Ponto Vermelho
Cuidado: está-se a perder o combóio...
29 de Novembro de 2013
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1. A última jornada da Liga Europa veio confirmar a tendência que esta época se tem estado a verificar dos clubes portugueses estarem a ficar cada vez mais distantes da Europa, restando confirmar em absoluto se isso está a ser apenas uma situação passageira, ou a confirmação de que a Europa também no futebol está a impor a ditadura dos mais fortes financeiramente que estão imparáveis e ameaçam acabar de vez com quaisquer veleidades que os clubes periféricos menos apetrechados ainda possam ter. Receamos bem que sim.

2. Todavia, a despeito dos indícios nesse sentido se estarem a amontoar, a realidade objectiva é a de que também houve incompetência por parte dos nossos clubes. Se em alguns casos a falta de experiência europeia de algumas das equipas pode de algum modo servir de atenuante para as prestações pouco conseguidas, a verdade é que conforme já foi por diversas vezes sublinhado, os principais clubes com o FC Porto e Benfica à cabeça não têm sabido tornear as dificuldades que alguns clubes de matriz claramente inferior em todos os aspectos lhe colocaram de forma inesperada.

3. Não se poderá dizer propriamente que isso constituiu uma surpresa de tomo, se atendermos às suas exibições deficientes intramuros em que têm revelado carências relevantes, as quais têm dado origem a um retrocesso exibicional com consequência directa nos resultados. Diferentes razões têm sido apontadas para esses semi-fracassos mas, com mais ou menos propriedade, o facto nu e cru é o de que as equipas estão a situar-se em patamares muito abaixo da sua real valia. Como sempre procuram-se razões algumas das quais até poderão ter fundo de verdade mas falta a confirmação. Provavelmente nunca as teremos e só existirá especulação à volta do assunto, mas ao acontecer está a limitar as nossas aspirações na Europa.

4. Estes factos reais que não podem nem devem ser escamoteados sob pena de nos estarmos a iludir, não justificam por si só intermitentes exibições contra equipas inferiores ou mesmo da nossa igualha. No Benfica, por exemplo, não se compreende a fraca prestação de Paris com o PSG em que a forma como foi abordado o encontro pareceu revelar um temor reverencial perante uma equipa sem dúvida com potencial superior, mas onde o Benfica poderia discutir o jogo pelo jogo sem qualquer tipo de subserviência como se se tratasse de uma missão impossível, quando o pensamento numa equipa com o historial dos encarnados deve levá-la a encarar qualquer encontro, por mais difícil que seja, sempre com o pensamento na vitória.

5. Mas se o encontro de Paris era em teoria o mais difícil (o modesto Anderlecht não acatou esse fatalismo), o jogo seguinte na Luz com o Olympiacos era quase decisivo se atendermos que Jorge Jesus tinha situado os gregos no mesmo patamar dos encarnados. Ora o que se viu na 1ª parte enquanto o terreno esteve disponível para o futebol, foi que o Olympiacos demonstrou mais vontade de ganhar o que é estranho se considerarmos que o Benfica jogava no seu terreno, tinha o apoio do seu público e tinha potencial superior ao adversário como aliás se viu no jogo da 2ª mão no Pireu.

6. Não ignoramos que as lesões sucessivas como não podia deixar de ser, têm tido muita influência na explanação do jogo da equipa. Mas também é verdade que o plantel é basicamente o mesmo tal como a equipa técnica. Logo, ainda que haja atenuantes e não se possa olvidar que um jogo de futebol não é uma ciência exacta e está por natureza sujeito a um conjunto de aleatoriedades, o ponto fulcral é que em jogos que se poderão considerar de alguma forma decisivos terão que ser disputados para ganhar, não no mero jogo antecipado das palavras mas essencialmente dentro do campo. É isso que fazem as equipas importantes e por isso são grandes porque não falham nos momentos decisivos.

7. Como já foi assinalado, nota-se na actual equipa do Benfica um sentido mais práctico em detrimento da tão propagandeada nota artística. O que em si é positivo mas parece não estar ainda a chegar. Do nosso ponto de vista o pragmatismo terá que ser ainda aumentado, nomeadamente nas transições que estão a ser feitas com lentidão comparativamente ao que já sucedeu num passado recente, com demasiado transporte de bola e nem sempre boa definição na altura do passe, para além da cerimónia na altura de rematar à baliza o que faz gorar a maioria das tentativas. Por último, aumentar o grau de interacção entre alguns jogadores que parecem ainda não ter assimilado bem a cultura do Benfica. Mas, havendo potencial como há, é apenas uma questão de afinação!






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