Ponto Vermelho
Rever conceitos
7 de Novembro de 2013
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Decorrida mais uma jornada da fase de Grupos da Liga dos Campeões com as consequências negativas que se conhecem é agora impossível recuperar o passado. Importa pois debruçarmo-nos sobre o futuro imediato e as possibilidades que estão ao alcance dos encarnados. Deixarmos de falar constantemente do passado próximo e do que podia ter sido e não foi, mas no presente e no futuro e sermos pragmáticos e concentrados nas tarefas do imediato. Sem que isso signifique que devamos esquecer as oportunas lições do passado. Mas todo o foco deverá estar centrado no hoje e no amanhã.

Existem alguns críticos com uma certa dose de realismo mas ao mesmo tempo de fatalismo que entendem que a prova adequada ao actual Benfica e já agora ao actual Porto é a 2.ª Divisão europeia – a Liga Europa – onde as suas possibilidades são mais reais. A favor desta argumentação está o facto de nos últimos anos as prestações na Liga dos Campeões terem sido insuficientes e, ao invés, os resultados na Liga Europa terem sido de sucesso, com uma final inédita entre duas equipas portuguesas depois do Benfica ter ficado pelo caminho nas meias-finais, e na temporada pretérita o mesmo Benfica ter atingido a final e tido um bom desempenho.

Como é sabido, ao contrário da prova de regularidade que é o campeonato, as provas europeias não permitem deslizes nem muito menos os habituais erros de pormenor muito característico das nossas equipas. Desconhecemos a programação dos picos de forma ensaiados pelos treinadores, mas a sensação com que ficamos é a de que os princípios de época são normalmente algo atípicos com as equipas a apresentarem défices de forma que vai sendo conseguida gradualmente, numa preparação que se ajusta a uma prova longa como o campeonato e em que um resultado menos conseguido pode ser rectificado nas jornadas restantes.

Não é assim nas provas europeias em que a primeira fase começa a surgir no horizonte ainda as nossas principais equipas estão à procura da melhor forma e isso acaba por ter um peso por vezes determinante. Veja-se por exemplo a razia que tem acontecido este ano nas duas provas em que seja qual for o prisma de análise não reflecte apesar de tudo e a nosso ver, o nível das equipas de topo do Futebol português. A falta de competividade interna não justifica as insuficientes prestações, porque havendo de facto disparidades gritantes entre essas equipas e as outras, isso não é exclusivo português e acontece também em campeonatos mais competitivos.

É óbvio e estamos cientes que pelo rumo que as coisas estão a tomar as assimetrias tenderão a ser cada vez maiores. Como não ignoramos que as nossas principais equipas estão distantes dos grandes colossos europeus e daí as dificuldades que temos em fazer-lhe frente. Mas isso não justifica as fracas exibições e os erros de detalhe nas provas, como voltou a acontecer com Benfica e Porto que a despeito de serem cabeças de série e terem encontrado adversários que permitiam o apuramento mais ou menos tranquilo, estão com sérias possibilidades de ficarem confinados à Liga Europa. E esperamos que a lei de Murphy continue afastada…

Dos jogos até agora disputados na Champions resultou claro que hoje poderíamos estar a imaginar qual seriam os adversários dos oitavos-de-final porque avaliando as outras equipas tínhamos bastas possibilidades de ser apurados. Mais uma vez estamos em sérios riscos de não o sermos, o que acaba por criar inevitavelmente problemas quer nos orçamentos que foram dimensionados para ultrapassar a Fase de Grupos, quer nos índices anímicos dos jogadores que obviamente sentem outra motivação quando o palco é a Liga dos Campeões. Ninguém fica portanto a ganhar.

Na presente edição, no caso do Benfica, no cômputo geral dos quatro jogos até agora disputados, apenas neste último no Pireu a equipa esteve próxima do seu verdadeiro valor reeditando exibições que aconteceram com regularidade a época passada. Em determinados casos dá a sensação que as nossas equipas sentem-se mais motivadas e realizam as suas melhores exibições quando a matemática começa a tornar-se um problema sério, falhando em situações aparentemente mais fáceis. O que é deveras estranho e passível de reflexão.

Para além dos factores que é impossível controlar julgamos que algo há a fazer neste e noutros aspectos. Não é de todo compreensível que as principais equipas com a experiência internacional adquirida e com o lote de jogadores que possuem, comecem a adquirir o hábito de marcar passo quando podem e devem ir mais além. Realisticamente não se podem exigir milagres frente a equipas de outro gabarito, mas é algo incompreensível que no momento da verdade acabem quase sempre por soçobrar perante outras da sua igualha quando não mesmo inferiores. Como os dois jogos com o Olympiacos provaram, não restam quaisquer dúvidas que o verdadeiro Benfica foi o que esteve em Atenas e não o que esteve na 1.ª parte da Luz e no Parque dos Príncipes.




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