Ponto Vermelho
Capacidade de surpreender
14 de Dezembro de 2013
Partilhar no Facebook

O Benfica tem rica tradição nas camadas jovens tendo ao longo do seu trajecto potenciado grandes valores no panorama nacional e além fronteiras. Essa sua aptidão formativa entrou a partir de certa altura em declínio acentuado devido a um conjunto de factores, atingindo o seu ponto mais baixo perto do final do século em que a formação deixou na prática de existir. Foram tempos dolorosos para quem estava habituado a ver emergir grandes expoentes no futebol de formação. Quem acabou por beneficiar com isso foi o nosso vizinho Sporting que via constantemente chegar às suas fileiras talentos em potência por ser a única grande escola formativa de então.

Sabemos que é muito mais fácil destruir do que construir algo. A Formação, tratando-se de uma área sensível e complexa, exige muita paciência, dedicação e uma grande capacidade de trabalho, para além de um conjunto vasto de valências e necessidades específicas a começar pelas infraestruturas que assumem papel relevante. Para os clubes portugueses é cada vez mais uma exigência fundamental dado que a perspectiva futura a derivar da conjuntura em que vivemos, parece estar a dar indicações importantes que no futuro irá ser absolutamente vital para a sua sobrevivência desportiva ao nível a que nos habituaram.

Partindo do zero e sendo forçado a andar com a casa às costas, o Benfica foi forçado a marcar passo durante vários anos, pois só com a inauguração do Caixa Futebol Campus em 2006, os escalões de formação começaram a estabilizar de forma coerente. Passado aquele período obrigatório e indispensável, com o excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por todos os responsáveis o break even point foi atingido, começando paulatinamente a serem revelados vários talentos cujos nomes já são conhecidos de todos e que prometem dar cartas no exigente mundo do futebol profissional. Outros, em escalões etários mais baixos já estão também na forja prontos a seguir-lhes o caminho.

Com Luís Filipe Vieira a referir-se amiúde ao assunto, a questão que tem vindo nos últimos tempos a ser insistentemente colocada é de como vão ser potenciados os novos talentos e qual o aproveitamento que deles será feito na esfera profissional da 1.ª equipa, tendo em conta que a política do clube tem previlegiado a contratação de jovens estrangeiros. Existe como se sabe a indispensável vertente financeira que não pode ser descurada, sendo que o clube tem aproveitado para equilibrar as suas finanças com as receitas extraordinárias provenientes da venda de alguns desses jogadores. Com particular acuidade sempre que a sua prestação nas provas da UEFA fica aquém do esperado como é, aliás, o caso presente.

Sendo que a transição é quase sempre complexa para os jovens jogadores, a solução que foi sendo encontrada para os potenciar foi os empréstimos. É sempre algo problemático porque o acompanhamento é feito à distância, alguns jogadores correm o risco de desmotivação e o balanço não tem sido positivo. No entanto, com o advento da equipa B cujo objectivo é justamente o de queimar essa lacuna competitiva, essa tendência histórica foi de algum modo atenuada pois nos últimos tempos alguns dos jogadores da fábrica que se destacaram nos escalões de formação continuaram a evoluir na equipa secundária com chamadas à equipa A ainda que de forma intermitente.

Nomes como os de André Almeida, André Gomes e mais recentemente Ivan Cavaleiro têm provado a sua evolução e o seu talento, perfilando-se já na grelha mais alguns como por exemplo João Cancelo e mais recentemente Bernardo Silva, para além de outros em potência que estão a começar a emergir. Muitos defendem de que está na altura de serem feitas opções estratégicas através do lançamento gradual destes jovens por nada ficarem a dever a alguns que militam na equipa principal, mas temos de convir que a situação tem alguma complexidade porque o segredo está sempre em acertar no timing exacto para o seu lançamento. E isso nem sempre é fácil porque a equipa está sempre dependente de resultados e assim sendo a pressão é sempre mais acentuada e pode mesmo vir a ser contrapruducente.

De qualquer forma parece evidente que os responsáveis do Benfica não podem deixar de estar atentos a esse importante pormenor atendendo a que há cada vez mais jogadores a reclamar a oportunidade que por aquilo que têm feito merecem. Será uma forma de os motivar cada vez mais e de fazer ver aos ainda mais jovens que se trabalharem com afinco e dedicação poderão vir a ser recompensados quando chegar a sua oportunidade. Aumentar o contingente de jogadores oriundos da formação na equipa principal deve ser um objectivo de curto prazo, desde que tenham talento e o justifiquem como parece ser o caso. Sem qualquer dúvida.






Bookmark and Share