Ponto Vermelho
É hoje!
5 de Novembro de 2013
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Nem sempre o que vai passando pela cabeça dos treinadores corresponde exactamente àquilo que é veículado à opinião pública dado que como é conveniente e assaz indicado, o segredo pode vir a ser a alma do negócio num momento em que o secretismo que fazia parte da preparação das equipas deixou praticamente de existir. Hoje em dia tudo é esmiuçado até ao mais ínfimo pormenor por adversários e pelos media, pelo que a capacidade de surpreender tornou-se cada vez mais difícil.

Nesse capítulo Jorge Jesus é por vezes imprevisível, tendo já ganho particular destaque aquilo que se convencionou chamar de invenções. Umas vezes com influência para baralhar os adversários, outras nem tanto acabando por se virar contra si próprio. É a estória sempre repetida do treinador ser um génio quando ganha e ser uma besta quando o resultado é adverso. Na prática e em condições normais, são insubstituíveis determinados factores que acabam por ter quase sempre um peso decisivo, como a sorte, a maior ou menor inspiração dos jogadores, os erros de arbitragem, etc. É isso afinal que torna o futebol num desporto de paixões.

No futebol tudo sucede a uma velocidade estonteante. Ainda no rescaldo esfuziante de um êxito ou na recuperação anímica de uma derrota, os clubes e os jogadores são chamados a novos confrontos, pelo que se impõe serem mentalmente fortes para fazer face às contrapartidas, seja o baixar da guarda no primeiro caso ou desempenho abúlico e conformado no segundo. Daí que frequentemente se assista a exibições díspares de jogo para jogo, atendendo a que por vezes é difícil incutir no espírito dos jogadores o mesmo nível de concentração que deveria acontecer em todos os encontros fosse qual fosse a prova ou a importância da mesma.

Jorge Jesus em declarações antes do encontro considerou o jogo de Atenas como importante mas não necessariamente decisivo. Enxergam-se os seus objectivos de retirar pressão à equipa. Mas, por mais que se queira retirar importância ao encontro de hoje no Estádio G. Karaiskakis, a realidade é que ele poderá mesmo ser decisivo, sobretudo se a vitória pender para o lado de uma das equipas e em particular para o Olympiacos. É certo que é tradição dos portugueses agarrarem-se à máquina de calcular como fonte derradeira de esperança, mas mesmo assim, a acontecer o pior, o cenário futuro será negro e sombrio e quase sem hipóteses de recuperação.

As surpresas acontecem quando menos se espera e virá sempre à baila a situação ocorrida na pretérita temporada em que depois de haver falhanços, as contas do apuramento acabaram por sair furadas dada a inesperada vitória do Celtic perante o Barcelona que acabou por liquidar as esperanças do Benfica no apuramento. Esse exemplo pode voltar a acontecer esta época a qualquer momento e em qualquer campo, pelo que os encarnados para lutarem para se apurar terão que saber e poder esgrimir argumentos convincentes hoje no Pireu tentando vencer o encontro.

Ambas as equipas têm os seus trunfos, restando saber quem os conseguirá jogar com mais propriedade. Mantemos que em termos teóricos o Benfica apresenta um melhor naipe de jogadores aliado a uma maior experiência internacional. O que resta saber é se isso será suficiente para ultrapassar as dificuldades que se irão colocar perante o entusiasmo e a fúria dos gregos que ajudados por um estádio repleto de adeptos que os apoiam de forma muito vigorosa, tudo farão para atingirem os seus objectivos de vencer e dar um salto importante rumo ao apuramento.

A equipa técnica e os jogadores encarnados estão sem dúvida cientes disso e sabem como reagir perante esse tipo de adversidades. Por se tratar de uma prova diferente não serve de comparação o ocorrido no jogo de Coimbra e nos anteriores nas provas internas. Mas apesar da vitória concludente, houve situações ao longo do desafio que aconteceram na cidade dos estudantes que a repetirem-se em Atenas, poderão aumentar exponencialmente as hipóteses do Benfica vir a sofrer sérios dissabores. Urge portanto evitá-los, sobretudo nas transições defesa-ataque em que por vezes a insistência no transporte de bola leva a perdas em zona proíbida que fazem perigar seriamente a própria baliza.

A equipa do Benfica apesar de apresentar melhorias graduais na explanação do seu jogo ainda dá a sensação de não ter saído de todo do período de convalescença. É nossa convicção que lhe falta um resultado e uma exibição que espantem de vez os males que a apoquentam e a possam catapultar para o patamar de excelência que está ao seu alcance e demonstrou até à exaustão na época passada. Hoje, terá uma hipótese soberana de o conseguir, pelo que deverá fazer um chamamento a si próprio no sentido de se convencer que com uma atitude firme e convincente e um apelo à alma e à mística benfiquistas, terá todas as possibilidades de sair de Atenas bem encaminhada para os oitavos de final. Que se cumpra esse desiderato!




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