Ponto Vermelho
Respeito ou falta dele
18 de Outubro de 2013
Partilhar no Facebook

1. As expectativas para o próximo ano são, como infelizmente já se vai tornando um hábito, muito sombrias. Nada do que vai sendo apresentado, dito, redito, contrariado e desmentido permite vislumbrar qualquer luz ao fundo do túnel, nem sequer de um simples fósforo. Quando as promessas não passam disso mesmo e são frontalmente delapidadas em cada dia que passa, tudo o que seja afirmado acaba por não ser levado a sério. Pensávamos nós na nossa humilde convicção de que a célebre frase um dia proferida por António Pimenta Machado só era aplicável aos personagens do Futebol português. Afinal, como se tem podido observar, é também extensível a todos os sectores da sociedade portuguesa.

2. E quem eventualmente pudesse esperar bons exemplos vindos de quem em primeiro lugar os deveria dar – os governantes –, vemos que aquilo que eram afirmações plenas de convicção transformaram-se numa monumental farsa em que nada é respeitado e cumprido, a não ser a vassalagem prestada aos senhores que de vez em quando vêm avaliar-nos para aferir se somos meninos bem comportados. Quando os interesses de um povo são espezinhados todos os dias, quando a fome e o desemprego atingem largos milhares de lares portugueses, quando se aviltam as necessidades mais básicas e elementares de um povo quase milenar a troco da defesa de interesses que não são os nossos, como classificar esta gente e que esperar do presente? Que esperança nos pode trazer o futuro?

3. Nesse enquadramento e para não destoar da (des)governação, por mais alterações de cosmética que sejam feitas, por mais pedidos preocupados que formulem, é indubitável que o futebol português não apresenta quaisquer melhorias, quaisquer progressos ou sequer leves indícios que façam prever, a curto ou a médio prazo uma evolução positiva que nos tire deste plano inclinado que parece acentuar-se a cada dia que passa. Não se trata de avaliarmos o cenário de forma pessimista mas, em função dos dados no tabuleiro, sermos acentuadamente realistas. As constantes tricas, as decisões estapafúrdias e desprovidas de toda a lógica e as golpadas frequentes, continuam a ser a imagem de marca do nosso futebol em que mudam os intervenientes para que tudo permaneça na mesma.

4. Mais uma vez e para variar o Sector da Arbitragem está na berlinda. Sem estranheza porquanto é de interesse estratégico vital para o Sistema que o domina e o asfixia. Quaisquer alterações por mais pequenas que sejam, geram confusão sem fim porque apesar de controlado, existe sempre o receio que as regras do jogo possam sofrer alguma modificação contrária aos interesses dos capatazes vigilantes. Mas apesar de tudo, deu para ouvir Vítor Pereira dissertar sobre alguma coisa, ele que se tem mantido mudo e quedo perante os constantes atropelos que se têm verificado.

5. Como já se percebeu, a profissionalização, sendo em relação aos outros intervenientes comparativamente lógica e justa, serve para desencadear guerras internas mais acesas pelo poder. Ninguém quer abrir mão de um sector que tanta falta lhes faz para conseguirem os seus desígnios. E o eterno corporativismo do sector com os seus responsáveis a agirem como membros de uma qualquer sociedade secreta, não ajuda em nada a mudar o estilo e a mentalidade do sector. Nesse particular, independentemente de ter ou não mudado de opinião, o presidente da Liga tem razão nas últimas declarações. É assim que uma boa parte da opinião pública vê o que se passa no mundo restricto da arbitragem.

6. Não há dúvida que aqueles que sempre acharam que a centralização do poder na FPF não iria trazer nenhum benefício concreto em relação ao status-quo existente tinham uma visão correcta da situação. Com tudo o que aconteceu e com a Liga esvaziada, importa perguntar se se justifica neste momento a sua existência. E no que concerne à arbitragem, a menina que muitos olhos ambicionam, convém igualmente questionar sobre quais as vantagens obtidas. Melhoraram os desempenhos dos árbitros? A catadupa de erros injustificáveis e incompreensíveis diminuiram? As nomeações passaram a ter um critério mais justo e coerente? Os nomes dos árbitros são conhecidos com antecedência ou apenas e só divulgados à última hora? Os relatórios dos delegados passaram a ser mais fiáveis? As classificações têm sido mais transparentes? O próprio Conselho de Arbitragem registou evolução? Todas estas questões deveriam ter resposta e justificação de Vítor Pereira. Para que a arbitragem pudesse ser mais translúcida e se abrisse ao mundo…








Bookmark and Share