Ponto Vermelho
Reviravolta
2 de Dezembro de 2013
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A jornada imediata ao fecho do primeiro terço do Campeonato trouxe novidades de tomo e uma reviravolta no que à ordenação dos lugares da frente diz respeito. Consumou-se a ultrapassagem do FC Porto que desceu para 3.º, sendo ultrapassando de uma assentada pelos dois vizinhos da segunda circular também candidatos ao título, muito embora o Sporting pela voz do seu prudente treinador continue com a lenga-lenga do ganhar jogo a jogo e a afirmar que não o é para não criar estados de euforia que há muito se pressentem no seu jovem presidente e na sua entourage. Ele lá sabe as linhas com que se cose mas provavelmente terá a razão com ele. Esperemos então para ver.

A nova situação não constitui de modo nenhum surpresa de tomo, dado que ela já se vinha a configurar como um cenário plausível a curto/médio prazo. De facto, as fracas exibições que o FC Porto vinha protagonizando só foram sendo de alguma forma disfarçadas porque os resultados iam aparecendo com mais ou menos empurrão, uma fruta de todas as épocas. A deslocação a Coimbra fazia temer o pior para os azuis e brancos não só pela valia da Académica, mas porque também não seria a primeira vez que os portistas iriam experimentar dificuldades como está bem ilustrado na clara vitória que afastou o FC Porto da Taça de Portugal na época de 2011/ 2012.

Não estaria portanto fora das cogitações de alguns o desaire dos portistas, se atendermos que os tempos mais recentes têm sido aziagos para os portistas nas duas frentes principais – Fase de Grupos da Liga dos Campeões onde não registou um único triunfo em casa com três jogos disputados, e no Campeonato onde em 9 pontos possíveis apenas conseguiram obter 2 fruto de dois empates um dos quais intramuros. Como seria inevitável a contestação ao treinador foi subindo de tom, ou se quisermos a pressão protagonizada pelos habituais ponta de lança cujos expoentes têm sido os Super Dragões cujas técnicas já mais do que uma vez foram experimentadas com êxito. Então se isto não é crise o que será uma crise?

Paulo Fonseca tem obviamente cometido erros. Mas não se nos afigura que seja ele o principal culpado da situação a que chegou o FC Porto. Não foi ele que escolheu o plantel (como aliás nenhum outro), não foi ele que negociou o pacote João Moutinho/James Rodriguez e não foi ele que contratou substitutos muito aquém do valor daqueles dois. Parece-nos que a sua culpa mais evidente terá sido a de não ter ainda conseguido assimilar a cultura trauliteira dos portistas, ponto de partida para uma melhor aceitação no universo portista. Falta-lhe nesse particular um passado sólido de azul e branco para perceber mais rapidamente o modus operandi daquela casa como por vezes gosta de afirmar.

Mas algumas coisas parecem estar a mudar. Talvez seja isso até a principal causa para os actuais dissabores. A indestrutível e inexpugnável estrutura como repetidamente vemos estampado em fontes próximas e nalguma imprensa sempre solícita, requer que se olhe para ela com alguma atenção para enxergar melhor as actuais falhas. Quem escolheu Paulo Fonseca? Quem esteve na origem das contratações? Quem por mais de uma vez fez constar que o segredo dos êxitos era a estrutura e não qualquer treinador por mais habilitado, competente e experiente que fosse. Não foi isso que presidiu à contratação do jovem treinador Paulo Fonseca que ainda nem sequer possuía o 4.º nível de treinador?

Os ciclos iniciam-se e terminam. Podem durar mais ou menos anos mas nunca são eternos. E para os portistas há indícios claros sobre a inevitabilidade deste ciclo se aproximar do fim, dado que Pinto da Costa caminha para o ocaso e atravessa problemas de saúde que não lhe permitem o nível de intervenção a que habituou todos os portistas. E sendo assim, a estrutura tende a abanar devido a estar muito centralizada e rotinada na sua pessoa e na sua fortíssima capacidade decisória. Daí que seja de estranhar o comportamento em relação ao treinador dado que em várias alturas do passado perante quaisquer indícios de crise ainda que no horizonte longínquo, a acção protectora tinha sido imediata. Para além de que a forma de pressão dos Super Dragões teve que necessariamente ser facilitada porque adivinhando-se contestação tinha sido relativamente fácil impedi-la nos moldes em que se processou.

Aumenta pois a curiosidade e a expectativa sobre os próximos confrontos dos Dragões que entrarão em campo fortemente pressionados. E a avaliar pelos vários exemplos do passado está amplamente documentada a forte capacidade dissuasora da claque. Mas aconteça o que acontecer e não sendo de maneira nenhuma tarde para acertar posições com dois terços do campeonato por disputar, parece também evidente que o plantel será porventura o mais desequilibrado dos últimos anos com lacunas já amplamente reconhecidas. E, a assim continuar, nenhum treinador conseguirá fazer milagres que alterem radicalmente a produção azul e branca ainda que tenha potencial de crescimento. Provavelmente nem sequer o Sistema






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