Ponto Vermelho
Esperanças adiadas?
27 de Novembro de 2013
Partilhar no Facebook

No início da época no que aos três grandes diz respeito, existiam diferentes estados de espírito tendo em conta a forma como a anterior temporada tinha acabado. Um FêCêPê eufórico pela inesperada vitória no campeonato e que vendeu dois dos seus melhores jogadores – James Rodriguez e João Moutinho – em pacote para poder assim mais facilmente torpedear a verba a que o Sporting tinha direito com a transferência do último. O Benfica que continuava deprimido pelas razões inversas e que depois de alguns avanços e recuos conseguiu resistir à venda de jogadores e, finalmente, o Sporting que depois de um annus horribilis e com uma nova Direcção tentava a todo o custo inverter o rumo dos acontecimentos.

O FêcêPê que tinha acabado de vencer o campeonato mais por demérito do Benfica do que por virtudes próprias, de papo cheio pelas avultadas vendas realizadas logo no início do defeso, alimentava fundadas esperanças em realizar uma época de excepção em que para além da vitória no campeonato que era praticamente um dado adquirido, chegar até ao fim na Liga dos Campeões em que disputar a final no Estádio do seu maior rival constituia, sem sombra de dúvida, a cereja no topo do bolo. Um sonho acalentado não só pelo facto em si, mas para poder doravante vangloriar-se através do seu historial retratado de forma pouco rigorosa e que alberga partes forjadas em que a História foi transformada em estórias azuis e brancas.

O Benfica, por seu turno, ao perder logo na primeira jornada começou cedo a alimentar o ego portista, agravando o seu estado psicológico e o dos adeptos e simpatizantes que sentiram que ainda estavam nos tais fatídicos 12 dias que deitaram tudo a perder. Perante o olhar desconfiado dos adeptos continuou a sua saga em que, a juntar aos resultados nem sempre conseguidos, juntava padrões exibicionais pobres muito aquém da valia do plantel. Era então incompreensível que com a manutenção de todos os jogadores (excepção feita a Melgarejo) e com a mesma equipa técnica, a equipa não rendesse aumentando desde logo o fosso pontual para o seu principal rival.

Finalmente o Sporting em que fazer pior era impossível, a transportar para a presente época os indícios prometedores que já tinha revelado e que faziam dele senão um sério candidato ao título, pelo menos uma equipa com progressos assinaláveis e a solidificar a candidatura mais real ao último lugar do pódio ainda que o SC Braga fosse também um afirmado candidato a ter em conta. O entusiasmo da juventude e a sequência de bons resultados aliados à situação de euforia que tem vivido desde a eleição de Bruno de Carvalho, catapultou o Sporting para patamares jamais sonhados o que aumentou ainda mais o estado de exaltação da nação leonina em que até os habituais Velhos do Restelo resolveram meter férias… Até ver…

Com o Sporting fora do quadro europeu e por isso muito menos desgastado e mais tranquilo, competia ao FC Porto e ao Benfica salvarem a honra do convento dado que cedo se percebeu que apesar de alguns resultados promissores de algumas das nossas equipas de segunda linha, o destino era sombrio. Como aliás se acabou por confirmar pelos resultados pouco animadores. Mas, as esperanças começaram a desvanecer-se também com portistas e benfiquistas que têm estado muito aquém das expectativas correndo mesmo sérios riscos de dizer bye-bye à principal prova europeia. E no caso do Benfica, se porventura não conseguir um resultado positivo hoje em Bruxelas, o cenário pode vir a ser ainda mais negro com o total afastamento da Europa.

As prestações do FêCêPê na Europa têm sido arrastadas. Sendo um freguês habitual da Fase de Grupos da Champions, pela primeira vez em muitos anos conseguiu a proeza rara de não conseguir vencer um único adversário em casa, sendo que aparte o Atlético de Madrid a fazer uma época de grande fulgor, os outros dois adversários estavam mais do que ao alcance dos portistas. Isso, a juntar às fracas exibições no panorama interno, estão a provocar fatalmente ondas de choque no Dragão que não está a conseguir emergir da penumbra em que se transformaram as suas exibições. É impossível escamotear a crise apesar das débeis tentativas dos prosélitos de tentam justificar com a enorme pressão e cultura de exigência dos adeptos portistas.

Também a situação do Benfica está longe de poder ser considerada positiva tendo em conta os meios colocados á disposição para a prossecução do objectivo previamente traçado, ainda que a mesma possa de alguma forma ser mitigada face à carga negativa de final da época e que criou no espírito de muitos adeptos um estado de conformismo inaceitável perante a história e a cultura de exigência que deve fazer sempre parte do espírito de toda a estrutura, da equipa técnica, dos jogadores e dos adeptos. Milhares de dirigentes, de técnicos, de atletas e de adeptos esforçaram-se e sacrificaram-se ao longo de mais de um século para solidificar uma mística que nunca devia nem podia ter sido abastardada fossem quais fossem as circunstâncias e as dificuldades originadas por conjunturas adversas. É de todo necessário interiorizar este aspecto.






Bookmark and Share