Ponto Vermelho
Charadas
17 de Outubro de 2013
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1. Desde Fevereiro que o rocambolesco assalto à Federação Portuguesa de Futebol tem estado na agenda, muito por força dos sucessivos posts semanais que o jornalista José Manuel Delgado do diário A Bola tem publicado todas as segundas-feiras. Se porventura pudéssemos regressar a Fevereiro e ao comunicado simples e peremptório da Polícia, dir-se-ia que a resolução do assunto estaria por horas, quiçá por escassos dias, tal a quantidade e qualidade das provas recolhidas sobre o autor da proeza.

2. Prolongando-se no tempo, a estranheza começou a ser maior e aguçou o apetite, não apenas pela natureza do assalto, mas porque o ladrão parece não ter tido qualquer preocupação em evitar ser descoberto, dado que é do mais puro amadorismo não ter tomado as devidas precauções para evitar o rasto de sangue que deixou por boa parte do edifício e actuar de cara descoberta, como que a avaliar como ficaria retratada a sua fisionomia nas várias câmaras de videovigilância do edifício. Um manancial de provas que fazia prever uma rápida identificação do assaltante como aliás estava implícito no comunicado policial divulgado através da Agência Lusa.

3. Mas singularmente os dias foram passando, seguiram-se os meses (já lá vão oito!!!) sem que nada transpirasse publicamente, o que atendendo à prática a que estamos habituados das fugas de informação sobre processos a decorrer não deixa de ser de sublinhar. Trata-se, pelos vistos, de um segredo que parece estar bem guardado e a demora na resolução do que parecia fácil pode indiciar que afinal a grande simplicidade se transformou, como que por artes mágicas, num assunto de grande melindre e de enorme complexidade. Não tanto para o perpetrador do assalto, mas para o(s) eventual(ais) mandante(s). É uma especulação que não deve absolutamente nada à lógica.

4. Esta demora na apresentação de resultados precisos sobre a investigação deste caso insólito, tem dado origem a pedidos de esclarecimentos dos responsáveis federativos e nomeadamente do seu presidente porquanto, para além do interesse próprio e institucional, é expectável que haja muita gente interessada em que o assunto seja deslindado. De preferência antes do fim da época. Mas em resposta ao último pedido federativo de 8 do corrente, a Polícia voltou a nada dizer de concreto mantendo a coerência do silêncio que vem manifestando desde o já longínquo mês de Fevereiro.

5. A única informação adicional prestada pela Polícia foi de que o processo tinha transitado para Direcção de Investigação Criminal da própria PSP. O mistério adensa-se, porquanto não foi referido nem quando (presume-se que terá sido há pouco tempo) nem porquê. Uma situação pouco clara dado que depois da informação pública dando conta de facilidades na identificação e possível captura do meliante, teria sido mais ajustado ter prestado um esclarecimento mais alargado sem que isso viesse de alguma forma a colocar em causa o andamento da investigação policial.

6. Como o assunto mudou de polícia, espera-se agora que a investigação seja concluída no mais curto espaço de tempo. Isto admitindo que as provas se mantêm em toda a sua plenitude na linha do que foi anunciado em Fevereiro. O epílogo deste processo já tem dado azo a muita especulação e, caso os dados que foram roubados envolverem eventuais elementos de natureza pessoal, pode tornar-se perigoso na medida em que poderão ter caído nas mãos erradas. Por todos estes motivos e pela demora na resolução de um processo que se previa célere, espera-se que seja finalmente, resolvido este busílis rapidamente para que a opinião pública consiga eventualmente entender o porquê deste processo simples se ter tornado inexplicavelmente complexo e duradouro. Logo abrindo lugar a todo o tipo de especulações. Havia alguma necessidade?








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