Ponto Vermelho
Subordinações...
19 de Novembro de 2013
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1. Hoje será o dia D que define o futuro da Selecção Portuguesa de Futebol para o Mundial do Brasil. Ou marca a viagem até terras de Vera Cruz ou fica neste cantinho de desilusões acabrunhada por ter deixado fugir um pássaro que sempre esteve ao seu alcance. Na antecâmara da decisão não há nem pode haver razões para assumir pessimismos mesmo sabendo que o futebol é complicado e bastas vezes ilógico. Mas se nada está antecipadamente ganho, também nada está perdido!

2. De forma pragmática a melhor estratégia a seguir seria sempre a abrangência e a motivação colectiva para que neste momento do sim ou sopas, os jogadores e o Seleccionador não sentissem qualquer desconforto. Sem que devamos esquecer o passado recente, a verdade é que em termos reais o que conta é o presente para que possa haver futuro em 2014. Todos estão à nossa espera no Brasil porque de facto não faz sentido que um Mundial de envolventes fraternas não possa contar com a presença de um País que sendo pequeno já deu lições ao Mundo. Outros tempos...

3. Nunca é demais enfatizar a enorme importância de que se reveste a nossa presença no Brasil. Por razões históricas e afectivas, por questões de maior afirmação da língua portuguesa (apesar do tenebroso (des)Acordo Ortográfico), por razões de prestígio e de valorização dos jogadores e do País e, finalmente pelo impacto económico e financeiro sem dúvida um factor determinante para o equilíbrio e desenvolvimento das actividades da Federação e não só. Alguns estudos efectuados sobre a matéria demonstram bem a importância de estarmos presentes no Mundial.

4. Falta apenas dar um passo que pode ser pequeno ou grande em função da prestação da Selecção hoje em Solna. Tempo para também ressuscitar velhos traumas do passado que teimam em não nos abandonar sempre que o masoquismo sobreleva a racionalidade, em particular nos tempos difíceis e sempre que no horizonte estejam configuradas tarefas complexas e complicadas de ultrapassar. Infelizmente esse comportamento derrotista não é de hoje nem de ontem mas um problema que temos definitivamente que ultrapassar em todos os patamares da vida sob pena de ficarmos para sempre prisioneiros desse fatalismo.

5. Consideramos ser a pior altura para estar a questionar estratégias, criticar comportamentos ou assumir rupturas. Todos nós, se conseguirmos pensar para além das opções clubísticas, temos ideias plurais sobre o que devia ser a Selecção, quem devia estar à frente dela, quais os jogadores que deviam ser convocados e quais os que deveriam subir inicialmente ao palco. Perder tempo a discutir isto quando sabemos que a nossa intervenção é deveras limitada e circunscrita é pura e simplesmente perder tempo, contribuir para a confusão e afastarmo-nos do objectivo principal. Temos tempo para discutir isso tudo.

6. A menos que contrariamente ao esperado aconteça algo de surpreendente, o jogo revestir-se-á sempre de elevado grau de dificuldade. Por jogarmos em terreno alheio, pelo valor do seleccionado sueco e por termos de enfrentar um ambiente adverso. Quase tudo ao contrário do que aconteceu na Luz na passada 6.ª feira. Mas em contrapartida temos uma selecção motivada, que entra em campo a ganhar e desejosa de recuperar o tempo que perdeu na fase de apuramento. Desta vez é mesmo decisivo e é impossível fugir do destino. Acabou-se a máquina de calcular.

7. É natural que todas as atenções estejam concentradas em Cristiano Ronaldo de quem se espera que resolva individualmente aquilo que deveria competir ao colectivo ainda que sendo ele o vértice. Esta ideia enraízada no exterior que falta aferir até que ponto influi na postura e no comportamento da equipa dentro do campo, acaba por criar limitações ao jogo colectivo. Cristiano Ronaldo é o jogador que todos conhecemos, está provavelmente na sua melhor forma de sempre, mas nem ele tem que se substituir à equipa nem esta pode estar sempre à espera que seja ele a resolver invidualmente o que o colectivo não consegue. As ocasiões podem fazer as excepções.

8. Encontrar o ponto de equilíbrio será provavelmente a tarefa mais difícil dado que se o colectivo não lhe criar as condições ideais para concretizar, Ronaldo terá dificuldades acrescidas e será mais fácil de ser contrariado pela defensiva sueca. Portugal tem melhores valores individuais e tem equipa para deixar a Suécia pelo caminho. Para isso pode ser suficiente manter a concentração em todo o jogo (uma pecha das equipas portuguesas), contrariar o natural ímpeto dos suecos e esperar com paciência o momento exacto para dar a estocada final. Se assim for temos a firme convicção de que estaremos no Brasil.




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