da especulação o seu tipo de notícias favoritas, não pode ficar de braços cruzados à espera que algo de suculento aconteça. É que a Selecção concentra alguma atenção mas não demasiada, os jogos com Israel e o modesto Luxemburgo não são apelativos e mobilizadores e, por último, o conservadorismo de Paulo Bento e a estrangeirização da nossa Selecção impede que a frente interna e as guerras envolvendo clubes com dichotes de alguns presidentes tenha lugar. Há portanto que inventar.

À falta de algo melhor e porque vamos atravessar esse período alargado de inércia competitiva entre os principais clubes, nada mais interessante do que começar a dissertar sobre factos relevantes ocorridos nas sete jornadas já disputadas, com uma diferença deveras singular; enquanto que para os clubes que ocupam actualmente os dois primeiros lugares da classificação é feito um balancete, para o Benfica é feito um balanço exaustivo e detalhado a que não faltam mesmo as notas explicativas apensas, descendo ao pormenor de forma a que uma boa parte das respectivas rúbricas fiquem bem explicadas. Um balanço que como sabemos é diário com explicações para tentar satisfazer os gostos e paladares mais requintados e exigentes…

Uma velha prática que continua a dar cartas e que alberga o princípio estratégico de que enquanto falam dos outros não falam de nós. É isso que a entourage portista continua a desenvolver com sucesso socorrendo-se igualmente da preponderância sportinguista na imprensa, tendo em conta que a do Benfica, por ser há muitos anos reduzida, não consegue contrariar. Isso explica muitas das situações que têm acontecido e que exercem uma influência acentuada a vários níveis no tecido benfiquista e sobretudo na massa adepta que vai interiorizando muitas das tretas publicadas sem fundamento.

Com a devassa diária de factos supostamente ocorridos no Benfica e que são enfatizados nas inevitáveis apreciações negativas, seria interessante, por exemplo, perder um pouco de tempo para tentar perceber esta súbita atracção do presidente sportinguista Bruno de Carvalho por tiradas à Pinto da Costa e de péssimo gosto que têm ressaltado em algumas das suas últimas intervenções que acabam por beliscar o trabalho meritório que vem realizando em várias áreas da governação leonina. Embora possam ser avançadas algumas explicações óbvias, não se nos afigura que seja o caminho mais indicado, porquanto esse já foi percorrido desde o princípio do século e viu-se no que resultou. Como ele próprio certamente terá constatado nos últimos 6 meses.

Bruno de Carvalho manifestou e bem a intenção de prosseguir uma via autónoma e independente para o seu clube o que sendo lógico se sublinha porque representa, pelo menos a nível das intenções, uma ruptura com o passado de completa subjugação aos interesses do FC Porto. Os resultados globais do último semestre são positivos e animadores, e a inversão da atitude e dos resultados da sua principal equipa de futebol a despeito de só terem sido cumpridas 7 jornadas, são entusiasmantes se comparados com o passado recente. Percebe-se que esses factos depois das recentes frustrações dêem origem a um certo deslumbramento e entusiasmo nos adeptos, mas é notório que o presidente leonino deverá manter a cabeça fria e não resvalar para terrenos movediços que poderão afundar o barco. Poderá ser tentador ouvir o rugido do leão de algumas bases mais radicais, mas deverá a todo o custo evitar a tentação de caminhar por aí. É muito ténue como acreditamos que saiba, a linha que separa a euforia do desânimo e o êxito do fracasso.

É preciso entender os sinais que têm sido emitidos a vários níveis (inclusivamente do próprio universo leonino) e que manifestam o incómodo e a preocupação de não ver os dois clubes da capital de costas voltadas e relações cortadas. Que tem aumentado a partir do momento em que o Sporting tem dado mostras de ter recuperado alguma da sua vitalidade. O envenenamento das relações é um factor sempre a ter em conta, até porque essa é uma situação que agrada sobremaneira ao FC Porto e faz parte da sua estratégia. Se olharmos um pouco para a história mais recente veremos que foi um objectivo sempre presente nos portistas – dividir para reinar e usufruir…






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