Ponto Vermelho
Revisão urgente da ‘matéria’
7 de Dezembro de 2013
Partilhar no Facebook

Na altura em que estava pendente a decisão sobre a continuação ou não de Jorge Jesus aos comandos do Benfica, escrevemos aqui que antes da decisão final deveriam, como aliás parecia óbvio, serem equacionadas todas as vertentes e ponderadas todas as condicionantes entre a estrutura e o treinador. E, se essa avaliação mútua fosse positiva e se concluísse que havia condições para manter o casamento, então era de continuar. Porque a despeito de termos formado a nossa própria opinião, seria de todo contrapruducente que de fora e sem os dados suficientes, estarmos a criticar qualquer conclusão da estrutura baseada no conhecimento e em dados objectivos.

Foi nesse enquadramento que partimos para a nova temporada, ainda não refeitos dos efeitos desgastantes do final da época anterior. Mas com a expectativa que fossem ultrapassados todos os traumas e insuficiências que tinham levado muitos adeptos a duvidar que com a manutenção da mesma equipa técnica resultasse um enterrar do passado. O próximo e o mais distante. E o facto da época não se ter iniciado sob os melhores auspícios não fez abalar a nossa convicção, dado que era compreensível que o efeito psicológico negativo dos fatídicos 12 dias do nosso descontentamento ainda se fizessem sentir mas que com o andar do tempo fossem de todo erradicados.

E também porque com a manutenção dos principais jogadores contrariamente às expectativas e com um esforço adicional em algumas aquisições, o plantel ficava mais forte e mais equilibrado. Em teoria estavam pois reunidas as condições para que houvessem bons resultados nas diversas provas em que o Benfica estava inserido. Infelizmente não se tem passado assim. É certo que o plantel tem sido fustigado por lesões sucessivas (algumas delas graves) em jogadores nucleares e que tem condicionado de forma importante as prestações da equipa. Mas também não é menos verdade de que o plantel é vasto e possui alternativas para esbater de algum modo esses impedimentos forçados. Para além de que manteve os mesmos jogadores e a mesma orientação técnica.

Seria pois suposto que em condições normais se viessem a repetir as excelentes prestações da época anterior e inclusivamente não vacilar nos momentos H. Por razões que desconhecemos nada disso se está a passar. A equipa tem demonstrado fragilidades e, com excepção da exibição de Atenas, todas as outras deixaram a desejar alternando períodos razoáveis com fases periclitantes. E isso tem-se reflectido nos resultados. Na fase de Grupos da Champions estamos em sérios riscos de ficarmos pelo caminho num Grupo que se afigurava acessível, e no Campeonato (objectivo prioritário assumido pela estrutura técnica), em 12 jornadas disputadas já registamos a perda de 9 pontos. Com a particularidade de termos empatado em casa perante as duas equipas que subiram este ano à I Liga.

É verdade que alguns dos pontos perdidos têm sido originados pelos suspeitos do costume – as arbitragens – (na nossa contabilidade identificámos 5 o que corresponde a cerca de 55%), mas também há que referir que nalgumas situações os resultados foram de longe melhores do que as exibições, o que não deixa de constituir motivo para reflexão. Por outro lado, quando já havia sérios motivos de preocupação devido ao alargamento da distância pontual para o campeão nacional em título para 5 pontos, o facto de este ter precipitado uma crise que deu origem à recuperação e à ultrapassagem do Benfica, indiciava que isso seria factor suficiente de motivação para que o nível das prestações encarnadas disparasse. Debalde.

Ainda ontem perante o modesto penúltimo classificado da Liga ficaram mais dois pontos pelo caminho e, pior do que isso, resultado de uma exibição que deixou muito a desejar e que fez soar de novo as campainhas de alarme. De novo os equívocos sobressaíram (Porquê Bruno Cortez que já demonstrou não possuir competência para corresponder às exigências de uma equipa como a do Benfica? Porquê Markovic como titular que aparte a sua categoria indiscutível tem revelado nos últimos jogos que não está no seu melhor? Porquê Nico Gaitán a lateral-esquerdo? Porquê a entrada tardia de Ivan Cavaleiro quando eram necessários flanqueadores? Porquê a repetição do mesmo erro no livre que já se tinha verificado com o Estoril? Porquê a falta de dinâmica colectiva como se mais tarde ou mais cedo o golo caísse do céu?)

Jogos pouco conseguidos podem acontecer a qualquer equipa a qualquer momento. Menor inspiração dos jogadores também. Erros, falta de sorte e de eficácia igualmente. O que não podem acontecer são tantos equívocos, conformismo, falta de velocidade e de pressão que acabam por resultar em menor atitude competitiva. E quando assim é a equipa torna-se previsível e mais fácil de anular como temos visto por mais do que uma vez, sendo que a possibilidade de haver resultados como o de ontem aumenta seja qual o campo ou o adversário. E aquilo que era outrora um dos maiores receios para todos os adversários – o inferno da Luz – está a virar-se contra a própria equipa e contra os adeptos. E os menos de 29 mil espectadores que ontem estiveram na Luz são um bom exemplo disso pelo que urge reflectir de imediato. Sobre tudo e antes que seja tarde!






Bookmark and Share