Ponto Vermelho
Graves sintomas de fanatismo
21 de Outubro de 2013
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Neste espaço temo-nos referido em várias ocasiões ao fanatismo. Não no sentido abstracto mas por se tratar de uma acção recorrente de algumas pessoas com responsabilidades em diversas áreas que assim contribuem para que os adeptos mais permeáveis e radicais se sintam incentivados na sua cruzada contra aqueles que deveriam ser apenas e só seus adversários mas que acabam por se transformar em inimigos fidagais onde a violência verbal (e às vezes até física) acaba por assentar arrais O radicalismo cada vez mais acentuado tem encontrado fortes factores de motivação em determinado tipo de discursos ou artigos de pessoas que pela sua idade e experiência deveriam transmitir à opinião pública exemplos vivos de tranquilidade e ponderação.

Inúmeras vezes tem sido dito e repetido que o futebol é um desporto de paixões que pode e já tem levado pessoas com responsabilidades na sociedade, a protagonizarem episódios nada consonantes com a imagem pública que delas transparece. São situações transversais que não deixam em termos teóricos ninguém de fora, e as atenuantes de que às vezes beneficiam têm muito a ver com o facto de potencialmente, qualquer um poder assumir em qualquer altura, idêntico protagonismo. De forma irreflectida e pouco ponderada, é claro.

Colocado o assunto nestes termos, seria suposto que dentro de um mesmo contêxto as eventuais ocorrências nesse particular fossem analisadas, comentadas e julgadas de forma igualitária não atendendo a pessoas e a clubes para não dar azo a interpretações diferenciadas que conduzem à suspeita deste ou aquele ter sido beneficiado quando afectado pelas mesmas circunstâncias. Esse é um dos grandes mistérios que afecta os julgadores que antes de decidirem são confrontados com vagas de clamor público tentando influenciar a decisão final.

Para isso muito contribuem pessoas que gravitam sem cessar e que não conseguem libertar-se da dependência do fanatismo que as afecta e leva, sempre que lhes é concedida uma oportunidade, a mostrarem o mundo ainda muito pior do que ele é. No futebol como afinal em todas as áreas, elas andam por aí, e nesse particular Alberto do Rosário ilustra bem o que não deve ser um crítico, fazendo compreender melhor as razões porque o Sporting, com adeptos assim, tenha atravessado uma tão longa travessia no deserto, pois têm sido pessoas da mesma estirpe que têm influenciado de forma altamente negativa o percurso do clube de Alvalade.

Como qualquer pessoa numa sociedade supostamente livre e democrática, Rosário tem todo o direito de não gostar do Benfica. Mas o que não pode e nem deve, é confundir os encarnados rivais há mais de um século como um inimigo a aniquilar, quando apenas e só é um adversário concorrencial das lides desportivas. Sendo sempre adversários e rivais tal não invalida que hajam interesses comuns dentro do futebol e, nesse sentido, nenhuma razão válida existe para que não possam ser estabelecidas pontes que redundem em vantagens mútuas e num sentido mais abrangente para o futebol português.

Mas não é essa a visão que acompanha Rosário. Para ele, fiel adepto da linha pura e dura, o Benfica deverá ser tratado como um inimigo a abater. Ao invés, o FC Porto que tantos benefícios trouxe ao Sporting na última década e cuja história manipulada é uma das grandes vergonhas com que o futebol português tem sido confrontado, deve ser tratado com todos os previlégios e mordomias, adepto que é da máxima: ”quem é inimigo do Benfica meu amigo é”. É este tipo de mentalidades que dormem atormentadas que, enquanto não conseguem provocar atritos e rupturas, que desancam no seu próprio clube e depois se colam num misto de bajulação calculada (veja-se a forma sinuosa como tem feito o percurso em relação a Bruno de Carvalho), que justificam em parte alguns dos insucessos próprios.

É um facto que o presidente leonino nem sempre tem estado bem e a sua referência indirecta à perda de faculdades de Pinto da Costa devido à idade poderia e deveria ter sido evitada. Mesmo que o presidente portista tenha sido inúmeras vezes useiro e vezeiro em tiradas do mesmo jaez. Contudo não podemos e não devemos ser hipócritas condenando uns e mostrando aceitação com outros, com expressões compreensivas do tipo: ele sempre foi assim. Não pode nem deve haver dois pesos e duas medidas porque a assim acontecer, quem fica por cima por sistema é justamente quem demonstra nível rasteiro e utiliza a boçalidade como arma de arremesso. Como aliás tem sido patente.

P.S. Comportando a próxima jornada um FC Porto-Sporting, estranhámos não ter visto qualquer previsão de Rosário. Será que o seu pessimismo o impediu de debitar uma das suas expressões favoritas: ”os jogos são com onze contra onze e no final ganha sempre o FC Porto…”?






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