Ponto Vermelho
Novos patriotas...
20 de Outubro de 2013
Partilhar no Facebook

1. Finalmente falou-se da Taça de Portugal que adquiriu de repente súbita importância porque entraram os grandes na liça. Embora em teoria fosse susceptível de virem a surgir os denominados tomba-gigantes, não se perspectivava para esta eliminatória grandes surpresas. E elas não aconteceram a despeito de alguns resultados tangenciais que como é natural tiveram leituras muito desiguais. Nada a que não estejamos já habituados porque cada cabeça sua sentença. O pior é quando os neurónios ficam afectados, mas aí não há muito a fazer.

2. No que aos grandes diz respeito, apesar de defrontarem adversários de escalões secundários as perspectivas eram de algum modo diferentes; enquanto o FC Porto e o Benfica viviam sob o espectro de uma jornada muito importante para a Liga dos Campeões, o Sporting e até o SC Braga estavam livres e sem quaisquer motivos de apreensão pelo que não foram forçados a grandes poupanças. Aliás, em tese, os adversários de todos não eram de molde a propiciar grandes sarilhos desde que tudo decorresse normalmente. E decorreu. Com mais ou menos dificuldade todos venceram.

3. As análises aos jogos é que não deixaram de ser interessantes. E no tocante ao Benfica nem o facto de os encarnados terem entrado em Cinfães com um onze sem um único titular e com um misto de equipa A e B onde naturalmente não poderia imperar o conjunto nem as rotinas habituais nas equipas, os demoveu de comentários desajustados. Não há dúvida de que o Benfica continua debaixo de fogo cerrado que tenderá a aumentar caso o FC Porto continue a protagonizar brilhantes exibições como a de ontem que foi muito aplaudida, e o Sporting de Bruno de Carvalho se mantenha na senda dos triunfos.

4. Nos últimos tempos temos assistido a vagas de novos nacionalistas. Vêm tarde. É que Portugal corre sérios riscos de ficar reduzido apenas ao astro-rei porque nem o (des)governo conseguiu ainda privatizá-lo e vendê-lo em fatias aos países do Norte da Europa que bem precisam dele, nem o mercado teve arte e engenho para adquirir a patente. Pelo sim pelo não, não sabemos até que ponto o inquilino de Belém em mais uma daquelas acções patrióticas que o costumam caracterizar não deveria pedir uma fiscalização preventiva…

5. Esses novos preocupados estenderam-se ao futebol e nos últimos tempos é vê-los a debitar, por tudo o que é sítio, as suas bem trabalhadas e interessantes teorias. Com uma linguagem cativante, apelativa à sensibilidade da alma lusa, propagam o nacionalismo em doses industriais, num apelo pungente que sensibiliza os corações mais empedernidos. De tal maneira, que até o habitualmente silencioso presidente federativo veio a terreiro falar sobre o assunto e, como autoridade moral na matéria numa acção que agradou aos nacionalistas, resolveu criticar dois dos maiores clubes pela sua ineficácia na formação de jogadores.

6. A esse desabafo presidencial que só surpreendeu por ter vindo de quem veio, não são alheias as críticas que se têm abatido sobre a Selecção. Com efeito, Fernando Gomes perdeu uma das mais exuberantes oportunidades de continuar coerente com o silêncio. É certo que dos grandes só o Sporting não teve interrupções no capítulo formativo e tem continuado a revelar talentos. Mas por exemplo o Benfica, tal como vários outros clubes, deram um forte impulso à área da formação a partir do momento em que foram criadas infraestruturas capazes de estabelecer e desenvolver uma política coerente nessa área.

7. Só que isso obriga ao dispêndio de elevadas verbas que têm que ser quase integralmente suportadas pelos clubes, dado que como é sabido, política concertada no desporto e no futebol em particular, é coisa que a Tutela nem quer ouvir falar não vá a troika ouvir… Quanto mais participar! Assim sendo, para ajudar a suportar esses custos e simultaneamente manter as principais equipas competitivas, a opção foi a que sabe, até porque os resultados, como se sabe, só aparecem depois de um período alargado de maturação. Período esse que está a chegar ao final da primeira fase e, se olharmos para as várias selecções jovens como por exemplo para a de sub-21, observamos não ao emergir de um talento, mas de vários com imenso potencial que são já quase certezas, o que permite encarar com algum optimismo a renovação da principal Selecção. Afinal parece que também o Benfica já está a trabalhar bem e a produzir resultados nessa área. Para descanso de Gomes e dos nacionalistas…






Bookmark and Share