Ponto Vermelho
Nova encruzilhada
3 de Novembro de 2013
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Início de um ciclo demolidor do Benfica com a deslocação a Coimbra cuja Académica vinha de uma moralizadora vitória no sempre difícil reduto bracarense. Aparte esse pormaior, sobressaíam quatro factores que poderiam ter um peso importante no desenrolar do encontro e no resultado final: a óbvia valia dos estudantes em fase de recuperação; o rendimento dos encarnados ainda à procura da sua melhor forma; as arbitragens que tinham prejudicado seriamente o Benfica nas duas deslocações anteriores e, finalmente, o fantasma do jogo de Atenas.

A despeito de ter atingido o resultado mais robusto desde o início da prova e de não ter sofrido golos, não se pode afirmar com propriedade que a exibição encarnada terá convencido aqueles que olham e avaliam a equipa sob os olhos do pessimismo. Confirmou-se a ligeira melhoria que já se tinha observado com o Nacional mas, tirando isso, não se notou evolução notória que esperamos venha a acontecer rapidamente e não sofra a qualquer momento nenhum processo recidivo. Devem ser as mentes de muitos benfiquistas a funcionar pois de tanto sofrerem tornaram-se cépticas e desconfiadas.

Mas ficou claro que a exibição, apesar de tranquila, não descansou os adeptos. É claro que ninguém esperaria que a equipa neste período algo conturbado que vem atravessando e na véspera de um jogo decisivo para a Champions, de repente produzisse uma exibição de encher o olho. Mas lá no fundo existe sempre a esperança que desta vez irá ser diferente para melhor e como não acontece funciona a alavanca do pessimismo. Sejamos concretos: será que neste momento apesar dos antecedentes, da conjuntura mas face aos desafios futuros, a postura do distanciamento de alguns adeptos não deveria ser revista?

Compreendemos, sem grande esforço, a desilusão e o pessimismo que grassa no espírito de muitos adeptos em que alguns têm vindo a enveredar pelo silêncio e por atitudes resignadas sentindo alguma impotência face a tudo o que está a desfilar perante os seus olhos. Porque perante o repetido daily show que é oferecido, têm alguma dificuldade em lidar com esse mediatismo que dá origem a ataques na imprensa e de adeptos adversários que têm sempre a certeza de disporem de material pirotécnico para atacar o Benfica.

Há que observar que isso é a consequência natural da forma com que temos que lidar com a vida quotidiana. Existe um provérbio árabe que refere: ”Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado”, que parece ilustrar de algum modo a presente situação do Benfica. É inteiramente verdade que as coisas poderiam estar muito melhor mas isso, não é caso para nos sentirmos resignados porque isso não resolve as questões pendentes. Também não é a atitude mais adequada desligar-mo-nos à espera que tudo se resolva por si. É preciso acreditar e só uma atitude conjunta poderá contribuir para a entrada em velocidade de cruzeiro, uma situação que não duvidamos está perfeitamente ao alcance.

O Benfica está e estará sempre na crista da onda. Esse é um facto inquestionável com que todos os adeptos e simpatizantes têm que saber lidar sobretudo nas horas más em que a especulação e a maledicência aumentam de forma exponencial. Será assim todas as 24h e todos os 365 dias por ano, pois a fórmula do enquanto atacamos, os adversários são obrigados a defender-se, é aplicada exaustivamente pois colhe sempre os seus frutos. Resta a cada um de nós saber agir consoante as circunstâncias, sem que isso queira significar de nenhuma forma o abastardamento de consciências.

Este é um dos momentos em que devemos mostrar de que massa somos feitos, apesar do optimismo dos benfiquistas estar a passar por algumas provações. Mas é este o momento em que teremos tudo a ganhar se nos mantivermos fiéis a nós próprios e contribuirmos para o completo ressurgimento da equipa, mas também muito a perder se optarmos por acções individuais ou de grupo que a nada conduzem a não ser à desunião e à vulnerabilidade. Sem que isso possa ser interpretado como eufeudamento ou seguidismo ou queira significar a hipoteca da nossa capacidade crítica, um dos trunfos que sempre preservámos.

Ultrapassado o primeiro obstáculo segue-se o segundo. É neste agora que devemos estar concentrados acreditando que o deficiente resultado obtido na Luz pode e deve ser rectificado em Atenas. A equipa tem valor suficiente para alcançar um resultado positivo e esse é a vitória, sendo que compete à equipa técnica e aos jogadores fazer a sua parte, sem esquecer os adeptos que a exemplo de outras ocasiões darão certamente um sinal de apoio inequívoco à equipa no inferno do estádio Karaiskakis. Se todos derem o melhor de si próprios, estamos convictos que obteremos o êxito porque esperamos. Sábado ainda vem longe…




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