Ponto Vermelho
Teria que acontecer...
4 de Novembro de 2013
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1. Numa altura em que Mário Figueiredo se encontra sob fogo cerrado das eminências pardas do Sistema que têm tido uma influência decisiva na governação do Futebol português nas últimas décadas e está obrigado a fazer prova de vida, as peças do imenso xadrez que são os bastidores estão numa actividade frenética dado que nunca como agora, foi tão ostensivamente posto em causa o edifício tão laboriosamente construído.

2. Era inevitável que tal acontecesse, pois o prosseguimento ininterrupto das velhas manigâncias fazia prever tal desenlace. Aquilo que os benfiquistas vinham denunciando há anos foi-se alargando a todo o universo encarnado e foi-se entranhando na opinião pública ao ponto de ser hoje claro que algo tem que mudar, muito embora neste futebol da pátria lusa a única certeza que temos é que na grande percentagem das situações apenas e só mudam as moscas…

3. Figueiredo, como se sabe, aproveitou a embalagem para a presidência da Liga sabendo que era fulcral falar aquilo que os médios e pequenos clubes pretendiam – mais e melhor distribuição do bolo dos direitos televisivos e alargamento para 18 clubes. O verdadeiro cerne da questão – receitas televisivas –, nunca seria conseguido sem afrontar o Sistema personificado na figura do patrão da Olivedesportos. Era de facto uma tarefa gigantesca, porquanto para que acontecesse uma melhor redistribuição, a via defendida seria conseguir a centralização na Liga dado que os direitos desde sempre estiveram centralizados naquela empresa que impunha a sua vontade aos clubes por dela estarem altamente dependentes.

4. Esses mesmos clubes, incapazes de impor a sua vontade negocial na renovação dos contratos, estavam esperançados que das promessas de Figueiredo resultasse algo de concreto e positivo para os seus depauperados cofres. Esqueceram-se, todavia, que o monopolista não iria ficar de braços cruzados e usaria as armas que estavam ao alcance do seu longuíssimo braço, pois como é evidente não estava nem poderia estar, minimamente disposto a abdicar de 15 anos de domínio incontestável e de um negócio tão frutuoso como rentável. Veja-se o império que foi sendo construído…

5. O primeiro e mais acutilante passo seria pressionar os próprios clubes que estavam inteiramente na sua mão. Sendo a bilhética irrelevante e não havendo outras fontes geradoras de receitas, as receitas televisivas constituem o seu abono de família sem o qual corriam sérios riscos de colapsarem. E o passado é sempre evocado quando vem à baila a enorme dívida de gratidão que os clubes têm com Joaquim Oliveira que ameaça ser eterna. Logo, perante este argumento imbatível e face às condições actuais em que o mercado do audovisual já sem falar no publicitário labora, não havia escapatória.

6. Porque, por sua vez, a eventual hipótese de centralização dos direitos televisivos na Liga tem estava a marinar por motivos facilmente compreensíveis, o Benfica rompeu o cerco e explora os seus próprios direitos e tarda a decisão da AC sobre a formulação da Liga. No entretanto mais confusão com a entrada em cena da Zon e da PT em coligação com a inevitável Olivedesportos que como se pode observar é uma organização todo o terreno cujos caminhos conhece melhor do que ninguém. Para além de dispor de apoios relevantes.

7. Não estranhou portanto esta tomada de posição via clubes para a destituição de Mário Figueiredo. Desconhece-se a fundamentação da proposta no detalhe mas conhecendo-se as reais intenções dos subscritores através de declarações avulsas à comunicação social, é relativamente acessível perceber todos os contornos – afastar rapidamente Figueiredo. No entanto, a avaliar pelas opiniões de especialistas em Direito Desportivo em particular José Manuel Meirim e Ricardo Costa, terá que ser provada a “justa causa” e isso poderá criar algumas complicações para a estratégia do Sistema, até porque o visado acaba o mandato em Junho de 2014 e entretanto também estará a coligir factos e argumentos para se defender.

8. Concordamos que esta poderá ser uma boa oportunidade para a clarificação e saber no terreno quem é quem. Sem qualquer surpresa, dos grandes o FC Porto que nunca morreu de amores por Figueiredo (é sempre assim quando não detém o controle total), aparece a liderar o pelotão dos executores, no qual não figuram o Benfica e o Sporting cuja estratégia se desconhece, sendo que Bruno de Carvalho prometeu que nos próximos dias iria pronunciar-se sobre o assunto. Como se esperava esta omissão dos dois vizinhos foi logo interpretada como teorias da conspiração. Os próximos tempos prometem alguma agitação. Pois seja desde que tudo se clarifique e caminhemos de vez para a verdade desportiva!




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