Ponto Vermelho
O impagável Futebol português…
5 de Dezembro de 2013
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Como se sabe, o antigo Director-Geral da SAD encarnada para o futebol – António Carraça – cessou funções no Benfica em finais da época passada embora em termos formais a desvinculação tenha ocorrido posteriormente, numa decisão acordada com a cúpula do futebol encarnado. Situando-nos na altura, o que transpirou para a opinião pública foi de que se tratava de um projecto de reorganização acelerado face ao traumatizante final de época, e porque com rumores ou com certezas pareciam notórias as diferenças sobre a forma de pensar a organização do futebol do Benfica relativamente ao treinador Jorge Jesus. Nada de transcendente a não ser os pontos de vista quiçá antagónicos sobre um tema comum, o que provava que nem sempre existe sintonia. Natural entre pessoas diferentes e com traços de personalidade distintos.

A partir do momento em que se começou a desenhar o cenário de continuidade do treinador numa opção defendida pelo Presidente a despeito de haver vozes contrárias mesmo dentro da própria estrutura, não restava a António Carraça outra opção senão dar por concluído o ciclo das suas tarefas no Benfica. Foi isso exactamente o que aconteceu como é sabido. Nada de anormal pois é o caminho seguido em qualquer empresa quando há divergências insanáveis sobre o caminho a seguir. Apesar de várias vezes terem sido questionadas na imprensa as reais funções de Carraça, elas sempre pareceram definidas e estruturadas, muito embora aqui e ali ficasse a sensação de haver alguns atritos por força da personalidade difícil do treinador, embora sempre resolvidos dentro da estrutura. O que também é comum a qualquer empresa que se preze.

É evidente que todos aqueles que deliram com a confusão seja quais foram as razões associadas, ficaram desde logo na expectativa de que mais tarde ou mais cedo Carraça falasse e, contrariamente a um seu antecessor no cargo cujo nome já não nos ocorre, remeteu-se ao silêncio. Não será difícil imaginar as pressões e os pedidos veementes de interessados de vários quadrantes para que falasse e viesse para a praça pública lavar a roupa suja. Finalmente falou, e aparte a publicidade que o diário Record como órgão de informação que promoveu a entrevista fez, apenas aqui ou ali houve ténues referências e comentários, o que significa que apesar de ter abordado todos os temas quentes da então actualidade benfiquista, a entrevista não terá agradado a todos aqueles que esperavam um desfilar de acusações sobre tudo o que mexesse na estrutura encarnada. Como compreendemos a sua desilusão!

António Carraça disse o que entendeu por conveniente, e aparte ter sido mais acutilante no que concerne ao treinador (uma situação que não é de estranhar pois já era do domínio público), não vemos que se tenha excedido nas suas apreciações em geral que justificassem a aposição de uma prévia claúsula de confidencialidade como defendeu o ex-dirigente leonino – Carlos Barbosa da Cruz – . Pelo contrário, foi incisivo e esclarecedor em determinadas situações sem que em alguma altura tenha enveredado por quebra de sigilo. A menos que tenhamos tido uma interpretação errada dos temas abordados na sua vasta entrevista, entendemos que as situações que abordou eram genericamente do conhecimento da opinião pública, limitando-se a pormenorizar esclarecimentos para contrariar teses equívocas e especulativas.

Partindo desse entendimento, escrever-se como escreveu o já citado ex-dirigente leonino que “ a entrevista de António Carraça foi, desde há muito tempo, o primeiro ato público de oposição frontal e formal à atual liderança do Benfica, mesmo camuflado por elogios e salamaleques. (…)”, afigura-se-nos de duvidosa interpretação dos factos. Percebemos o que está subjacente a tudo isso, entendemos os objectivos que se querem atingir, enxergamos ainda os reflexos de uma cultura sportinguista alicerçada justamente no béu-béu dos corredores de Alvalade e que tanto tem desestabilizado o Sporting. Mas tentar aplicá-la no Benfica nos dias de hoje não passa pura e simplesmente de tempo perdido. Até porque, e isso parece reunir alguma consensualidade até no mundo benfiquista, afigura-se evidente que tendo sido uma decisão presidencial a renovação de Jorge Jesus, Luís Filipe Vieira estará ligado umbilicalmente aos êxitos e aos fracassos que vierem a ocorrer no futuro próximo. Mas sendo ele o presidente e principal responsável não seria isso já uma situação que aconteceria com este ou com qualquer outro treinador?










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