Ponto Vermelho
Regresso a Terras de Vera Cruz
8 de Dezembro de 2013
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1. Depois das peripécias conhecidas com o apuramento, eis que foram lançadas as cartas para um primeiro ordenamento para o Mundial do Brasil do próximo ano. Nestas alturas de sorteios existe sempre grande expectativa porque a sorte das bolinhas pode ditar mais ou menos dificuldades. Isto em teoria claro, porque surpresas estão sempre a acontecer e surgem de onde menos se espera, atendendo a que havendo Selecções de todos os continentes com tipos de futebol por vezes imprevisível, é sempre mais susceptível de acontecerem resultados inesperados propiciados por equipas a quem não se vaticinava grande coisa à partida.

2. Seja como for e a despeito de todos esses dados e condicionalismos, se podem acontecer resultados surpreendentes num ou noutro jogo ou mesmo até no apuramento para a fase seguinte, numa prova como um Campeonato do Mundo subordinada a poderosos interesses de vária ordem, não se perspectivam diferenças substanciais relativamente a campeonatos precedentes em que as equipas habituais tidas como melhores do planeta, com um outro percalço não deixarão de marcar presença nas principais decisões da prova.

3. Para variar houve alguma polémica e suspeitas de favorecimento de uma das Selecções – a França – ou não fosse a UEFA presidida pelo francês Michel Platini que conseguiu introduzir uns arranjinhos de forma a que a Selecção francesa fosse beneficiada. Aliás, os franceses a viverem um período de cinzentismo no que à Selecção diz respeito, só foram apurados nas duas últimas edições das principais provas – Campeonato da Europa e do Mundo – devido a descarados e incríveis erros arbitrais que, sabendo-se as regras do jogo, certamente não terão acontecido por acaso. O que revela que existe corrupção ao mais alto nível das duas principais organizações futebolísticas que ao movimentarem centenas de milhões de Euros são fruto apetecido e origina que depois de obtido o poder se agarrem a ele como lapas. Veja-se o que aconteceu com Havelange, agora com Blatter e, pelo caminho que as coisas estão a tomar, com Platini.

4. Aparte isso que parece ter assentado definitivamente arraiais no panorama futebolístico, temos uma organização brasileira cujos estádios têm sido edificados debaixo de grande contestação do seu povo motivado pelas exorbitâncias do caderno de encargos exigidas pela FIFA, em que tem que ser tudo à grande e à francesa. As desigualdades sociais têm servido de mote à contestação promovida pelos extractos mais esclarecidos da população brasileira que tem aproveitado o mediatismo que uma organização deste tipo promove para se fazerem ouvir e conseguir alguma satisfação para as suas reinvindicações, ainda que as desigualdades se mantenham e as assimetrias se acentuem. Alguns estádios ainda estão para acabar mas existe a convicção de que tudo estará pronto a tempo e horas, subsistindo a dúvida existencial sobre o que fazer com alguns dos elefantes brancos que restarão depois de acabado o Mundial.

5. E o que esperar da Selecção Portuguesa que calhou num Grupo com um dos favoritos à vitória final (a Alemanha), um outsider perigoso – o Gana tido como uma das principais Selecções do continente africano, e uns Estados Unidos que sob o comando do alemão Klinsmann parecem atravessar um período de menor fulgor em relação a provas anteriores? A avaliar pelo discurso positivo do Seleccionador Paulo Bento podemos ter uma excelente prestação que passa numa primeira fase por ser uma das duas selecções apuradas no grupo. É uma tarefa que parece revelar dificuldades mas isso é comum a todas as equipas incluindo os germânicos, pelo que não será por aí que será mais ou menos difícil a tarefa. Além de que, contaremos certamente com o apoio da comunidade lusa e do povo brasileiro.

6. Dois factores importantes têm sido apontados como óbice e reveladores de dificuldades: o calor e a humidade para além das viagens longas. No tocante ao primeiro isso será de facto uma contrariedade para todas as equipas, mas que será todavia mais acentuada para as equipas europeias e nomeadamente a Alemanha. De qualquer forma todas as equipas estão cientes disso e encontrarão por certo os antídotos para minorar e ultrapassar esses handicaps em perspectiva. De Portugal espera-se tudo, não só porque tende a corresponder melhor aos desafios colocados por equipas mais poderosas, mas também porque as suas últimas prestações em provas desta natureza têm sido de molde a podermos encarar com algum optimismo a sua participação. Mas até lá ainda falta muito tempo e muita coisa pode acontecer entretanto, pelo que a prudência e a serenidade serão mais do que nunca essenciais.








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