Ponto Vermelho
É preciso reflectir
16 de Outubro de 2013
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1. Terminou a fase de Grupos de apuramento para o campeonato do Mundo e, como se esperava a partir do empate em Alvalade com Israel, Portugal terminou com menos um ponto que a Selecção russa vencedora do Grupo e apurou-se para o play-off cujo sorteio terá lugar já na próxima 2.ª feira em Zurique, sendo os possíveis adversários a França, a Suécia, a Roménia ou a Islândia.

2. Assim sendo, porque qualquer que seja o adversário a calhar-nos em sorte os dois jogos do play-off acontecerão logo em Novembro, o essencial é concentrar-nos desde já nessa tarefa decisiva que pode ser teoricamente mais fácil se o sorteio ditar as Selecções da Islândia ou da Roménia, ou mais difícil se o nosso adversário for a França ou a Suécia. No entanto, seja qual for o adversário sorteado, é fundamental que nos comecemos a preparar desde já em todos os aspectos a começar pelo mental que pode vir a revelar-se decisivo em qualquer dos jogos.

3. No entretanto, os vários opinadores têm vindo a avançar pistas para justificar o nosso não apuramento directo, sendo que a razão maioritária coincide na falta de classe da grande maioria dos jogadores seleccionados. Embora isso seja de facto verdade no tocante a alguns, não cremos que seja essa a principal justificação para o descalabro que se verificou em alguns dos jogos que eram para ganhar e tal não aconteceu mesmo quando o resultado nos era favorável, devido a erros de atitude e de natureza individual que não são inadmissíveis em alta competição.

4. A lenga-lenga de que o erro acontece a qualquer um é compreensível e aceitável se muito esporádico. Já não é tanto se acontecer amiúde como aliás sucedeu em vários jogos de apuramento e aí, perante os jogadores envolvidos, não se poderá esgrimir com a classe ou falta dela, mas mais facilmente com a displicência e a desconcentração momentânea que são toleradas nos avançados quando falham escandalosamente em frente à baliza, mas tratados de forma impiedosa se acontecer com um médio ou um defesa por uma finta mal sucedida ou um passe interceptado e que resulta em golo do adversário. Do guarda-redes então nem se fala…

5. Ora estes casos em alta competição não podem nem devem suceder. Pelo menos com esta frequência. São aspectos importantíssimos que necessitam de ser trabalhados com afinco para que não voltem a acontecer. Porque uma situação dessas, a surgir, pode ser a morte do artista em jogos importantes ou decisivos, como foi bem visível em Moscovo com a Rússia e em Alvalade com Israel. E quer queiramos quer não isso acaba por influenciar negativamente a parte psicológica dos jogadores e se não estava a correr pelo melhor, a tendência é para que a prestação da equipa se ressinta acabando por enfraquecer a capacidade de reacção à adversidade.

6. Aparte esses aspectos, parece ser indiscutível que a equipa necessita de ser renovada atendendo a que há jogadores que já atingiram o seu ciclo de vida útil na Selecção e as suas prestações variam entre o banal e o paupérrimo. O que não ajuda evidentemente a equipa e acaba por ser negativo para a imagem dos próprios jogadores. Mantemos a opinião de que Portugal tem capacidade para formar uma Selecção competitiva, mas para isso torna-se necessário abordar este assunto de frente e não ter receio de integrar novos jogadores que já provaram a sua mais valia. A insistência em jogadores que já nada trazem de útil e que já não revelam ambição, não só é contrapruducente como atrasa a renovação mais do que nunca urgente e necessária.

7. Pelo que tem feito na última década, Portugal criou responsabilidades a que é preciso corresponder sob pena de caminharmos para um triste regresso ao passado. É por isso que não devemos repetidamente usar os mesmo argumentos negativistas porque isso a nada conduz. É um facto que temos dificuldades algumas de natureza estrutural, mas há outras que devem e podem ser ultrapassadas se houver boa vontade, trabalho e perseverança. A Selecção não pode ser vista como um mero agrupamento de jogadores deste ou daquele clube e para isso torna-se necessário que os vários protagonistas comunguem da mesma ideia de que os interesses da Selecção têm que ser salvaguardados porque daí resultam benefícios para todo o edifício do Futebol português. E também é altura de alguns dirigentes clubistas enfiarem a viola no saco e de alguns jornalistas tratarem os jogadores como estando na Selecção e não nos clubes. É que ainda ontem voltámos a ouvir isso…






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