Ponto Vermelho
Profissionalismo dos árbitros
13 de Novembro de 2013
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1. Enquanto prossegue, sem surpresa, a lamúria dos sportinguistas do costume para justificarem mais uma derrota e a consequente eliminação da Taça de Portugal definida como um dos objectivos da época, a classe arbitral, de forma invariável, reagiu da forma corporativa que há muito faz escola. Os dados que é possível extrair apontam para que nada de significativo se altere, a despeito dos árbitros internacionais já terem começado a dar os primeiros passos da caminhada rumo ao tão ambicionado profissionalismo.

2. A esse respeito tivémos as primeiras impressões sobre o relevante acontecimento do herói de Coimbra e de Alvalade – Hugo Miguel – que já afiançou que doravante passaria a ser ”um árbitro melhor aprimorando os seus desígnios tantos físicos como mentais”. Estas declarações acreditamos poderão tornar-se extensivas a todos os seus colegas de profissionalismo neste primeiro balão de ensaio, o que conjugado com as opiniões dos responsáveis pelo evento indiciam que os adeptos do futebol e a dona verdade desportiva têm razão para, finalmente, se sentirem optimistas no futuro!

3. Quando por força da implementação da Lei de Bases do Sistema Desportivo que tanta polémica deu, se começou a perspectivar a centralização da arbitragem dos campeonatos profissionais na FPF, muitos estavam convencidos de que iria haver uma melhoria automática do nível das arbitragens. Mas uma grande parte estava também ciente de que apenas "as vacas iriam mudar de comedouro" e, infelizmente, o tempo não demorou a conceder-lhe razão porque os erros e os males detectados continuaram impávidos e serenos como se a solução para o problema fosse de todo inatingível.

4. Reafirmamos a nossa firme convicção de que nada de substancial se irá alterar embora não excluamos a hipótese de aqui e ali poder haver ligeiras melhorias. Baseamo-nos na realidade dos males serem muito mais profundos e de outra natureza, e no facto de enquanto se mantiver o status quo actual não ser expectável que a situação estagnante de que vem enfermando o sector da arbitragem sofra modificações estruturantes. Quem for bem intencionado e estiver convencido do contrário corre o risco de vir a sofrer mais uma desilusão.

5. Sejamos claros: a questão central não se prende com os erros ditos normais que todas as equipas de arbitragem cometem, mas sim com os erros incompreensíveis praticados pelos árbitros e que nos últimos tempos, certamente por coincidência, têm vindo a ser transferidos para os árbitros auxiliares que começaram a dividir o papel de vilões com o seu chefe de equipa. Essas situações acopladas ao facto de haver há anos um beneficiário com direitos de exclusividade e os prejudicados serem os mesmos de sempre, conduziram à conclusão real de que algo mais teria que estar por detrás dessas actuações, sejam quais forem as razões que lhes estejam subjacentes. O facto de pontualmente haver benefícios diferentes não muda nada do essencial da questão.

6. Chegados a este ponto a questão que se coloca é de como será possível dar a volta ao texto. Para alguns imberbes adeptos é uma questão de fácil resolução. Declarava-se guerra a tudo e a todos, cessavam as relações institucionais com quem quer que fosse, eram apresentadas propostas nos locais competentes para a demissão dos responsáveis institucionais, faziam-se contínuas denúncias públicas sempre que houvesse atropelos à verdade desportiva e, tudo isso conjugado, daria uma contribuição decisiva para a solução deste macro problema. Lirismo puro, em que se alia o voluntarismo com a ingenuidade e com a impossibilidade prática de materialização.

7. Não se devem confundir objectivos por mais legítimos e justos que sejam com a inexiquibilidade de os levar à prática, muito embora a inércia não seja de forma nenhuma a alternativa mais adequada. Há que procurar sem cessar caminhos alternativos condizentes com o objectivo, há que engrossar o leque de aliados que tenham as mesmas ideias e que tenham possibilidades de se libertar do jugo do Sistema solidamente implantado há décadas com ramificações em todos os sectores. O que torna a tarefa gigantesca mas nem por isso menos apelativa e motivadora. Há, sobretudo, que não desistir do objectivo fulcral de implantação da verdade desportiva doa a quem doer, não apenas para um mas para todos. Só assim vale a pena.

8. Não tem sido e não será tarefa fácil até porque quem desafia os poderes vigentes está sujeito à sua forte reacção e a uma infinidade de estratégias desenvolvidas em vários tabuleiros todas com o firme objectivo de descridibilizar e impedir qualquer tentativa mais ameaçadora à sua hegemonia. Como também se percebe, a tarefa de quem luta em desvantagem é mais complexa e difícil e, por via disso, a possibilidade de cometer erros estratégicos ou de execução aumenta. Enquanto o principal objectivo do Sistema de domínio e controle da Arbitragem não for combatido de forma eficaz, será muito difícil alterar o que quer que seja, por mais maquilhagens que façam. Não seria altura de Vítor Pereira dar execução à possibilidade de árbitros estrangeiros apitarem um ou outro jogo para aquilatar das diferenças?




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