Ponto Vermelho
Patamares de exigência
26 de Novembro de 2013
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1. É sobejamente reconhecido pelo mais insuspeito adepto de futebol que a antecipada esmagadora supremacia de FC Porto e do Benfica no campeonato tem sido esta época por sistema desmentida. Pelo menos até ao fim do primeiro terço. Os portistas lideram com o Benfica imediatamente na sua peugada, ao que se junta um Sporting aparentemente recomposto da pior fase do período de negritude que atravessou até final da última época. De resto tudo normal e sem motivo para qualquer surpresa de tomo, embora se aguardasse uma melhor prestação do SC Braga que está a pagar um preço elevado pelo desbaratar da equipa.

2. É manifestamente evidente que na conjuntura que atravessamos não há nem pode haver milagres. As opções que se apresentam são bem simples: ou se opta por ter bons resultados financeiros quando a coisa está de maré, ou se escolhe o sacrifício da vertente desportiva. Noutro patamar ainda mais vasto, a única excepção sobejamente conhecida para mal dos nossos pecados, tem sido o (Des)Governo que se passeia por aí que tem cometido a dupla proeza de conseguir obter maus resultados na obsessão da redução do défice e paupérrimos desempenhos no capítulo da recuperação económica. Com sacrifício de (quase) todos os portugueses.

3. Se existe alguma surpresa no topo da classificação ela deve-se aos maus desempenhos exibicionais do FCP e do SLB agravados pelo desbaratar de 6 e 7 pontos respectivamente decorridas que estão apenas 10 jornadas, porque, se assim não fosse, o tom das conversas e das críticas seria outro necessariamente diferente. Isso deu origem à redução do espaço da equipa leonina que através de fortes doses de populismo misturadas com manifestações folclóricas e entremeadas com as recorrentes desculpas com os árbitros e ainda com a tradicional forcinha da imprensa, tem confirmado na plenitude a fase ascensional que já se tinha vislumbrado na fase final da época com Jesualdo Ferreira. A única e verdadeira surpresa neste particular será porventura a acentuada acalmia das críticas internas e as manifestações diárias a uma só voz.

4. É portanto razão suficiente para que os dois principais clubes demonstrem preocupação, até porque na Europa as coisas também não estão a correr conforme o inicialmente projectado. Pelo contrário, numa altura em que já deviam estar a fazer projectos para os oitavos de final da Champions, estão com a corda na garganta à espera de uma situação que não sendo impossível é no entanto pouco expectável, com o Benfica na pior posição porque um mau resultado amanhã até pode fazer perigar a transferência para a Liga Europa. O que seria de todo inexplicável.

5. Enquanto percorremos um cenário que esperamos não venha a ser desolador, a norte discute-se se as unhas de Paulo Fonseca estão ou não dotadas de cálcio suficiente. Isso porque segundo os entendidos na matéria, o nível de exigência e o grau de pressão dos adeptos portistas são incomparavelmente superiores aos praticados no Benfica e naturalmente muito mais nos do Sporting. É deveras interessante e curioso observar que as principais razões para os maus desempenhos sejam atribuídos ao jovem treinador e não à deficiente constituição do plantel. A esse propósito recorde-se, Fonseca foi escolha de Pinto da Costa o homem que muito raramente é falível. Para todos os entusiasmados plumitivos representa até um risco a cada dia que passa depois de tantas e tantas vezes terem enaltecido o alto grau de infalibilidade da estrutura de sonho. Isto se considerarmos que têm repetidamente afirmado que o importante é a estrutura (leia-se o presidente) e não o treinador…

6. São os velhos costumes de procurar disfarçar os problemas e as próprias insuficiências fazendo analogias com os outros (com o Benfica em lugar destacado) num intuito claro de desviar as atenções. É uma antiga máxima pintista que os acólitos se têm esforçado por tornar realidade em recorrentes demonstrações de bacoquismo pseudo-regionalista. Insistir em teses alegadamente eufóricas em que gravitam os clubes de Lisboa (curioso como nesta fase o Benfica já aparece acompanhado), pode ser de assimilação fácil para alguns mas não certamente para todos aqueles que pensam e têm discernimento suficiente para avaliar o alcance limitado dessas teorias de cordel. E estes, estão já em significativa maioria…








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