Ponto Vermelho
Novos perigos
23 de Outubro de 2013
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1. O futebol português está neste momento a atravessar um período que encerra alguns perigos ameaçadores que se poderão vir a tornar letais se porventura não houver uma reacção rápida e eficaz. Quer no panorama de clubes nas competições europeias quer na própria Selecção, os resultados estão longe de ser brilhantes pelo que, apesar das dificuldades que se avizinham, urge reagir rapidamente se por acaso houver capacidade que achamos que há. É preciso é que o fatalismo não invada as mentes lusas e diminua a vontade de fazer frente às adversidades.

2. Não podemos ignorar que nos últimos anos muito tem mudado na Europa e no Mundo. Sem surpresa, as assimetrias têm vindo a acentuar-se de forma drástica, o fosso entre clubes ricos e pobres tem-se alargado de forma desmesurada perante a inércia e a permissibilidade da FIFA e da UEFA. A bandalheira que constitui o período de transferências aberto muito para além das várias provas terem começado, é um exemplo de claro favorecimento dos grandes clubes sobretudo dos novos ricos que actuam a seu bel-prazer sem que alguém possa obstar a isso.

3. A profunda crise em que a Europa está mergulhada e que nos tem afectado de forma particular sobretudo pela forma como os (des)governantes não têm sabido lidar com as dificuldades, tem vindo a concorrer para que cada vez sejamos menos competitivos, porquanto a juntar ao despautério na área política, acresce o da área desportiva e do futebol, que faz com que por vezes sejamos motivo de chacota além fronteiras, dada a recorrência de factos anómalos e da velocidade com que se propagam neste mundo das novas tecnologias de informação.

4. Tudo somado faz com que tenhamos um campeonato pouco competitivo e como tal pouco atractivo, que faz com que alguns grandes jogadores em potência e aqueles que apesar de muito jovens revelam qualidades, olhem para a nossa Liga como um ponto de passagem e um marco de entrada na/para a Europa, como se tem visto com o caso específico dos sul-americanos em cujo mercado muito têm apostado os dois principais clubes portugueses. A formação tem dado frutos no caso leonino e aproxima-se a hora da verdade no tocante aos encarnados cujas manifestações de vontade continuam a ser insuficientes embora já existam indícios fortes de que os primeiros resultados estão a começar a aparecer.

5. Contudo, em paralelo, verifica-se que cada vez mais cedo os jovens jogadores portugueses são assediados porque alguns grandes clubes europeus que ou não têm vocação formativa ou já a abandonaram, dado que havendo dinheiro (e há ) é muito mais fácil adquirir futuros grandes jogadores onde quer que eles existam sem grande esforço. E os principais clubes portugueses e em particular o Sporting têm conseguido produzi-los como tem sido notório, mas infelizmente têm cedido rapidamente à tentação de os vender até porque neste mercado globalista, para além dos clubes terem de suprir necessidades de tesouraria, eles tornam-se presas fáceis dada a disparidade de proventos que lhes são oferecidos no estrangeiro.

6. Por outro lado é conhecida a dificuldade sentida na transição para as primeiras equipas por um conjunto diversificado de razões, e porque contrariamente ao que sucedia no passado, a volatilidade de jogadores nas equipas é muito mais acentuada, pelo que não podendo nem havendo estabilidade, torna-se muito mais difícil a afirmação dos jogadores da cantera que acabam por seguir caminhos diferenciados, sendo na esmagadora maioria das vezes preteridos a estrangeiros que nem sempre demonstram potencial superior. É uma inconsistência que deve ser corrigida no futuro de curto prazo.

7. Não sendo um exclusivo nosso, já começou há muito a nossa habituação a ver as nossas principais equipas transformadas em multinacionais com activos unicamente estrangeiros. Se olharmos para a equipa do FC Porto que defrontou o Zenit vimos que na equipa inicial estavam apenas dois portugueses, e hoje o Benfica seguirá as mesmas pisadas se não mesmo as agravar. A realidade é que por exemplo esta época (não sabemos ainda o resultado do Benfica), o balanço começa a ser preocupante do ponto de vista global dos clubes, mas a própria Selecção também claudicou pois o grupo em que esteve inserida reclamava o apuramento directo. Ter de disputar o play-off é um castigo e simultaneamente um risco que esperamos venha a ser ultrapassado dado que é fundamental a ida ao Mundial. Esperemos todavia que haja análise e ponderação e sejam corrigidos os erros internos para que possamos fazer mais e melhor (nos clubes e na Selecção), antes que a ameaça de uma prolongada travessia no deserto se torne real e irreversível!






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