Ponto Vermelho
Alegrias e tristezas
14 de Outubro de 2013
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1. Continuando a decorrer o hiato competitivo futebolístico do primeiro plano clubista para dar lugar aos dois últimos jogos da Selecção Nacional respeitantes à fase regular de apuramento para o Mundial, depois das críticas que atingiram sem dó nem piedade a equipa de Paulo Bento devido à sua insuficiente prestação ante Israel, aguarda-se agora que com o modesto Luxemburgo os jogadores portugueses possam dar uma imagem mais real do seu valor que como é habitual em Portugal oscila entre o oitenta e o oito. Depois é só aguardar o sorteio e, sem qualquer fanfarronice, venha quem vier é para discutir e… ganhar!

2. Se o fim de semana não se iniciou sob os melhores auspícios, alguns resultados magníficos noutras modalidades colocaram de novo Portugal no mapa desportivo do Mundo. Desde logo à cabeça, em Cartagena na Colômbia, a Selecção Portuguesa de Sub-20 de Hóquei em Patins sagrou-se Campeã do Mundo frente à Espanha a quem não deu a mínima hipótese no jogo final. O domínio em Selecções de nuestros hermanos tem sido muito significativo na última década, pelo que depois da desilusão de Luanda soube bem esta vitória indiscutível ante o nosso maior rival na modalidade e recuperar um título ao fim de 10 anos. Está sem dúvida de parabéns.

3. É igualmente de enaltecer a subida ao pódio do motociclista Miguel Oliveira que depois do percalço inicial encetou uma recuperação fantástica que o fez atingir o 3.º lugar do Grande Prémio da Malásia. Trata-se de uma modalidade em que os portugueses já começaram a emergir, e os resultados conseguidos por Hélder Rodrigues, Rúben Faria e agora por Miguel Oliveira fazem acreditar que será doravante uma modalidade em que os portugueses poderão apostar e conseguir bons resultados. Está pois igualmente de parabéns, esperando-se que confirme no futuro próximo o imenso potencial de que parece estar dotado.

4. Finalmente para fechar o ciclo do êxito nas modalidades, destaque para o Ténis de Mesa e principalmente para mesatenista de origem chinesa Fu Yu que conquistou a medalha de bronze nos Campeonatos Europeus disputados na Áustria em singulares femininos. Estranhamente, numa modalidade que deixou de ter tradição em Portugal após o período áureo macaense, só agora a atleta que reside em Portugal desde 2001 e representa o desconhecido GDCS Juncal dos Açores foi convocada. Pelos vistos ainda a tempo de conquistar uma medalha para Portugal numa modalidade que nos últimos anos não tem tido, infelizmente, relevância. Certamente uma distracção dos responsáveis…

5. Esta sequência de resultados positivos para o desporto português prova, sem qualquer dúvida, que os atletas portugueses têm potencial para competir com os melhores. Mas também prova que são resultados isolados fruto do grande mérito dos atletas e do esforço dos dirigentes e dos clubes que com pouco conseguem fazer muito. Desta vez o Estado que sempre ou quase sempre se demitiu das suas responsabilidades tem uma boa desculpa com a crise para que ele próprio contribuiu, continuando a sua política (ou ausência dela) errática no desporto, como aliás em todos os sectores de actividade. O desporto em Portugal vive de impulsos e do enorme esforço e dedicação de atletas, clubes e dirigentes. A começar pelos mais modestos.

6. Num fim de semana de sucesso nas modalidades não poderia faltar, infelizmente, o reverso da medalha. E ele aconteceu no Basquetebol após a disputa do Troféu António Pratas que decorreu num dos Pavilhões da Luz. O incidente a todos os títulos lamentável aconteceu com o jogador Nuno Marçal do Maia Basket quando após o jogo das meias-finais se dirigiu a um dos restaurantes do estádio para jantar. Segundo relatam as crónicas o jogador terá sido confrontado por um grupo de adeptos do Benfica alegadamente pertencentes aos No Name Boys que para além de o insultarem terão despejado um prato de sopa na cabeça do atleta. Admite-se que o rastilho que terá motivado esta insólita reacção dos adeptos tenha sido o facto de Nuno Marçal ter sido o capitão do FC Porto no célebre jogo da final no Dragão Caixa vencido pelo Benfica e ter proferido algumas declarações explosivas no final do jogo, em que também ficou registado para a posteridade o dedo ameaçador de Pinto da Costa para o comandante da Polícia destacada para o pavilhão.

7. Embora tentemos compreender as reacções humanas, não são admissíveis estas situações. Elas só acontecem porque subjacente a tudo isto, está muito mais em jogo do que o desporto e as suas incidências. Disso se servem pessoas com responsabilidades que andam a atear focos de incêndio há muito tempo sem que haja alguém disposto a dizer basta. Por várias vezes nos temos referido ao assunto e alertado para este autêntico barril de pólvora em que está transformado o desporto português. As massas envolvidas e o mediatismo que gera, dão origem a acções de radicais incontrolados que só conhecem uma linguagem, ameaçando tornar o desporto numa bola de neve de dimensões assustadoras. Condenamos todo este tipo de acções que nada trazem de positivo e como continuam as declarações bélicas de certos dirigentes, amanhã, em qualquer outro local, teremos novos incidentes, porque a violência gera violência. Até quando?






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