Ponto Vermelho
Movimentações...
25 de Outubro de 2013
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Nos últimos tempos de algumas das intensas movimentações de bastidores, têm transpirado algumas informações que dão conta de um imenso mau estar de personagens influentes ligadas ao mundo do Futebol habituadas há décadas a ter a última palavra e que não estão satisfeitas com o rumo que alguns dos acontecimentos estão a seguir. Está bom de ver que o Sistema não se contenta com domínios parciais, pois exige vitórias totais em todos os tabuleiros à moda dos xitos. Especialmente naqueles alheios às quatro linhas pois é aí que se começa a decidir tudo. Como temos visto repetidamente ao longo dos anos.

Uma das situações que causou alguns pruridos foi a eleição de Mário Figueiredo para presidente da Liga. Não tanto pelo facto em si dado que aquele organismo ficou completamente esvaziado dos poderes apetecíveis e ficou reduzido essencialmente a questões de índole administrativa, mas porque na génese da sua eleição esteve subjacente um certo Grito de Ipiranga dos pequenos e médios clubes cansados ao longo dos anos de comerem migalhas dos direitos televisivos. Conseguiram incluir no programa eleitoral de Figueiredo a bandeira da centralização dos direitos televisivos como grande e futura conquista.

O presidente da Liga deu cumprimento a essa sua promessa e avançou declarando guerra à oligarquia da Olivedesportos a trave-mestra do Sistema e rainha incontestada nesse domínio em que tem exercido uma exploração intensiva. Se teve o mérito de ter descoberto a galinha dos ovos de ouro, e se por via disso constituiu um suporte assinalável de muitos clubes que tem de ser realçado, a realidade objectiva é a mesma de sempre; alguns negócios tendem a potenciar a ganância do lucro do explorador e daí que tenha vindo a usufruir de enormes proventos.

Dir-se-á que era o mercado a funcionar. Seja, ainda que as regras fossem altamente discutíveis. Do outro lado estava a maioria dos clubes cada vez mais raquítica que nunca tiveram outro remédio senão aceitar o que lhe era proposto, dado que num mercado monopolista como este é sempre o ofertante a definir as regras do jogo. E essas têm contemplado claúsulas leoninas a que não tem faltado sequer a de obrigatoriedade da renovação ou a primazia ao monopolista.

A manifestação de vontade e a acção empreendida por Figueiredo de contestar esse monopólio evidente num mercado suposta e desejavelmente concorrencial e os rumores que deram lugar a certezas de que o Benfica não iria renovar o contrato causaram, como é óbvio, profunda preocupação nas hostes do monopolista e do Sistema. O império tão laboriosamente construído sofria os primeiros ataques sérios. Que mais se acentuou quando os encarnados, em face da situação do mercado, decidiram optar pela exploração dos direitos no seu próprio canal.

Algumas manobras evasivas foram encetadas com a participação da PT e da ZON cujas plataformas de distribuição controlam mais de 90% do mercado, sendo essa uma questão que está neste momento pendente de decisão da AAC. Enquanto isso, apesar da grave crise do mercado do audovisual e da publicidade, a avaliar pelos últimos dados divulgados o sucesso da Benfica TV parece já ser um dado adquirido, afectando o monopolista e por outro lado colidindo de algum modo com a estratégia centralizadora do presidente da Liga cujas pretensões se encontram neste momento também a aguardar a decisão daquela entidade reguladora.

Se em princípio podemos concordar com a centralização dos direitos desde que a solução a encontrar passe por uma distribuição justa e equitativa pelos clubes em função da sua importância no mercado, o que nunca enxergámos é como iria eventualmente o Presidente da Liga conseguir em termos práticos e objectivos a nulidade de contratos que estão a decorrer e projectados no tempo em função dos montantes significativos envolvidos. Mas isso é assunto lá mais para diante, dado que já decorrem nos bastidores movimentações para encurtar o seu mandato…

Como é óbvio, a perspectiva das transmissões da BTV causaram achaques naquelas mentes que sempre acharam nas realizações da Sport TV um modelo de virtudes. Por essa razão, todas as manipulações, todas as segregações de imagens e todos os comentários tendenciosos (em off e em on) desta estação em que o denominador comum era o Benfica sempre foram muito aplaudidos. E como têm a consciência pesada, levantaram todo o tipo de dúvidas acerca da isenção da BTV uma acção já esperada para desvalorizar e emperrar um êxito que já se adivinhava. O facto de por enquanto estarem calados diz bem do mérito da BTV, ainda que haja alguns (até com o próximo advento da Sporting TV) que insistem na tecla gasta do parcialismo como se todos fossem como eles. O que é que alguma vez impediu grandes jornalistas do passado e alguns do presente com preferência clubista assumida de fazerem o seu trabalho de forma séria, honesta e rigorosa? Ou se é profissional na verdadeira acepção ou não, o resto são cantigas…




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