Ponto Vermelho
Sonhos, desejos ou utopias?
11 de Dezembro de 2013
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Polarizando o Benfica as atenções para que possa ser potenciada toda uma casta de comentadores, cronistas e seus aparentados numa proliferação de crónicas e programas televisivos sem precedentes, é intuitivo que sejam exaustivamente procurados pontos que possam servir de chamariz e alimentar essa multiplicidade de espaços de debate. Para o efeito quaisquer acontecimentos ou declarações relacionados com o Benfica são esquadrinhados ao pormenor na convicção e na esperança de que em qualquer atitude, comportamento ou declaração possa haver matéria que possa ser aproveitada para os fins em causa – a especulação desenfreada que sempre tem clientes garantidos, dado que uma boa parte da populaça desportiva não se dá ao trabalho de interpretar ou aprofundar situações preferindo que alguém o faça em seu lugar.

A confirmação ontem da eliminação dos encarnados da Liga dos Campeões e a consequente despromoção à Liga Europa foi, como seria de esperar, saudada por uma boa parte dos adeptos de cores contrárias que não se importam de sacrificar o país desportivo à cegueira de um fugaz prazer consubstanciado no insucesso dos outros. Mas, também, por todos aqueles que devendo ser profissionais na análise estão reféns de situações que os impedem de tecer as considerações mais apropriadas numa perspectiva factual dos acontecimentos e da conjuntura. A especulação q.b. que sempre acompanha qualquer notícia e que de alguma forma se compreende, é agravada por factores e interesses marginais que leva até, em muitos casos, a aviltar a própria consciência dos que a vinculam. Neste momento são estas as regras do jogo que imperam e há que saber lidar com elas.

Luís Filipe Vieira produziu há tempos uma declaração que, era inevitável, estava destinada a servir de campanha de arremesso de alguns órgãos de comunicação social ou, se quisermos, a alguns plumitivos sempre ávidos de interpretar conforme lhe dá mais jeito. Teorias da treta rapidamente assimiladas por extensão pelos seus fiéis leitores. E assim se constroem estórias que são lançadas para a ribalta sempre que as ocasiões são propícias, nomeadamente quando se concretizam os piores cenários, como foi o caso da inglória eliminação da Liga dos Campeões. A declaração em causa foi o presidente do Benfica ter afirmado que sonhava com a final de Maio no Estádio da Luz.

Ora, o desenlace de ontem serviu de pretexto para que mais uma vez fosse desenterrada essa afirmação e, espantosamente, ainda existe quem não queira ou não tenha conseguido enxergar o alcance da mesma, dado que continua a insistir numa tecla já esbatida, uma vez que já não se consegue distinguir se é um L, se um P ou se um S. É agora a nossa vez de continuar a alimentar essa indecisão interpretativa, pelo que se mantem viva e actual a oportunidade de escolher entre objectivo, desejo ou mera utopia. É conforme mais agradar…

De qualquer forma e ainda relacionado com esse propósito especulativo, gostaríamos de propôr um exercício extremamente simples e a pedir a interpretação de cada um. Vamos por exemplo imaginar, que o nóvel Presidente sportinguista Bruno de Carvalho tinha afirmado nos primórdios da temporada que sonhava em ser campeão nacional esta época. Estamos certos que mesmo os mais indefectíveis adeptos leoninos diriam de imediato que esse sonho só possível pela infinita liberdade de pensamento de cada um, seria uma incrível utopia e, como tal, a não fazer qualquer sentido. E a legião de comentadores e cronistas glosariam o sonho que serviria de mote e de pano de fundo a infindáveis conversas de café entre adeptos rivais que se ririam a bandeiras despregadas. E no entanto…

Outra das afirmações de Luís Filipe Vieira que continua a fazer furor é a do melhor plantel dos últimos 30 anos. Foi uma declaração que apenas ganhou projecção por nela ter sido introduzida uma forte carga especulativa. E também vem estrategicamente à colação quando as exibições e os resultados o contradizem, pelo menos até ao momento. Embora dita num determinado contexto e a exemplo de outras situações comparativas em que existe sempre um elevado grau de subjectividade sobretudo quando a abordamos em tão alargado prazo temporal. Dela se pode concordar ou discordar ou mesmo optar pela terceira via. Mas o que não se deve afirmar é que ela constitui um insulto a jogadores de eleição que militaram noutros plantéis, porque esses têm para sempre reservado um lugar de destaque na galeria reservada aos campeões. Um plantel melhor (uma frase subjectiva) não significa necessariamente uma equipa melhor, daí que seja abusivo e muito pouco ético entrar por esses caminhos enviezados…








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