Ponto Vermelho
Relações, estratégias e reflexões
30 de Novembro de 2013
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São conhecidas de todos as relações institucionais entre Benfica e o Sporting desde há vários anos a esta parte (apenas com algumas nuances no tempo de Dias da Cunha) em que sistematicamente estiveram de costas voltadas, e em que algumas vezes eram fruto do azedar de relações entre presidentes como foi o caso na penúltima Direcção do Sporting. Essa é uma das várias razões que explicam o sucesso do FC Porto que sempre apostou numa situação de ruptura completa entre os dois vizinhos lisboetas, para dar a falsa sensação de aproximação a um deles. Isto até praticamente ao final do século, dado que a partir daí e com o pacto roquetiano a situação passou a ser unifamiliar com o Sporting a contribuir para a exclusividade.

A eleição da nova Direcção presidida por Bruno de Carvalho que definiu como meta manter relações institucionais com todos clubes desde que respeitassem o Sporting, apesar de politicamente correcta fazia prever que alguma coisa se poderia vir a alterar nas relações com o Benfica, dado que entre este e o FC Porto não haverá qualquer hipótese enquanto Pinto da Costa estiver à frente dos destinos dos azuis e brancos. Mesmo que a Direcção encarnada se venha a alterar, jamais os adeptos do Benfica perdoariam os sucessivos expedientes, agravos e golpadas que tiveram que enfrentar ao longo de toda a sua presidência. E se há alguns com memória curta esse não será seguramente o nosso caso.

Pareciam, de facto e à partida, estarem reunidas as condições para uma relação profíqua na prossecução de metas e objectivos comuns sem que a independência e a rivalidade pudessem ser, em qualquer momento, questionadas. Isso são questões de que jamais qualquer adepto fosse encarnado ou verde abdicaria, porque isso seria atraiçoar a história de qualquer dos clubes ao longo de mais de um século. E, para mais, não faria qualquer sentido fosse qual fosse o ângulo de observação. No entanto, não eram ignoradas as dificuldades dado que a prática dos últimos anos era de molde a causar alguma apreensão pela possibilidade sempre latente de haver torpedeamentos.

Todos sabemos o pulsar dos Velhos do Restelo que só são sabem navegar em teorias de conspiração. Há-os dos dois lados da barricada e o facto de na presente conjuntura o Sporting se situar alguns patamares abaixo do Benfica pelos motivos e razões que são públicas, tem dado azo a que os do lado leonino se manifestem nos corredores e na imprensa de forma veemente contra o facto de poder haver um normal relacionamento com o Benfica. Tal como já aconteceu o contrário quando estávamos prestes a atingir o novo milénio e em que o comportamento do Sporting protagonizado pela Direcção de José Sousa Cintra foi o de explorar as momentâneas fraquezas do Benfica, uma situação que dispensa quaisquer comentários. Portanto, é bom que isto esteja sempre presente para que possam ser extraídas as devidas ilacções dos dois lados acerca do comportamento em idênticas situações.

A evolução no sentido positivo dos acontecimentos no Sporting quer na vertente financeira quer na desportiva, parece ter dado origem a algum deslumbramento do seu jovem presidente que da aparente prudência inicial passou a incorporar acentuadas doses de populismo, um maná para a comunicação social que as explora até à exaustão mesmo que elas se revistam de expressões e comportamentos bacocos e que aparte algumas tiradas tonitruantes a fazer as delícias da populaça que aprecia sobremaneira frases que chamem a atenção ainda que vazias de conteúdo, mas que julgam enaltecer as virtudes leoninas depois de todas as amarguras porque têm passado. É isso que está acontecer com maior frequência do que seria desejável, mas o rumo traçado pelo Presidente leonino vai definir o futuro para o bem e para o mal.

O que nos parece é que tal poderia ser evitável porque se essas acções e comportamentos podem agradar aos mais fanáticos adeptos leoninos (e de outras paragens), onde se incluem alguns cujas responsabilidades no passado os deveria aconselhar a serem mais comedidos nas suas acções atendendo às experiências anteriormente vividas com manifesto prejuízo do Sporting que juram repetidamente defender. E, por outro lado, importa equacionar se esse tipo de atitudes contribui de alguma forma para que o Sporting saia da periclitante situação em que se encontra presentemente, apesar de todas as indicações e sinais positivos. Aconselhamento, prudência e reflexão parecem estar a fazer imensa falta no reino leonino.








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