Ponto Vermelho
Simbiose perfeita
18 de Novembro de 2013
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Sendo um desejo de todas as épocas extensivo a todos os adeptos encarnados, a questão tem vindo a ser aflorada e mesmo discutida nalguns fóruns nos últimos tempos de forma mais intensa, sobretudo quando um determinado jogador adquirido no estrangeiro não consegue expandir em campo pelas mais variadas razões todo o potencial com que vinha rotulado, ainda que a sua transferência tenha tido como não podia deixar de ser, várias observações do scouting do clube dado que a fase dos DVD’s com as melhores jogadas já passou à história e agora só serve para aguçar o apetite.

Enquanto não foi ainda atingido o ponto zero da formação e face a uma conjuntura que se tem vindo a agravar, o Benfica definiu uma política que tem passado pela aquisição de jovens talentos em mercados ainda ao alcance dos bolsos encarnados para deles extrair rendimento desportivo e depois vender com assinaláveis margens de lucro para equilíbrio da sua tesouraria. As tarefas formativas que a seu tempo encetou, como se sabe, levam algum tempo até dar os primeiros frutos. E quando se parte quase do princípio e ainda se tem de esperar pelas infraestruturas, a situação acaba por ser mais demorada do que seria desejável, até porque apesar dos jovens portugueses demonstrarem propensão para a prática futebolística, o aparecimento de talentos não surge todos os dias.

Agora que finalmente a área da Formação tem reunidas boas condições para prosseguir uma tarefa coerente e duradoura e felizmente já começaram a surgir os primeiros sinais positivos, julgamos que a simbiose perfeita seria num futuro próximo jovens jogadores portugueses que demonstrassem talento e condições em todas as vertentes aferidas na fase final da sua transição formativa, pudessem ir sendo gradualmente integrados no plantel principal por forma a reduzir a necessidade de importações maciças de jovens estrangeiros como se tem vindo, por necessidade, a verificar. Porque como temos visto, apesar do talento que lhes é reconhecido, haverá sempre alguns deles que não se conseguirão adaptar de todo à especificidade do futebol português e isso não é vantajoso para ninguém.

Só em teoria existem situações ideais, pelo que alimentar basicamente a equipa principal com jovens oriundos da formação é utópico sobretudo na actual conjuntura futebolística que cada vez mais cava assimetrias entre os maiores clubes europeus e as nossas principais equipas. Motivadas por razões periféricas e, sobretudo, por estarem inseridas num país exaurido financeiramente e sem qualquer margem de manobra. Observem-se as tentativas do Sporting e veja-se o que foi conseguido. E aos clubes de maior dimensão são exigidas vitórias e títulos, sem os quais não conseguem manter um rumo e desenvolver um trajecto tranquilo pois quando isso não acontece tudo é colocado em causa.

Existem, de facto, alguns dados animadores. Mas em paralelo também preocupações pois a opção tomada de não vender jogadores no último defeso está em vésperas de poder vir a sofrer um rude golpe com o não apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões. O que face ao extenso plantel poderá obrigar a uma redefinição de estratégia na medida em que os compromissos assumidos a isso poderão obrigar. É certo que, aparte o mês de férias, não há nenhum outro em que não seja noticiado que o jogador A, B ou C está a ser observado, o que na prática significa que esse tipo de notícias nunca cessa e tende a aumentar com a abertura de todas as janelas e portas do mercado.

Para já vamos aguardar serenamente por futuros desenvolvimentos e se irá haver alterações na composição do plantel no fim de Janeiro, porque já nos habituámos a que possam acontecer as situações mais inesperadas. Mas, caso venha a acontecer, afigura-se-nos claro que em termos futuros a aposta na formação terá que ser firme e passar a constituir um factor de equilíbrio em todas as épocas. Estará obviamente sempre dependente dos talentos que possam emergir, mas é inevitável que mais cedo ou mais tarde a integração de mais jovens portugueses na equipa principal possa surgir de forma natural.

O segredo será estabelecer uma ponte sólida e sem portagens na exacta proporção, por forma a criar um fluxo regular de abastecimento da equipa principal e reduzir assim a dependência de mercados que até agora se têm revelado ao alcance mas que, a exemplo de outros já esgotados, de um momento para o outro poderão tornar-se inacessíveis para as possibilidades do Benfica que poderá vir a sofrer os efeitos dessa alteração. Daí que cada vez mais seja necessário enfatizar a aposta na formação para que não hajam quebras de ciclos. Será isso que estará eventualmente na mente dos responsáveis encarnados mas, até lá chegar, ainda existe alguma distância a ser percorrida.






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