Ponto Vermelho
Repercussões do derby
11 de Novembro de 2013
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1. Apesar de ser expectável um derby intenso não só porque estavam em compita os velhos e eternos rivais mas porque estávamos perante um desafio que iria decidir quem seguiria em frente numa fase imberbe da Taça de Portugal, ninguém provavelmente imaginaria que o jogo iria ficar registado no album dourado da prova como um dos espectáculos mais imprevisíveis de sempre. Pelo menos nas últimas décadas, rivalizando, sem dúvida, com jogos que ficaram igualmente consagrados, para os dois lados. Mas enquanto esses acabaram por assinalar alguns resultados desnivelados, este manteve a incerteza até ao último apito do árbitro.

2. Como manda a tradição, apesar da vastidão de coisas boas e das incidências altamente positivas do desafio, os responsáveis do Sporting como equipa que acabou por ficar pelo caminho, decidiram lateralizar e acabaram por enfatizar as críticas contra a arbitragem. É obviamente um direito que lhes assiste sendo apenas de sublinhar a contradição de Leonardo Jardim que tão elogiado tinha sido por se manifestar em contrário, o que até deu origem a um remoque do treinador Paulo Fonseca que aos poucos vai assimilando a cultura que vigora no Dragão há três décadas.

3. Percebe-se a intenção em que desta vez as despesas não se cingiram a Bruno de Carvalho o que revela alguma evolução, ou então foram apenas motivadas por se tratar do Benfica que obviamente é visto com outros olhos. Depois de um jogo tão emocionante quanto épico em que os jogadores de ambos os lados lutaram até à última gota de suor, não tencionamos continuar com este tema que é sempre incontornável em todos os derbies como certamente irá ser o próximo a disputar na Luz. E porque quando existem opiniões extremistas que até referem o lançamento de André Almeida que redundou em golo como ilegal deslustrando tudo o que de bom a jovem equipa leonina fez, estamos conversados.

4. Como seria de esperar foi muito empolado o lance do 4.º golo benfiquista. Cremos que por duas ordens de razões: pela infelicidade de Rui Patrício e pelo ineditismo do lance mas, essencialmente, por dele ter resultado a vitória e o apuramento encarnado. Como em tudo há evidente exagero, pois se porventura não tivesse havido golo resta saber qual seria a decisão do árbitro Duarte Gomes uma vez que Luisão sofreu nítida falta para penalty antes de conseguir rematar em queda.

5. Ao longo da nossa vida de atenção ao fenómeno futebolístico vários têm sido os lances do género com o seu quê de caricato que temos presenciado. Exemplos muitos e variados que ganham particular evidência por estarem normalmente associados a guarda-redes de prestígio, sobretudo se esses lances contribuirem decisivamente para decidir uma final ou o apuramento para qualquer prova importante. Temos visto muitos, alguns mesmo hilariantes, mas até hoje o que mais nos marcou terá sido porventura o do benfiquista Alberto da Costa Pereira a deixar fugir uma bola aparentemente inofensiva por entre as pernas no Estádio de S. Ciro em Milão contra o Inter numa final da então Taça dos Campeões Europeus. Esse lance acabou por decidir a final.

6. Não é difícil de imaginar a angústia que Rui Patrício terá sentido naquele momento em que com o seu deslize acabou por decidir a eliminatória. Para gáudio dos benfiquistas e para enorme tristeza dos sportinguistas. Mas não é por isso que passa a ser melhor ou pior guarda-redes, muito embora esse estigma o vá acompanhar para sempre. No entanto, o tempo não pára e já na Sexta-Feira (partindo do princípio que Paulo Bento não deixará de lhe conceder a titularidade), Portugal tem o seu primeiro jogo do play off sendo imprescindível que Patrício esteja ao seu melhor nível, tentando quando estiver na baliza do topo norte da Luz abstrair-se do lance de Sábado à noite.

7. Por imperativos nacionais e por mais que os seus adversários queiram prolongar e glosar o tema, é bom que pensem duas vezes pois a rivalidade por mais sadia, desejável e tentadora que seja, deverá registar um período de tréguas. A bem da Selecção Portuguesa. Como remate final diremos que em tempos de crise o mais importante é reter tudo o que de positivo o derby nos trouxe e relegar para segundo plano os habituais acontecimentos negativos que destoaram do espectáculo. Mas é igualmente aconselhável que de uma vez por todas, os pirómanos que desta vez vestiram as duas camisolas e os vândalos leoninos que destruiram cadeiras e vandalizaram casas de banho, pensassem que estão a mais nestes espectáculos caso persistam nas suas diatribes. Os clubes agradeciam e os espectadores e o futebol português também.






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