Ponto Vermelho
Cambiantes...
12 de Novembro de 2013
Partilhar no Facebook

Ao longo dos cinco anos do consulado de Jorge Jesus como treinador do Benfica muito se tem discutido e especulado acerca do(s) sistema(s) utilizado(s). Se na primeira época a questão não se colocou dado o êxito alcançado e o excelente futebol praticado que entusiasmou tudo e todos, a partir da 2.ª temporada, com a queda a pique, o tema surgiu mais acutilante do que nunca. Nas épocas subsequentes continuou a fazer a actualidade dado que a auréola ganhadora da 1.ª época tinha-se desvanecido. E quando não se ganha e/ou se joga menos bem, essa tendência acentua-se como é evidente.

Em cada amante do futebol seja ele dirigente, treinador, opinador ou simples adepto de bancada, existe sempre em princípio um modelo que gosta de previlegiar. Mas, basicamente, o melhor modelo é sempre aquele que ganha, aparte ser 4X4X2, 4X3X3, 4X2X4 ou outro qualquer. Os esquemas tácticos adquirem sempre maior relevância quando os resultados não são satisfatórios ou ficam aquém dos objectivos traçados no princípio de cada temporada. O futebol, imprevisível, tem o condão de num ápice tudo mudar, seja para o lado positivo seja para a vertente negativa.

É normal na grande parte dos treinadores terem preferência por um determinado sistema. Também é vulgar a discussão sobre se os treinadores devem adaptar os jogadores ao sistema ou se o sistema deverá ser definido em função dos jogadores. Do nosso ponto de vista, as ideias dos treinadores deverão levar em linha de conta as características dos jogadores sob pena de ao tentarem impor um determinado esquema táctico o mesmo vir a falhar por inadaptibilidade dos jogadores. Para que houvesse menos riscos nesse particular, a situação quiçá mais coerente seria a de que depois de um sistema implantado, os jogadores a contratar deveriam possuir sempre as características adequadas.

Nenhum dogma deve existir nesse aspecto sob pena da emenda ser pior do que o soneto. Muitas vezes a prática não coincide com a teoria. Como se sabe uma boa parte das equipas de topo adoptou o 4X3X3 como esquema táctico preferencial que tem apresentado resultados, muito por força da classe e das características dos jogadores em que os mais criativos dispõem de liberdade para poderem explanar toda a imprevisibilidade do seu futebol que bastas vezes, quando a inspiração os acompanha, resulta em pleno. Sem prejuízo, obviamente, de também se sacrificarem pelo colectivo em momentos em que tal se justifica.

Todos conhecemos o provérbio de quem muito fala pouco acerta. Descontando algum exagero que lhe está associado porque felizmente há os que muito falam e conseguem ter um rácio positivo de acerto, não há dúvida de que não podemos menosprezar de nenhuma forma essa teoria popular, porquanto a loquacidade aumenta exponencialmente o risco de erros, de contradições e até de asneiras. Mas para alguns que gostam de se ouvir a si próprios a tentação é deveras irresistível e por isso acabam não só por ficar a perder como andam nas bocas do mundo nem sempre pelas melhores razões.

Jorge Jesus é nesse enquadramento um caso de reflexão e que deveria ser objecto de um estudo aprofundado, dado que por força das exigências que lhe incumbem enquanto treinador do Benfica é forçado com regularidade a expor-se à curiosidade de cada vez mais interessados que lhe colocam todo o tipo de questões algumas propositadamente armadilhadas para, em face das respostas ou considerandos, serem trabalhadas de forma a poderem ser exploradas num futuro próximo. E dada a imprevisibilidade do futebol com os cenários a alterarem-se radicalmente por vezes no espaço de dias, esse aproveitamento torna-se relativamente fácil.

É por isso que num clube com a dimensão do Benfica terá que existir alguma prudência e atenção com o que se afirma, para que num hipotético cenário futuro esta ou aquela afirmação ou este ou aquele comentário, não acabem por ter o efeito-ricochete. Jesus manifestou há algum tempo a sua convicção de que o sistema 4X3X3 era o mais fácil de anular. No momento, certamente por deficiência nossa, não conseguimos enxergar o porquê da afirmação uma vez que as principais equipas jogam quase todas nesse sistema. E mais baralhados ficámos quando quer interna quer externamente, os adversários dos encarnados ao abrigo desse esquema táctico deram cartas em boa parte das situações.

Sendo o jogo de Atenas decisivo, no encontro antecedente em Coimbra o Benfica testou (com êxito acrescente-se) um sistema semelhante. E dizemos semelhante dado que Jorge Jesus se recusou a admitir a evidência justificando-se com a manutenção do esquema táctico habitual com novas ideias. Com o Olympiacos foi de novo assumido e apesar do resultado negativo, o Benfica dominou o jogo e fez a melhor exibição da temporada. Em todo o tempo. Nenhum mal viria ao Mundo se isso fosse admitido, porque aceitar a evolução revela pragmatismo e é sinónimo de inteligência. Repetido contra o Sporting, o pivot dessa alteração – Rúben Amorim – devido a lesão deixa de poder dar o seu contributo o que levanta a interrogação sobre se continuaremos ou não com esse sistema com as tais novas ideias. Estamos curiosos…




Bookmark and Share