Ponto Vermelho
Nostalgia...
31 de Outubro de 2013
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1. Em todos os quadrantes existem ex-dirigentes que ou porque foram derrotados em refregas eleitorais ou porque delas são forçados a abdicar, não conseguem disfarçar e muito menos esconder a saudade e a nostalgia que sentem desses tempos do poder. E, sempre que lhes é concedida a oportunidade, é vê-los a debitar interessantes teorias sobre os mais variados temas. Baseados na sua lógica de poder, tecem críticas que nunca aceitaram de bom grado, e dão com frequência de graça alguns conselhos e sugestões que não acolheram enquanto estiveram no poder.

2. No universo do futebol pela sua especificidade e alcance mediático temos disso com regularidade, até porque os inteligentes rapidamente descobriram que as tiradas mais tonitruantes têm melhor aceitação no mediatismo, e que sem ele as suas opiniões são relegadas para pé de página quando não mesmo totalmente ignoradas. É a actual lei do mercado em que desde que o produto seja vendável qualquer coisa serve, pouco importando a sua natureza se porventura o alvo for apetecível.

3. A intensa rivalidade que desde sempre tem perdurado entre os dois grandes da capital tem produzido vários exemplares que num acto de puro masoquismo sempre estiveram mais preocupados em espreitar para o outro lado da 2.ª circular do que em concentrarem-se na resolução dos problemas do seu próprio clube. O objectivo que sempre os norteou foi o de que a casa do vizinho não pode ser maior e melhor que a nossa, pelo que qualquer desaire próprio é aceite e tolerado (excepto se for contra o rival) desde que do outro lado tenha acontecido a mesma situação negativa.

4. A decisão estratégica do guru Roquette de se aliar a Pinto da Costa contra o Benfica para numa lógica empresarial o aniquilar de vez, veio revolucionar todos os parâmetros do passado. Porque o momento não poderia ser o mais apropriado dada a aparente incapacidade de reacção dos encarnados que se encontravam em fase de descalabro galopante. Sabe-se até que ponto chegou o Benfica e sabe-se como conseguiu reagir à ameaça real de absoluta ruína. O que então aconteceu foi que o enfoque como não poderia deixar de ser assentou prioritariamente na recuperação moral e financeira. A importante vertente futebolística estava desde logo salvaguardada no acordo. Ou seja, o Sporting não se importava de ficar em 2.º lugar desde que o Benfica ficasse em 3.º…

5. Todas as sucessivas Direcções leoninas mantiveram o status-quo de hostilização ao Benfica, mas a despeito disso que apenas demonstrou um complexo de inferioridade que até não fazia sentido, assistiu-se ao sair do tiro pela culatra, visto que o Sporting passados os primeiros anos pós-acordo, entrou em curva descendente que culminou com o desastre do consulado de Godinho Lopes, enquanto que o Benfica se reerguia das cinzas e começava a revelar pujança em todas as áreas, com excepção da futebolística que tinha sido entregue de mão-beijada ao FC Porto que não se fez rogado em aproveitar tão soberana oportunidade para a consolidar.

6. A nova Direcção leonina prometeu desde logo alterações na política de alianças preferindo a via da independência. Para os defensores da manutenção da aliança como escudo contra o Benfica, (basicamente ex-dirigentes e ex-habitantes dos corredores de Alvalade) isso criou-lhes imediatamente engulhos e por razões lógicas ao FC Porto que depois de tantos anos, não estava obviamente interessado num Sporting independente, ou pior do que isso, eventualmente contra si. Cenário que se agravou com a normalização das relações entre os dois vizinhos.

7. Não tem causado por isso surpresa que com origem nas mais variadas fontes se tenha assistido desde então a tentativas de fazer regressar as relações dos dois rivais aos velhos tempos. Para além daqueles que desempenham em full time o papel insubstituível de moços de recados da Direcção portista, estão a aparecer à tona velhos ex-dirigentes leoninos que assimilaram a cultura de ódio contra o Benfica desenvolvida pela equipa de Pinto da Costa e que, paradoxalmente, estão a tentar aproveitar o elán da actual Direcção que nunca foi do seu agrado para tentarem um regresso ao passado recente.

8. E assim sendo, enquanto por ora foram forçados a meter a viola no saco perante as evidências do seu próprio clube, vão continuando com a já gasta argumentação do passado a dissertar sobre temas do Benfica, em que por vezes tentam habilmente misturar no mesmo texto críticas naturais e legítimas, com tentativas sub-reptícias de desestabilização de activos encarnados, com ainda comparações algo desfasadas da realidade portuguesa e do Benfica em particular, na linha das que são perpetradas habitualmente nos on-line ou nas redes sociais. A essas pessoas pelas suas responsabilidades perante a sociedade, exige-se mais decoro, mais contenção e mais respeito. Será pedir muito, ou não aprenderam nada com as lições do passado?




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