Ponto Vermelho
Reedições...
1 de Novembro de 2013
Partilhar no Facebook

Acontece na vida dos clubes especialmente nos de maior dimensão. Ao estarem envolvidos em provas internas e externas, são obrigados a ter que corresponder aos constantes desafios que lhes são colocados e, para isso, é que estão normalmente melhor apetrechados em todas as áreas. Têm plantéis mais vastos e jogadores prontos para responder a situações inesperadas motivadas pelas várias incidências em que o futebol é fértil. O Benfica não foge à regra independentemente de se poder discutir uma série de questões como não poderia deixar de ser e, visto de fora, parece revelar alguns handicaps. Tal como todos os outros.

Tentando precaver-se do último forcing do mercado a jogadores que estavam na cogitação de vários clubes e da eventual debandada de última hora registada na época anterior, os encarnados efectuaram aquisições para fazer face a essa previsível situação para todos os lugares em que as saídas eram de algum modo expectáveis. Desta vez foi finalmente suprida a lacuna da lateral esquerda, ainda que para corrigir o tiro houvesse necessidade de um resgate no último momento. Afinal, se 2012 deixou marcas também permitiu lições, o que prova que há sempre algo a retirar de qualquer situação por mais nefasta que seja.

A decisão tomada no sentido de não alinear jogadores, para além das consequências financeiras óbvias, deu origem a um alargamento do plantel que parecia à partida manifestamente extenso para aquilo que é convencional num grupo de trabalho desta natureza. Todavia, a vaga de lesões que tem fustigado o plantel e que começaram com Salvio que vai estar no estaleiro ainda por mais alguns meses tem vindo a propagar-se, o que como é hábito levantou uma série de interrogações e, associadas a estas, as inevitáveis especulações dada a esmagadora maioria ser de natureza muscular.

Sendo um dos campos em que o Benfica tem investido forte em equipamento de ponta e possuindo nos seus quadros profissionais de natureza inquestionável, certamente que o trabalho de casa já foi feito e encontradas explicações técnicas para esta súbita vaga de lesões aumentando a prevenção no futuro. Logo, qualquer comparação com situações que possam acontecer noutras paragens é totalmente inadequada e especulativa, devendo apenas ficar o simples registo da constatação. A verdade é que desse plantel extenso a equipa ficou algo carenciada nalgumas posições sendo necessário a articulação com a equipa B. Como tudo na vida, o azar de uns pode ser a sorte e a felicidade de outros.

No âmbito específico do futebol jogado e que mais atrai os adeptos, simpatizantes e opinião pública, o Benfica, a exemplo do que aconteceu por diversas vezes na última época e esperamos venha a acontecer na presente, vai iniciar o 2.º ciclo de dificuldades. No 1.º que coincidiu com o princípio de época não saiu com saldo positivo embora tenha decorrido numa única prova, por acaso catalogada como o objectivo principal. Mas, de harmonia com a convicção do treinador, tratando-se de uma prova longa de regularidade, há sempre possibilidades de recuperar o terreno perdido.

Contudo este 2.º ciclo já reune características diferentes para pior. Dos 3 jogos, 2 são como visitante, mas o grau de dificuldade é globalmente mais elevado. Sobressai o facto de que acontecerá em 3 provas distintas mas com um denominador comum: são todos praticamente decisivos, senão vejamos: no 1.º embate daqui a pouco em Coimbra para o Campeonato, qualquer resultado que não seja a vitória poderá ditar um atraso irrecuperável para o título. Recordamos que nas duas últimas épocas o Benfica não venceu devido a mérito do adversário, por culpas próprias e a erros flagrantes de arbitragem.

O 2.º jogo na Grécia na 3.ª feira para a Champions depois do deslize em casa, assume também carácter decisivo dado que um resultado negativo significará um adeus prematuro à prova. E, finalmente, este ciclo encerra-se no Sábado com a recepção ao nosso vizinho Sporting para a Taça de Portugal. O Benfica irá ser posto à prova e tem uma excelente oportunidade de sacudir a letargia em que tem vivido, até porque este último já está inserido em mais um período de paragem do campeonato. As dificuldades são muitas e variadas, e compete à equipa técnica e ao plantel darem as respostas adequadas até porque qualquer deslize comprometerá de modo definitivo as aspirações encarnadas. Porque, a não acontecer, poderá haver uma reedição do desastre emocional do final da época passada. Nesse ciclo foram 12 dias, mas agora até a margem temporal encurtou – apenas 8. E vem aí o Inverno…

P.S.: Ivan Cavaleiro promete e tem evidente potencial. Apenas precisa de continuar a trabalhar como até aqui, ter sorte, ser humilde e não ter pressa em atingir a meta. E deve fazer orelhas moucas aos elogios de ocasião, que serão os primeiros a tentar empurrá-lo para baixo se porventura algo não correr de harmonia com o que se espera.






Bookmark and Share