Ponto Vermelho
Irreprimivel tentação-II
13 de Outubro de 2013
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«Há muita gente que procura apadrinhar com a opinião pública as suas opiniões e disparates pessoais»-Marquês de Maricá.

1. O “Querido Líder”, como todos sabemos, é uma personagem egocêntrica que sente uma irreprimível tentação para comungar com os outros o depósito de dislates que alberga dentro de si próprio. E como nesta terra abençoada pela Troika e por essa eminência parda que fala grosso para esconder a sua insegurança e os seus temores, os maiores disparates são tidos como expressão genuina de fina ironia numa manifestação que faz crer os mais distraídos que a razão não é uma palavra manipulada que faz lei neste pseudo Estado de Direito que temos…

2. Como há sempre um leque alargado de rapazinhos solícitos disposto a divulgar de forma ampliada não o que diz mas tudo o que quer dizer, qualquer expressão rasca ganha foros de acontecimento nacional, como se não houvesse no Mundo nada mais importante do que divulgar manifestações de insensatez e decrepitude. Para alguns há sempre a justificação do jet lag como factor dessincronizador do relógio biológico, para outros a afirmação de personalidade distorcida e, para os habituais yes-men, uma rotunda afirmação de renovação de juventude em tempos de longevidade inabitual. Afinal, aqui e agora, o tempo somos nós que o continuamos a definir…

3. Sabe-se como o Querido Líder gosta de ter voz activa na definição dos acontecimentos. No Reino delimitado do Dragão o que vigora é a aplicação da sua excelsa vontade que extravasa os muros do Reino para influenciar todas as zonas circundantes, mas não só. De forma mais abrangente estende-se aos confins do dito, travestindo influências e manipulando factos e situações, cuja realidade absoluta foi relegada para as calendas de um poder corrompido que mais não faz do que decidir pelas regras de um jogo antecipadamente viciado.

4. No Canadá, numa imitação reles dos pseudo-políticos que por norma escolhem Bruxelas para enviar recados ao País ou anunciar mais uma medida gravosa para a paciente populaça da nossa terra que tudo aguenta, o Querido Líder dissertou. E como seria expectável perante as paupérrimas exibições do seu FC Porto treinado por um Paulo Fonseca que mudou de personalidade e tem de adoptar o discurso trauliteiro sob pena de aí advirem males maiores, encetou pela enésima vez a estratégia de tentar desviar as atenções criando um pseudo-facto para que o foco se desviasse do Dragão que, para variar, continua grato aos rapazinhos de cócoras pelo lugar que ocupa no campeonato.

5. Fiel à sua personalidade truculenta e vingativa, continua com uma pedra no sapato que não consegue tirar. O Seleccionador Paulo Bento cujo processo não conseguiu de todo manipular e, como tal, não perde qualquer ensejo para desvirtuar a sua prestação à frente da Selecção. E como os efeitos são mais incisivos e duradores sempre que algo corre mal, perante o resultado pouco conseguido com Israel era o momento azado para debitar a sua hidrofobia, resolvendo apoucar o Seleccionador que tendo naturalmente os seus defeitos, tem como tudo indica a virtude de não se submeter com facilidade aos ditames do decano do Dragão.

6. Quem está habituado a influenciar e a impor hábitos manipuladores como é o caso visto e revisto do Querido Líder, jamais conseguirá habituar-se a regras que não sejam as suas. Para que sobrassem elogios a Bento, seria preciso que este actuasse de harmonia com as directrizes da estrutura de sonho i.e., convocasse os jogadores previamente indicados, lhes desse o tempo de utilização pretendido e os dispensasse, à imagem de Vítor Baía no passado, caso fosse solicitado. Como não o fez e é capaz de dizer não, tem o nome na lista dos proscritos e é objecto de tiradas de sarjeta que são infelizmente consonantes com o estado que vigora no futebol português.

7. De facto Paulo Bento não foi coerente. Não convocou Licá um portista desde a antiguidade nem Varela que proeminentes críticos azuis e brancos constantemente abominam, e foi convocar e utilizar aquele jogador que ainda recentemente não fez juz ao nome de profeta que transporta, ao praticar a mais vil e nojenta atitude que um jogador pode ter para um seu colega de profissão – cuspir no adversário. Houvesse rigor e moralidade e Josué jamais seria convocado… São todos estes handicaps que levaram o Querido Líder a salivar para o ar para desviar as atenções. E só não lhe caíu em cima porque há sempre alguém pressuroso que acode com o chapéu de chuva (ou de sol) a impedi-lo…






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