Ponto Vermelho
Uma década
2 de Novembro de 2013
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1. Luís Filipe Vieira acaba de atingir uma década como 34.º presidente do Benfica. Uma situação invulgar num clube com 109 anos de história e onde o recorde de longevidade presidencial era pertença do 12º Presidente Bento Mântua antes do longo consulado do Estado Novo, seja há 87 anos. Incomum no Benfica porque como a realidade e a história provam, há clubes em que isso são situações absolutamente vulgares.

2. Essa efeméride tem sido assinalada dentro e fora do clube por inúmeros interessados, o que revela sem sombra de dúvida que a importância do clube no contexto nacional e na projecção além-fronteiras desperta as atenções de forma perene. Sempre foi assim ao longo de toda a sua existência de muitos altos e alguns baixos, e sempre assim será num futuro que todos esperamos grandioso. Como alguém uma vez disse, o Benfica é uma paixão que não se explica, acontece. Embora por vezes dê origem a sentimentos e reacções antagónicas.

3. Várias opiniões foram emitidas e diversos balanços foram feitos. Como seria de esperar, com as mais contraditórias conclusões dado que os artigos e as opiniões nem sempre são rigorosas e factuais, mas bastas vezes orientados para que as conclusões reunam determinados pressupostos e apontem para fins pré-determinados. Nada de estranho a assinalar dado que quem tem por objectivo único denegrir, como é óbvio sublinha e enfatiza essa vertente.

4. Compreendemos que sendo o futebol o epicentro de toda a actividade do Benfica, seja sobre ele que se concentre a grande maioria das atenções. E se tivéssemos que fazer um balanço singelo apenas ao futebol, teríamos que dizer que ele é, sem dúvida, negativo. Um clube com a tradição e o historial do Benfica vencer 2 campeonatos na década é muito pouco. Seja qual for o ângulo de quem observa; os mais velhos porque estavam habituados a ganhar e os mais novos porque praticamente não sabem o que é vencer. E vencer no Benfica significa êxitos contínuos e duradouros e não apenas esporádicos.

5. Mas, por muito que custe a alguns, o Benfica não é só futebol. A sua actividade é multifacetada, o seu ecletismo realçado, a cultura e a cada vez mais importante componente social ocupam todas um lugar bem destacado no seu quadro de actividades. Isso significa que o Benfica não está confinado aos arcos, às bancadas e ao relvado do Estádio. O Benfica é hoje um mundo que continua a considerar o futebol a sua principal vertente por todas as óbvias razões, mas que prossegue no seu objectivo de atingir outros patamares de desenvolvimento fora dele. É também aí que tem que ser avaliada a sua prestação. E a simbiose só não é perfeita pela fraca prestação do futebol.

6. É incontestável que isso tem o seu peso. Muitos dos adeptos já nem se lembram do estado em que o Benfica estava no final do século. E para os mais jovens adeptos de hoje isso não terá a menor importância, porque o que eles pretendem e anseiam é ver o Benfica a vencer com regularidade e isso tem sido raridade. Isto tem como consequência que a imensa obra que foi (re)erguida nas vertentes mais diversas e constitui motivo de orgulho para os benfiquistas, é observada de forma distinta e por isso menorizada.

7. Luís.F. Vieira sabe isso melhor do que ninguém porque sabe avaliar e sente esse descontentamento num tempo em que o conceito de democracia é cada vez mais bizarro. Para além disso sabe que o Mundo está cheio de ingratidões. E se todos reconhecem a obra que deriva da sua perseverança, do seu forte empenhamento e do seu mérito, começa a haver cada vez mais vozes que legitimamente reclamam as vitórias no futebol que fazem parte integrante de todo o percurso do Benfica.

8. Vivemos tempos de instabilidade mas é preciso sempre acreditar. O derrotismo não está na nossa matriz mas torna-se necessário concretizar melhor os actos. Há um défice na equipa de futebol que urge rapidamente colmatar, pois é incompreensível que a versão abúlica e económica se mantenha há demasiado. O que se reclama é que a equipa recupere o seu ADN, o discurso deixe de ser conformista e falho de ambição passando a ser ambicioso sem que isso signifique arrogância ou menorização dos adversários.

9. O passado exige-o e o presente, mau grado todas as dificuldades também, porque é inegável que existem condições reais e objectivas. Estamos ainda muito a tempo de concretizar todos os sonhos mas para isso há que recuperar o atraso no tempo. Numa altura em que é assinalado o 10.º aniversário como Presidente do Benfica, LF Vieira quererá certamente ver o Benfica em patamares consonantes com o seu historial. Depois das expectativas e do esforço financeiro realizado, não há compatibilidade da situação. Os sonhos têm que ser agradáveis e não podemos continuar a viver sob o espectro dos pesadelos…


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