Ponto Vermelho
O encher do balão
25 de Novembro de 2013
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Se os sportinguistas já andavam excitados com a carreira da sua principal equipa de futebol e do crescente populismo do seu jovem presidente, o passado fim de semana contribuiu de forma acentuada para o reforço dessas duas componentes. Sem qualquer ponta de ironia dizemos que ainda bem, dado que como diversas vezes já afirmámos não nos governamos com o mal dos outros e as suas venturas e os seus êxitos só ajudam a que os benfiquistas não sintam a tentação de abrandar e desligar, e lutem no dia a dia para serem cada vez mais fortes e pujantes.

Vem isto a propósito das incidências da jornada que completou precisamente um terço do campeonato. Porque depois da hecatombe da temporada pretérita as expectativas leoninas estavam mais baixas do que nunca, até porque a eleição de Bruno de Carvalho sendo uma lufada de ar fresco no ar bafiento que se ia respirando em Alvalade, estava longe de descansar os adeptos mais conservadores e aqueles que desde que não estejam no poder estão sempre contra tudo e contra todos, ambos muito desconfiados. E, a avaliar pelas declarações públicas de alguns deles, não auguravam nada de positivo para os destinos do Sporting.

Felizmente para o Sporting e para o futebol português que os piores receios não se confirmaram e ultrapassadas com êxito as primeiras barreiras e os primeiros testes, enquanto uns disputam o silêncio como se fosse uma mina de ouro, alguns mais afoitos não se coibem de demonstrar que já estão convertidos ao carvalhismo, jogando com a tradicional memória curta que atinge uma grande parte dos cidadãos e em particular os adeptos do clube leonino. Basta acompanhar a imprensa en passant para qualquer pessoa se aperceber dessa sua nova atitude que lhe assentaria às mil maravilhas não fosse ficar demonstrado que os pensamentos, atitudes e comportamentos de alguns homens são por natureza muito voláteis e acompanham a direcção do vento que se faz sentir.

Aparte esse pequeno desvio é no campo que tudo (nem sempre) se decide. Temos tido de facto um campeonato muito animado muito por força da inesperada performance leonina que, até ao momento, fez cair por terra as teses de todos aqueles que consideravam que a prova seria um passeio para portistas e benfiquistas que iriam dirimir entre si o principal lugar no pódio. O Sporting iria fazer um esforço e tentar lutar com o SC Braga e algum outro inesperado outsider como sucedeu na época anterior com o Paços de Ferreira, por um lugar de acesso à Liga dos Campeões. Este era o cenário previsto do qual nós próprios não estavámos muito afastados… Eram os dados e a lógica a funcionar.

Decorrido portanto 1/3 da longa caminhada, temos em termos reais três candidatos ao título com o Sporting na linha da frente e a surpreender tudo e todos. A começar pelo seu próprio universo. É verdade que na projecção de cada campeonato, o Sporting (tal como os outros dois grandes) por muito debilitado que se encontre, pelo seu historial terá que ser sempre considerado como um dos candidatos, independentemente de mais tarde ou mais cedo poder ficar pelo caminho. Esta época quando parece completamente afastado o tradicional síndroma natalício e a equipa vai de vento em popa, parece-nos adequada a estratégia seguida pelos responsáveis leoninos do wait and see, dado que o actual estado de euforia pode, num ápice, transformar-se em estado de depressão e isso seria dramático depois do balão ter enchido quiçá demasiado.

A ponderação aconselha vivamente a olhar para o caminho percorrido em que até se pode de alguma forma fazer analogia com provas longas de ciclismo. Dos três mil de quilometragem final apenas estão percorridos os primeiros mil km. Até aqui o Sporting está a dar boa conta de si, tem surpreendido, mas existem duas equipas mais habituadas às durezas da prova com mais e melhores corredores e mais bem preparadas para enfrentar as adversidades. Ainda que inseridas num conjunto de provas com as quais o Sporting não tem que se preocupar e que causa fatalmente maior desgaste a FC Porto e Benfica. As diferenças são atenuadas sem todavia as eliminar.

Dito isto, não se nos afigura que o Sporting com o actual plantel e mantendo-se as circunstâncias presentes, possa entrar esta época com sucesso na discussão do título. Sem apoucar o mérito, o factor psicológico tem vindo essencialmente a fazer a diferença pois acaba por ter influência preponderante em todas as outras vertentes. Mas caso algo corra mal, pode redundar numa quebra anímica acentuada que acabará por fazer a diferença. Como sempre o tempo encarregar-se-á de confirmar ou desmentir esta nossa assumpção, mas é inegável que o que a equipa leonina já fez até agora constitui, sem dúvida, um sucesso difícil de imaginar quando se iniciou a época. Vamos pois esperar para ver a evolução.






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