Ponto Vermelho
Campainha de alarme
24 de Outubro de 2013
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Consideramos que não deve ser concedida demasiada importância a determinadas opiniões que divagam sobre outras expendidas em certas ocasiões sobre assuntos do Benfica. Não que todas elas não mereçam a nossa atenção (mesmo aquelas com propósitos mais do que evidentes), mas porque ninguém é detentor do monopólio da verdade seja qual for a matéria que esteja em causa. Nem sequer aqueles que do alto da sua sapiência comprovada nunca têm dúvidas e raramente se enganam…

Não há muito tempo, Luís Filipe Vieira expressou a convicção de que o Benfica tinha o melhor plantel dos últimos trinta anos e admitiu sonhar com os encarnados na final da Liga dos Campeões de 2014 a disputar na Luz. Enquanto que no primeiro caso não se terá apoiado em estudos científicos e exprimiu uma mera opinião pessoal, no segundo limitou-se a expressar um desejo transformado em sonho e, como tal, não balizado a mais ou menos probabilidades de a atingir. Num país em que começamos a ser impedidos de fazer seja o que for, ao menos a liberdade de sonhar ainda não foi coarctada. Valha-nos isso.

Sabe-se o corropio de opiniões que nos têm inundado. Umas sérias outras nem tanto, mas isso faz parte do esquema em que todos falam sobre tudo mesmo quando a prudência do silêncio reclama prioridade absoluta. Não vamos pois perder tempo com discussões peregrinas sobre o que não foi expressado na palavra, preferindo o olhar crítico sobre o actual estado da nação futebolística benfiquista, porquanto o futebol é o momento e os estados de alma sofrem mutações constantes que às vezes atingem uma volta completa em escassos dias. E nem sequer nos estamos a referir aos fatídicos 12 dias da nossa desilusão e descontentamento.

Aparte os pessimistas que descobrem e cultivam sempre o lado negro de qualquer questão, temos vivido desde que a época começou a germinar, na esperança de que a lembrança dos últimos desaires fosse rapidamente apagada. Mas algumas situações como o impasse na renovação ou não de Jorge Jesus e do sai-não-sai de Óscar Cardozo fizeram questão de nos manter focados nesse passado presente em vez de nos concentrarmos no presente-futuro arrostando as consequências. Como é evidente os benfiquistas vivem demasiado o clube e qualquer anomalia que é amplificada, afecta e condiciona.

Não sendo passível de comparação seja qual for o prisma de observação, ainda assim consideramos que o presente plantel será o mais vasto e ao mesmo tempo mais equilibrado dos últimos anos. O que não significa que não possa ter desequilíbrios. E não tendo saído jogadores e tendo havido aquisições adicionais com o rótulo de promissoras, era expectável que a presente época fosse auspiciosa, mesmo considerando algumas condicionantes como sejam as memórias do final da última época, a instabilidade nalguns jogadores que viveram na incerteza até ao último momento e, finalmente, a interrogação sobre a integração dos novos jogadores.

Em contraponto acrescia o calendário inicial particularmente difícil e, tendo em conta a realidade de todas as épocas, a possibilidade sempre real de manipulação de resultados por via dos recorrentes erros de arbitragem. Todas estas forças de bloqueio faziam prever enormes dificuldades e exigiam um Benfica consonante com as potencialidades derivadas de um plantel riquíssimo para a realidade portuguesa, liderado por um treinador já sobejamente conhecedor da estrutura benfiquista e remunerado de conformidade.

O que tem vindo a acontecer desde a pré-época é surrealista e sobram todos os dedos da mão para catalogar uma exibição do Benfica à altura ds potencialidades da equipa, do que a história reclama e do que os seus adeptos exigem. Ainda ontem, num jogo em que vitória era exigível, ressaltou uma equipa lenta, sem ideias, sem capacidade de pressão, perdida no terreno e manietada por um Olympiacos que exerceu na 1.ª parte um amplo domínio de natureza táctica, uma virtude sempre reclamada por Jorge Jesus em quase todos os desafios.

Causa algum espanto observar jogadores de indiscutível valia como aliás foi observado na temporada pretérita muito longe daquilo de que são capazes. Estranha-se como a equipa fica desequilibrada quer a defender quer a atacar e surpreende o discurso repetitivo do seu líder ao conseguir discortinar um rio de virtudes onde apenas vislumbramos um mar de insuficiências. A equipa demonstra falta de ideias, os adversários já perceberam a fórmula repetitiva de saída para o ataque e quando assim é e não há dinamismo nos flancos e transições rápidas (pontos fortes da última época), a equipa fica manietada sobretudo se o adversário estiver organizado e pressionar alto.

Acresce que os treinadores de bancada, em qualquer lado, vêem sempre opções discutíveis. Ontem por exemplo, com o terreno completamente encharcado terá sido a melhor opção estrear Ivan Cavaleiro? As opções técnicas e tácticas ainda que podendo ser as mais surpreendentes e bizarras dão sempre razão ao treinador em caso de vitórias. Mas há o reverso da medalha em que são questionadas caso haja insucesso. Sobretudo se esse for continuado como tem sido esta época. Há pois que arrepiar caminho quanto antes e equacionar de vez o que não está a funcionar, na medida em que os resultados, as exibições e já agora o discurso são cada vez menos conseguidos. E porque ainda nem sequer chegámos a um terço da época…


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