Ponto Vermelho
Progressos adiados?
24 de Novembro de 2013
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Embora a questão das interrupções das provas por períodos mais ou menos prolongados possa vir a ser uma situação complexa, a verdade é que sendo inevitável há que a encarar com espírito positivo até porque haverão sempre vertentes que precisam de ser recuperadas (casos de lesões) e trabalhadas (casos de afinações que poderão ser executadas sem o espectro imediato da competição). Mas poderá acarretar igualmente situações negativas, como sejam a perda de ritmo competitivo sobretudo quando se está em alta. Os treinadores têm opiniões distintas consoante os casos, e até o próprio Jorge Jesus já se manifestou nos dois sentidos ainda não há muito tempo.

No regresso à competição após 2 semanas de interregno, confiava-se que a equipa do Benfica retomasse os progressos exibicionais que vinha evidenciando, muito embora se soubesse que por norma o SC Braga costuma criar um ror de dificuldades na Luz, não só devido à valia da equipa e neste caso com a orientação de um técnico bastante experiente, mas também porque com a lesão de Rúben Amorim numa altura em que vinha a ser implementado um sistema com algumas diferenças no modo da equipa se dispôr em campo, restava a dúvida se esse sistema continuaria e, em caso afirmativo quem seria o jogador escolhido para a posição. Como se não bastasse, também o goleador Óscar Cardozo acabou por ser baixa de última hora o que em conjunto e à partida, poderiam vir a constituir um sério handicap.

O conjunto bracarense apresentou-se na Luz com uma táctica bem congeminada; bloco baixo, linhas muito juntas a diminuir espaços, pressão sobre o adversário que transportava a bola e tentativas de desdobramento no ataque com Rúben Micael a pautar jogo no meio campo e Éder no ataque a rematar de qualquer ângulo dada a sua facilidade de remate. Foi assim que logo aos 17 minutos conseguiu aquele estupendo pontapé que Artur desviou com grande dificuldade com a ponta dos dedos para a barra, lançando um sério aviso à equipa encarnada. Isto apesar da eficaz marcação de Luisão e de Garay. Por sua vez o Benfica apesar das constantes trocas de bola revelava-se ineficaz, não conseguia encontrar espaços e logicamente não fazia perigar a baliza de Eduardo. Foram por isso escassas as oportunidades criadas na 1.ª parte se exceptuarmos como a mais flagrante a de Matic em que poderia ter feito melhor.

A colocação de Filip Djuricic na tal posição esquisita que Jorge Jesus definiu como de 9,5 resultou mais uma vez infrutífera, tendo o jogador sérvio perdido uma flagrante oportunidade de provar que a sua reclamação por mais minutos de utilização era perfeitamente justificada. Assim ficou a ideia de um jogador cuja categoria é inquestionável mas que por razões desconhecidas não conseguiu adaptar-se até agora ao sistema de jogo da equipa. Não é a primeira nem será a última vez que isso acontece com jogadores, aguardando-se com expectativa por novas oportunidades que provem o talento que o acompanha.

Por sua vez o seu companheiro Markovic (outro talento) esteve muitos furos abaixo daquilo que é capaz parecendo viver de momentos de inspiração que quando não chegam, o conduzem a alguma desmotivação e ao desaparecimento do jogo por largos períodos. A sua substituição justificava-se até mais cedo e deverá futuramente corrigir algumas atitudes de rebeldia, normais nos seus 19 anos e protagonizadas no calor da luta, mas que por todas as razões e mais algumas não deverão acontecer. Pelo exemplo, pela imagem negativa que transmitem e até pelo aproveitamento a que dão azo por parte dos plumitivos que estão sempre atentos a todos os pormenores. Sobretudo aqueles que possam dar lastro às suas habituais chincanas futeboleiras.

A par da equipa encarnada não ter produzido uma exibição à altura das expectativas, houve evidentemente mérito da equipa do SC Braga que não teve a mínima culpa pela noite apagada do Benfica. Houve efectivamente desinspiração por parte de vários jogadores, deficiente definição de muitas jogadas e má opção no último passe e, quando assim é, as dificuldades aumentam em flecha ao mesmo tempo que dão alento ao adversário que passa a acreditar que pode vencer o jogo. Valeu a inspiração de Matic que fez uma 2.ª parte soberba a fazer lembrar os melhores momentos da última temporada, mas parece evidente que há coisas que têm de ser revistas dado que alguns jogadores não parecem apresentar índices de confiança que justifiquem a sua titularidade. Como balanço final diríamos que foi muito melhor o resultado do que a exibição que deixou de facto a desejar, esperando-se que apenas tenha sido uma noite de menor inspiração colectiva. Num jogo fácil à arbitragem nada de transcendente a assinalar, excepto no fora de jogo mal assinalado a Siqueira e que isolado se aprestava para ceder a bola a Markovic que tinha tudo para fazer o golo.








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