Ponto Vermelho
A sina do Tacuara
17 de Novembro de 2013
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1. No intervalo do play-off da Selecção Portuguesa que estamos convictos irá conduzi-la ao Mundial do Brasil existem, evidentemente, outros aspectos que justificam a atenção dos media. Isso é facilmente compreensível porque não estando a haver aspectos polémicos no seleccionado português, os órgãos de informação têm que procurar outros aspectos mais atractivos que ajudem a ocupar o espaço reservado para o efeito que tem que ser preenchido todos os dias. Sem quebras.

2. Estando-se a diluir os ecos contestários do derby de Sábado à noite apesar dos intensos esforços da máquina e dos plumitivos leoninos, que tal escolher um tema sobre o eterno animador das notícias – o Benfica? Mas também aqui um pequeno senão; não tem havido nada de transcendente que justifique ser polemizado pelo que há que pegar em assuntos já intensamente debatidos mas sobre os quais ainda se consegue arranjar uma réstea, mesmo que sejam temas déjà vu mas que conservam sempre algum sumo dada a natureza e a personalidade dos intervenientes.

3. No mundo tão complexo do futebol existem jogadores que estão condenados a estar sempre no epicentro de qualquer polémica. Seja pelo que fazem, seja pelo que não fazem e era suposto que fizessem, seja porque estão de semblante carregado, seja, em suma, porque não enchem as medidas de todos os adeptos ou dos jornalistas. Sempre a recorrente vontade do mundo exterior em tentar impôr regras de condicionamento para daí poderem recolher os benefícios inerentes. Situações de todos os dias e de todas as eras.

4. Óscar Cardozo tem sido tema recorrente de agenda ao longo das 7 épocas que já leva de águia ao peito. Nem sempre, é facto, pelas melhores razões. Mas convém pormenorizar que algumas delas, sem dúvida a maior parte, têm derivado de uma conduta populista do seu agente que gosta de aparecer e de se fazer ouvir, nem sempre medindo as consequências das suas palavras e dos seus actos aquilo que será o mais aconselhável para o seu representado. Mas o desejo de conseguir mais uma negóciozinho que lhe proporcione mais umas chorudas comissões tem sido mais forte do que ele. E isso acaba por pesar sobre a cabeça de Cardozo.

5. Está na memória de todos os contornos da polémica de final da época. É um assunto que se terá prolongado demasiado no tempo com uma resolução algo controversa para aqueles que como nós afirmámos na altura que deveria ter seguido outro caminho, mantendo-se ou não Jorge Jesus ao leme da embarcação encarnada. Se é certo que atitudes infelizes e reprováveis poderão acontecer a qualquer um, ao não haver uma penitência e uma decisão imediatas ajudou a encher o balão e a complicar a tarefa de todos os intervenientes. Com os custos do desgaste associados.

6. Mas a partir do momento em que o assunto conheceu o seu epílogo a nível da estrutura, seria crível que os discursos de bater no céguinho fossem cessando paulatinamente. Houve de facto um hiato mas subjacente a isso não faltaram (e foram muitos) aqueles que perspectivaram males sem fim a começar pela convivência difícil, pelas dúvidas e incertezas que começariam a fervilhar num balneário que caminharia a passos largos para a destruição da harmonia que teria ficado definitivamente comprometida.

7. O início da época periclitante, as exibições pouco conseguidas e os resultados nada condizentes, ajudaram à confirmação e à propagação daqueles actos de futurologia que continuaram a atribuir esses efeitos às causas registadas no final da pretérita temporada sempre com Cardozo como pano de fundo, sobretudo a partir do momento em que a sua eventual transferência se gorou em definitivo. A questão era agora de como integrar o jogador paraguaio que desde o início não conseguiu recolher o consenso nas bancadas da Luz pelos motivos já sobejamente apontados.

8. Quando Óscar Cardozo foi convocado para o jogo de Alvalade apesar de estar longe do seu melhor, a questão fulcral seria quanto tempo estaria em campo, sobre qual o seu estado físico e psicológico e qual o relacionamento com Jesus. E nos jogos subsequentes, o destaque não foi o seu rendimento mas sim se cumprimentaria Jorge Jesus e, em caso afirmativo, se este corresponderia ao gesto que teve direito a imagens televisivas em directo. Como tal aconteceu uma e outra vez, o assunto perdeu impacto e passou-se à fase seguinte.

9. Os golos – uma das coisas que tão bem sabe fazer –, começaram a acontecer e de repente uma metamorfose: – de proscrito passou a salvador – não do Benfica mas de Jorge Jesus, numa completa inversão de valores só justificável pela forma como se persegue o objectivo de desinformar e tentar baralhar o espírito daqueles que ainda acreditam em tudo o que ouvem e em tudo o que lêem. Porque apesar de há muito o terem percebido, os plumitivos insistem em teses comparativas com outros para justificarem a pouca substância das suas análises…


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