Ponto Vermelho
Avaliações
10 de Outubro de 2013
Partilhar no Facebook

Como inúmeras vezes já foi afirmado, o Benfica por tudo o que faz girar, é objecto de avaliação contínua por parte de toda uma panóplia de interesses, em função das pessoas ou grupos que estão por detrás dessas apreciações. Sempre assim foi e sempre assim será, o que quer dizer que todos os factos ou acções mais relevantes tendem a ganhar rapidamente dimensão mediática que arrasta para a discussão a opinião pública e os adeptos, sejam eles de que cor forem.
A exemplo do que acontece na grande maioria dos clubes em que o futebol é a mola real, todo o restante mundo é relegado para segundo plano, sendo natural que seja sobre ele que recaiam as mais plurais e atentas opiniões ainda que com objectivos muito distintos; enquanto uns assumem a crítica de forma serena, ponderada e rigorosa reflectindo opiniões pessoais, outros há que enfeudados a outros interesses preferem entrar por caminhos equívocos e especulativos. Vamos deixar por ora estes últimos de lado.

Numa altura em que o futebol do Benfica está debaixo de fogo cruzado, temos observado várias opiniões sobre aquilo que estará subjacente e porventura a influenciar as insuficientes prestações da equipa desde a pré-época. Não vamos também hoje insistir na tese de que o final da época passada justifica o presente e nem vamos referir um dos maiores cancros que afectam o futebol português por ser um facto incontroverso de todas as temporadas – as arbitragens. Apesar de sabermos que todos estes factores têm indiscutivelmente uma influência profunda no desempenho da equipa.
Há também que proceder a uma avaliação interna e tentar perceber os erros cometidos, porque a despeito dos factores exógenos referidos, a estrutura cometeu erros que também terão contribuído para a situação, embora nesse particular não detenha o exclusivo como por vezes querem fazer crer. Mas se por um lado não devem ser alijadas responsabilidades porque isso é meio caminho para não resolver os problemas, por outro também nunca deveremos perder o ensejo de sublinhar as estratégias pífias com que nos querem atingir para fomentar a desestabilização.

As diversas opiniões ainda que tenham este ou aquele ponto em comum não explicam nem justificam por si só a situação menos boa da equipa. O que poderá ser discutido, por exemplo, são as macro-políticas seguidas pelo clube. Nomeadamente na formação do plantel e na escolha dos mercados para a aquisição de jogadores o que nem sempre é compreendido mesmo pelos adeptos. E a que não serão alheias as repetidas manifestações do Presidente de ter cada vez mais jogadores portugueses.
Sendo que o campo de recrutamento em Portugal é, como tudo, muito limitado, para que o objectivo de LFV fosse possível a médio prazo, teria que haver uma forte e coerente aposta na formação. É que face a todas as vicissitudes porque passou o Benfica no início deste século cuja recuperação se prolongou até bem mais de meio da primeira década do mesmo, depois de reunidas as condições nomeadamente de infraestruturas, haveria que considerar um período de carência nunca inferior a 5 anos para que se começassem a ver resultados.

Enquanto esse período de gestação decorria, haveria que assegurar a competitividade da equipa com recurso a outros jogadores fossem eles quais fossem, uma tendência já universal. O Benfica elegeu como alvo preferencial o mercado sul-americano e nos derradeiros anos tem sido um corropio na chegada de jovens talentos e vários flops. O equilíbrio das finanças assim o exigia e com o potenciamento de vários jogadores, em vendas os encarnados não se poderão queixar.
Mas, paralelamente, há uma vertente que dita leis – resultados e títulos. E esses têm ficado muito aquém do que o volume de contratações e o esforço financeiro exigiria. E isso gera inevitavelmente cansaço psicológico e instabilidade. A começar pelos adeptos que são capazes de esquecer que a equipa bastas vezes não apresenta um único português em campo, mas jamais esquecerão e aceitarão a míngua de títulos que a equipa lhe tem proporcionado.

Além de que, devido à escassa competitividade da Liga Portuguesa, os jogadores e todo o vasto mundo que os rodeia estão cientes de que o Benfica é o ideal para servir de placa giratória e por isso ainda que o seu corpo esteja cá, o seu espírito começa logo a vaguear por outras paragens. E isso, com as devidas excepções, reflecte-se na sua aplicação, na sua disponibilidade e no seu empenho, reflectindo-se como é óbvio no desempenho da equipa.
Seria igualmente necessário perceber o enquadramento da vertente da formação e em particular o dos jovens portugueses que sobressaiem na etapa final que se completa com a sua evolução na equipa B. Alguns desse jovens jogadores já andam dispersos por várias equipas e é nossa convicção de que alguns deles teriam pelo menos tanto ou mais potencial do que alguns dos importados que têm deixado muito a desejar.

Neste momento dos nomes mais badalados, André Almeida é o que ainda tem tido mais oportunidades, André Gomes tem sido um caso intermitente, Miguel Rosa acabou por demandar ao Restelo sem lhe ter sido concedida um única oportunidade, e os novos talentos como por exemplo João Cancelo ou Ivan Cavaleiro prosseguem na equipa B. E numa altura em que uma vaga de lesões atingiu o plantel principal e há claro défice de extremos, Cavaleiro bem poderia ter uma oportunidade de ser útil. Os jovens são futuro mas também podem ser presente.
É pois preciso definir de uma vez por todas uma política coerente por forma a que os jogadores em todas a etapas de formação sintam que se tiverem talento, forem empenhados e consistentes nas outras vertentes, as portas da equipa A estarão á sua espera. Não em teoria e no enunciado de intenções que de vez em quando surge, mas na realidade pois só assim se poderão cumprir os desejos e as intenções presidenciais de ver mais jogadores portugueses na equipa principal. Além de que alargará o campo de recrutamento. Obviamente…








Bookmark and Share