Ponto Vermelho
Infortúnio ou algo mais?
12 de Outubro de 2013
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1. Mais uma vez se confirmou a triste sina da Selecção Portuguesa que, quando iniciou a participação nesta fase de apuramento tinha quase tudo para ser a primeira do Grupo e apurar-se directamente para o Mundial tendo em conta que era, sem dúvida, a melhor equipa do Grupo. Mas como ficou evidente, dizer-se que era melhor não bastou, e agora só uma anormalidade nos trará a classificação directa. Faltou o quase…

2. Na realidade, se olharmos ao percurso da nossa Selecção, constatamos que tivémos alguns resultados que não estariam nas cogitações de quem quer que fosse, desde a derrota na Rússia (pela forma como o jogo decorreu), ao empate caseiro com a Irlanda e, por último, ao duplo-empate com Israel, tudo selecções (abrindo excepção para a Rússia) que quer queiramos quer não, estão a milhas da equipa portuguesa. E, para além dos resultados adversos inesperados, as exibições deixaram mesmo muito a desejar.

3. Há um ponto que parece ser consensual; a nossa Selecção não dispõe em quantidade dos grandes jogadores que ainda recentemente dela faziam parte, mas não concordamos de todo com aqueles que afirmam que a Selecção é uma equipa de terceira categoria com um jogador excepcional. Afigura-se-nos claramente um exagero, porquanto hoje em dia ainda que o campo do recrutamento não seja vasto, Portugal continua com possibilidades de formar sempre uma boa equipa tendo em conta os novos jogadores que estão a despontar e que já deixaram de ser promessas para se afirmarem como certezas.

4. Teremos pois que tentar encontrar outras razões para justificar as más prestações da equipa das quinas. Há um evidente conservadorismo de Paulo Bento que escolheu um núcleo duro de jogadores e é com eles que vai à guerra e só abdica deles quando é obrigado em situações de lesões ou castigos. É obviamente uma opção e um direito que lhe assistem, mas não tivesse Rúben Micael falhado o passe na Rússia ou Rui Patrício o pontapé ontem em Alvalade e essa situação não seria sequer questionada. Como sempre são os maus resultados que trazem para a ribalta estas questões que encontramos para justificar as deficientes exibições traduzidas nos resultados.

5. Não sendo um exclusivo nosso, existem sem dúvida algumas lacunas evidentes, a principal das quais a eterna questão do ponta-de-lança que não é um problema de agora pois de há vários anos a esta parte que isso acontece. É uma velha pecha que temos tido e não será por acaso que todos os pontas de lança dos principais clubes são estrangeiros. E tendo em conta que Paulo Bento é avesso a naturalizações, as possibilidades ainda se tornam mais escassas. E isso não deixa de ter uma grande influência no desenvolvimento do jogo da equipa que com crónico défice de concretização acaba por ficar à mercê de equipas menos apetrechadas como aliás aconteceu ontem à noite com Israel.

6. Por outro lado, ficamos com a sensação que aqui e ali os jogadores na sua esmagadora maioria a trabalhar no estrangeiro, nem sempre parecem com suficiente motivação para representar a Selecção e só quando a equipa começa a atravessar a crónica fase de dificuldades para se apurar para as fases finais dos Campeonatos, transparece outra atitude e quiçá outro empenhamento. Não estamos a querer ser injustos com nenhum dos jogadores mas é o que se nos afigura, constatando-se algum relaxamento na forma como abordam alguns desafios e isso acaba por se reflectir em alguns resultados pouco conseguidos.

7. Será porventura esse um dos pormenores que contribuiram para a sorte de Portugal nos três últimos apuramentos para fases finais em que fomos relegados sempre para o play off quando poderíamos e deveríamos ter sido apurados directamente. É certo que invertémos a tendência do descalabro e o apuramento passou agora a fazer parte da nossa história recente. Mas se olharmos por exemplo para alguns jogos desta fase apuramento, temos que reconhecer que o desempenho da Selecção foi demasiado fraco para uma equipa classificada no Top ten da FIFA. E isso não tem propriamente só a ver com a recorrente ladaínha de que os grandes valores estão a escassear e que o futuro está em perigo. Estará se continuarmos com esta mentalidade derrotista e se todos (a começar pelos jogadores e passando pelos jornalistas, dirigentes e adeptos) não nos convencermos que a Selecção é importante para além da fobia clubista que parece continuar a toldar muitos dos espíritos lusos…






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