Ponto Vermelho
A estratégia do silêncio
8 de Novembro de 2013
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1. A cada dia que passa mais nos convencemos de que a democracia restabelecida com o 25 de Abril começa a estar cada vez mais distante daquilo que os seus mentores idealizaram. Embora de forma aparente tudo se mantenha para os menos atentos aos sinais, as comparações com o passado começam, nalguns casos, a ser evidentes. Em todos os sectores, emerge uma nova vaga de candidatos a aprendizes de ditadores que surgem à luz do dia de forma capciosa tentando marcar o seu território. Como lhes falta a imaginação e coragem não sabem o que é, evocam frequentemente os poderes externos que nos tutelam para implementar directrizes com sentido único no protectorado. Pétain não faria melhor…

2. O despudor chegou a tal ponto que de forma quase diária são instruídos a aplicar receitas que colidem com a nossa Lei Fundamental como se a mesma tivesse sido suspensa e fôssemos convidados a entrar por caminhos que configuram ditaduras de trazer por casa para destruir tudo o que de importante foi feito. E ridículo dos ridículos, não são as leis e as medidas que têm de respeitar a Constituição mas o contrário! Porque senão vem aí o fugitivo de Bruxelas e piores males acontecerão. Resta acrescentar que, dando uma imagem futebolística, o nosso guardião vai facilitando e deixar entrar golos ao ponto de neste momento já estarmos a ser goleados…

3. Face à bagunça que grassa, as leis não estão a ser ser aplicadas uniformemente no território nacional. Há zonas e locais e sobretudo situações em que vigora a lei da rolha ou se quisermos a lei do quero, posso e mando. Uma delas A Oeste de Pecos para usarmos uma analogia feliz do jornalista Afonso de Melo, parecem demonstrar que as leis há muito foram adaptadas à especificidade da zona e dos beneficiários e, mais grave do que isso, a profusão de episódios dá a entender que se está a extender gradualmente à totalidade do território. Mas, bem entendido, esses previlégios só estão reservados a uma determinada casta que actua impunemente onde quer que se desloque.

4. O que em tempos foram indícios hoje são certezas. As coincidências há muito deixaram de o ser para se tornarem em realidades incontornáveis. Apesar de por norma serem acompanhadas por um manto de silêncio como convém aos prevaricadores, vai-se sabendo ainda que de forma tímida e incompleta dado que é inconcebível que os profissionais da imprensa que deveriam unir-se na denúncia de todos esses atropelos à liberdade e à livre circulação, sofram agressões verbais e físicas mantendo-se silenciosos como se estivessem paralisados e conformados com as regras do jogo.

5. A liberdade é um dos bens mais preciosos que o ser humano pode ter e como tudo só lhe damos valor quando dela não usufruimos. Pode ser, todavia, um instrumento poderoso para os ditadores em potência e para todos aqueles em que os escrúpulos é coisa vã, que se aproveitam dela para alcançar os seus pérfidos desígnios, em particular coartar a liberdade dos outros. Alguns magníficos exemplares estão a emergir da penumbra e a despeito da barreira restrictiva para iludir as suas diatribes, aqui e ali vão transpirando pequenos detalhes que ajudam a compreender melhor o que se vai passando

6. Um dos descendentes do tristemente célebre guarda Abel parece ser neste momento o homem de maior sucesso. Referimo-nos a Rui Cerqueira com as funções oficiais de Director de Comunicação do FêCêPê que a avaliar pelas constantes ofensivas parece estar a levar muito a sério as suas tarefas abrangentes. Aliás, um dos segredos da estrutura de sonho é o facto das pessoas serem polivalentes, desempenhando com esmero e dedicação várias tarefas em simultâneo. Nélson Puga que desempenha oficialmente as funções de médico, é outro desses profissionais multifacetados que contra o Zénit se distraiu, pensou que o árbitro era português e acabou expulso.

7. A estrutura de sonho está a tornar-se agressiva e por onde quer que passe deixa a marca do Dragão. Foi ultimamente em Setúbal, foi no Estoril, foi no Restelo, amanhã será noutro lugar qualquer. Isto fora as tradicionais e já habituais recepções de boas vindas no Dragão… E a prova definitiva que a democracia foi suspensa A Oeste de Pecos foi que na deslocação do Sporting ao Dragão o seu Presidente foi aconselhado a não se reunir com adeptos porque a sua segurança poderia perigar. Mas afinal para que serve uma Polícia que não consegue garantir a tranquilidade de uma simples reunião de um presidente de um clube com adeptos?






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