Ponto Vermelho
Animações à portuguesa...
4 de Dezembro de 2013
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1. Uma das pouquíssimas vantagens dos portugueses que não vivem na diáspora e que estão sujeitos às espoliações e sacrifícios impostos por um conjunto de mentes demasiado avançadas para a época que os acasos da vida transformaram em governantes hipotecados a interesses externos em que se limitam a fazer copy paste das instruções recebidas, é a possibilidade de com impressionante regularidade se poderem entreter com fait-divers que quase só existem neste país. E se isso não dá de comer aos filhos, se não pode comprar os livros para um ensino caduco, se não dá para apostar num futuro que parece não existir, ao menos contribui para suavizar as agruras de uma vida cada vez mais sem espaço e sem esperança.

2. Interrogamo-nos muitas vezes como foi possível que os portugueses tenham permitido que se chegasse a este estado de desesperança, mas a explicação mais viável será porventura a de que somos nós os primeiros culpados pela inércia que tem sido sempre a nossa opção por nada termos feito no sentido de alterar o rumo dos acontecimentos. Assim sendo, em termos morais e objectivos só nos podemos queixar de nós próprios porque não conseguimos ou não fomos capazes no tempo e no modo de forçar outra dinâmica e testar outras soluções, limitando-nos a esperar sentados pela situação inevitável. Mais uma oportunidade perdida a juntar a tantas outras.

3. Ficamo-nos por aqui dado que este espaço aponta basicamente para outra direcção onde, para não variar, não faltam motivos deveras aliciantes. Que nos fazem rir ou pelo menos sorrir quando afinal são bem sérios e que deveriam ser objecto da mais séria análise e cuidada reflexão. Mas para não destoar daquilo que é o dia a dia da vida portuguesa na sua globalidade, temos que no desporto as animações vão-se sucedendo em catadupa dado que já se percebeu que ao contrário do que deveria acontecer, as coisas sérias não são para serem consideradas como tal, o que revela um flagrante sinal de impotência e de resignação. E por isso, paradoxalmente, sorrimo-nos com um esgar de tristeza interior por assistirmos a casos que noutro país seriam porventura considerados como insólitos.

4. Após aturadas e arrastadas investigações que foram tão complexas que duraram 295 dias até que fosse encontrado um arguido, foi finalmente divulgada a informação do suspeito de assalto às instalações da Federação Portuguesa de Futebol. O tal personagem, relembramos, que actuou de cara descoberta e deixou sangue e impressões digitais em profusão espalhadas pelo edifício da Alexandre Herculano e que, recordamos igualmente, era suposto ter sido identificado e detido num curtíssimo espaço de tempo conforme ressaltava da informação da P.S.P. divulgada logo a seguir ao assalto.

5. Só a P.S.P. conseguirá esclarecer a razão para tão longa espera pela identificação e prisão do agora arguido e que abriu caminho como não poderia deixar de ser, a uma vaga de especulações sobre o móbil e/ou mandante(s) do assalto. Antecipando este desfecho, teria sido preferível terem sido divulgados detalhes ainda mais vagos sobre o assunto, porque convenhamos, se o indivíduo é agora apresentado como um vulgar ladrão com propensão para furtar computadores, é no mínimo equívoco que tenha apenas seleccionado os do Presidente Fernando Gomes e da sua Secretária para além do do Presidente do CA Vítor Pereira, quando certamente haveria muitos outros à sua disposição no edifício.

6. Agora que foi finalmente encontrado o suspeito depois de tantos meses a escapar-se às malhas da justiça, estamos esperançados que as diligências para o apuramento total dos factos e a sua apresentação em Tribunal para julgamento não demorem os mesmos 295 dias que levou a ser detido apesar de todos os indícios. Será do interesse de todos a começar pelo presidente federativo que sejam apuradas e percebidas rapidamente as suas motivações, bem como se por detrás delas não haverão outros envolvidos para que não subsistam quaisquer dúvidas na opinião pública sobre o verdadeiro móbil do assalto. Vai por certo ser deslindado o motivo que paira no espírito de muitos cidadãos deste país sobre a razão que levou o assaltante a identificar e a escolher com a maior precisão aqueles três computadores e não quaisquer outros que se encontravam no edifício. Será que eram diferentes dos outros? Aguardam-se esclarecimentos para matar de vez a especulação!








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