Ponto Vermelho
O lado real da frustração
12 de Dezembro de 2013
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Deixar sempre tudo para a última hora e de calculadora na mão na esperança de que tudo se componha contando para isso com a ajuda de terceiros, é a mais recente aposta das equipas portuguesas, sejam elas a Selecção ou as equipas de clubes e sejam quais forem as provas em que estejam envolvidas. Aconteceu a temporada passada ainda que com muito menor expressão, e nesta em que tudo adquiriu maior volumetria não se desse o caso de também envolver a Selecção em vésperas de Campeonato do Mundo. O mal é habituarmo-nos…

Se no caso do seleccionado português a coisa até correu bem atendendo a que partia com as contas equilibradas e até com ligeiro favoritismo em relação ao seu adversário sueco, já na Liga dos Campeões os riscos corridos até ao jogo derradeiro saldaram-se por um completo fiasco dado que nem Benfica nem FC Porto conseguiram que a calculadora invertesse a fatalidade previamente anunciada. E se ambos até começaram bem com uma vitória, rapidamente a situação descambou com resultados nada condizentes com aquilo que qualquer das equipas pode e deve produzir.

A eliminação de qualquer delas ainda que frustrante, deve ser vista como natural em face da sequência de resultados, sendo legítimo que qualquer adepto de qualquer dos clubes se interrogue e questione como foi possível mais uma vez, cair-se no mesmo erro que tem ou pode vir a ter consequências altamente gravosas para os clubes dada a sua enorme dependência de receitas extraordinárias provenientes da Liga dos Campeões que estariam por certo projectadas nos respectivos orçamentos. Que a alternativa Liga Europa não garante minimamente por os seus prémios não se aproximarem nem de longe nem de perto dos da sua irmã milionária. Mesmo que vá até ao fim a participação.

Sempre que ocorre este tipo de eliminação levantam-se as vozes sobre as cada vez maiores limitações das equipas portuguesas na Europa e as dificuldades competitivas sentidas. De facto esta temporada aconteceram algumas situações estranhas dado que os almejados 10 pontos que os treinadores gostam de referir como sendo o ponto de passagem aos oitavos, foram nesta edição completamente pulverizados. Assim, se foi verdade no caso dos alemães do Bayer Leverkusen e do Schalke 04, já o Benfica foi eliminado apesar de ter conseguido os mesmos 10 pontos. E houve 3 equipas que não os atingiram e foram apuradas como sucedeu com o Milan (9), Galatasary (7) e Zenit (6!!!). E, mais incrível ainda, foi o Nápoles ter atingido os 12 e ter acabado por ficar pelo caminho.

Esta atipicidade, assim o esperamos, deve servir para uma séria análise e ponderação dos responsáveis dos clubes portugueses interessados, porquanto quando se entra num prova que está balizada desde o princípio e que ao contrário do campeonato não permite deslizes sobretudo se eles acontecerem contra equipas perfeitamente ao alcance, os mesmos acabam por comprometer irremediavelmente o futuro nas respectivas provas. E estamos a falar de milhões que tanta falta fazem aos depauperados cofres das equipas. Este ano, como de costume voltaram a acontecer e o resultado está à vista de todos restando agora apurar a amplitude e as consequências do estrago.

O Benfica pelo seu historial, pelo esforço financeiro para manter e ampliar o plantel e ainda com o lenitivo da final se disputar no Estádio da Luz, tinha obrigação de ter sido apurado para a fase seguinte. Porque se fizermos um breve balanço ao conjunto das equipas do Grupo, chegaremos à conclusão de que o apuramento deveria ter sido a consequência natural. Mais; até disputar o 1º lugar com o PSG embora este pela constelação de estrelas que compõem o seu plantel dispusesse de maior favoritismo. Mas para isso era necessário ter tido outra postura em Paris e não ter bloqueado e abdicado de jogar. Como todos sabemos os jogos são intensamente preparados pelo que alguma coisa falhou e acabou por afectar as prestações da equipa nos restantes jogos, com excepção de Atenas e na 2ª parte na Luz com o PSG com exibições à altura dos pergaminhos do Benfica.

Embora já exista alguma recorrência neste particular, acreditamos que os responsáveis da estrutura saibam extrair as competentes ilacções e eliminem de vez esse handicap que tem contribuído para alguns dissabores derivados de erros crassos que têm posto os nervos em franja aos adeptos encarnados, obstando a que a equipa alcance a estabilidade e defina de vez a matriz de jogo que está ao seu alcance. Ainda que com necessidade de afinações no capítulo da concretização e nas falhas de concentração competitiva, a produção normal da equipa deve aproximar-se sempre daquela que ocorreu em todo o jogo de Atenas e na 2ª parte com o PSG, não sendo admissíveis prestações como por exemplo com o Arouca. É isso que se espera já com o Olhanense e jogos seguintes, em todas as provas, e até ao fim. Ah, e se possível com congelamento definitivo da capacidade inventiva…






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