Ponto Vermelho
Muro das Lamentações
15 de Novembro de 2013
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1. O futebol português para uma grande parte da opinião pública tem coisas absolutamente incompreensíveis. Depois das emoções de Sábado à noite, seria de todo aceitável e compreensível que o Domingo servisse para fazer o rescaldo, alguns fazerem a digestão da azia e carpirem mágoas depois de terem elevado tanto as expectativas. Na Segunda, com o regresso ao trabalho, seria também lógico que houvesse um prolongamento da troca de impressões entre adeptos rivais, com cada qual a puxar a brasa à sua sardinha como é natural nestas circunstâncias.

2. Mas depois aconteceu um desses fenómenos que nos deixou estarrecidos: Numa semana em que a Selecção Portuguesa dá o pontapé de saída no play-off com a Suécia no Estádio da Luz com um jogo que se revela transcendente para as aspirações portuguesas de estarem presentes no Brasil para próximo ano, seria legítimo que o foco das atenções se virasse imediatamente para o jogo da Selecção relegando o derby para plano secundário. Tal não sucedeu infelizmente, porque de harmonia com a maneira de ser muito tuga preferimos por norma falar do que já aconteceu em vez de nos concentrarmos na importância do futuro imediato. Mesmo que esteja em causa Portugal.

3. É impossível dissociar os media desta situação. Porque importa defender os interesses de causa própria, vende muito mais e alarga as audiências continuar a martelar nas incidências do derby do que desviar as atenções para o jogo da Selecção promovendo-o a acontecimento relevante que a sua importância sem margem para qualquer dúvida justificava. Mas porque havia que arranjar espaço para a chusma de opinadores, cronistas e quejandos e para promover a polémica que é sempre dinheiro em caixa, foi-lhes dado um único tema relegando a parte principal do filme para secundaríssimo plano. Como é óbvio come quem quer apesar de se notar haver muitos com fome. Deve ser da crise…

4. O cenário adequado e propício foi montado num palco gigantesco e para isso nada melhor do que o mote ser a fidelidade das imagens e os comentários do operador televisivo que transmitiu o encontro – nada mais nada menos do que a televisão do Sistema – que como se sabe é um verdadeiro exemplo de manipulação quando está em causa o Benfica. Ou porque as câmaras estão mal colocadas, ou porque as linhas do fora de jogo são mal tiradas, ou ainda porque a focagem de certos lances é propositadamente adulterada para deixar na dúvida os espectadores e permitir aos experts concluir da forma que lhes for mais útil e conveniente. Tudo com comentários a propósito!

5. Mas existiu ainda mais uma grosseira manipulação: foram enfatizados até à exaustão os lances que supostamente teriam prejudicado o Sporting e desvalorizados e até mesmo omitidos os que teriam prejudicado o Benfica. Só para ilustrar num caso específico o modus operandi da televisão do Sistema, temos que em dois lances idênticos para suposto penalty (André Almeida e Iván Piris), enquanto que no primeiro o lance pode ser observado com nitidez em todo o seu desenrolar, no segundo as imagens por curiosa coincidência deixam muito a desejar gerando a dúvida e permitindo o tipo de conclusão mais adequada aos fins pretendidos.

6. Depois a legião de sportinguistas que inunda a comunicação social tem feito o resto, dando expressão à lamúria que por natureza os acompanha e que os leva a ter que encontrar justificações sempre que perdem com o eterno rival. E ter que justificar sem repisar argumentos 8 desaires nos últimos 11 é obra que os consome. O que vale é que está sempre um qualquer árbitro sempre à mão para servir de bode expiatório como se fossem eles os únicos a sofrer os malefícios e o Benfica fosse o eterno beneficiado. Os factos falam por si e se é legítimo e compreensível manifestar o direito à indignação quando se sentem prejudicados, aquela tem que ser suportada por factos reais e concretos no seu conjunto e não apenas isolando aqueles que são favoráveis.

7. As análises de insuspeitos peritos em arbitragem já esclareceram todas as questões e desmontaram a algazarra e as manipulações subjacentes. Para concluir por ora este tema diremos que há algo que não conseguimos perceber. Então num jogo desta importância com um expectável quoficiente de elevada dificuldade é enviado um amador para classificar um árbitro que detém agora o estatuto de profissional? Fosse qual fosse a nota atribuída a questão estaria sempre errada como princípio. A Federação e a Liga terão que rever estes aspectos.

P.S. – Para a semana teremos logo na 3.ª Feira o segundo jogo do play off da Selecção. Será que os ecos serão logo extintos e vamos regressar ao Muro das Lamentações?






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