Ponto Vermelho
Momentos...
15 de Dezembro de 2013
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Inúmeras opiniões abalizadas têm ventilado ao longo dos tempos que o Futebol é o momento. Isso ajuda muito a perceber o momento actual em que pelo facto do Sporting ter atingido o topo da classificação, as opiniões flutuam como o vento e contradizem todas as previsões e projecções do princípio de época. Uma situação que se compreende na perfeição porque a surpresa e o inesperado são bem mais notícia do que os trajectos recheados de normalidade. Foi por isso que não foi concedida especial relevância quando o actual campeão nacional esteve na frente destacado, e está a ser largamente enfatizado o facto do Sporting estar agora na liderança. Falta saber o que nos dirá a jornada de hoje.

A situação afigura-se de forma simples; o Sporting que apenas tinha a ganhar e não estava minimamente preocupado com essa questão da Europa que tende a desconcentrar e a criar desgaste, tem-se limitado a fazer o seu papel com uma sequência de resultados tão justos como felizes. Tem beneficiado das atenções estarem viradas para os dois principais candidatos ao título para se alcandorar a posições tidas como impensáveis no início, mas que face à irregularidade dos rivais se apresentam como normais. Afinal no aproveitar é que está o ganho.

Quando tal acontece há sempre uma predisposição dos media para dar ênfase ao tema e sublinhar todos os aspectos resultantes da euforia do momento, acabando por aceitar-se o espalhafato que acaba por estar sempre associado a esse tipo de situações. Sobretudo daqueles que no momento de falar ou de escrever não conseguem desligar o seu coração verde da objectividade que deveria presidir às suas análises e através dos elogios e dos exageros acabam na prática por prestar um mau serviço à própria causa clubista. Porque por mais que os responsáveis digam que têm os pés bem assentes na terra, é impossível não serem afectados por esta onda eufórica gigantesca.

Até provas em contrário continuamos a pensar que ainda é muito cedo para enveredar por esse caminho. Contudo, percebemos que é extraordinariamente difícil controlar os vários factores a começar pelos exógenos, dado que depois de tantos anos de seca compulsiva, o espectro de haver uma chuva milagrosa é de molde a entusiasmar os corações mais cépticos e empedernidos. Os adeptos leoninos têm de facto que apreciar e disfrutar do momento porque ele pode não se repetir, sendo que a questão fulcral que se coloca é – até quando. Essa é a tal pergunta para o milhão de dólares, considerando que atendendo à conjuntura actual ninguém pode prever o futuro próximo seja o que for que ele tenha reservado nesse particular.

Não se trata de sublinhar méritos ou diminuir capacidades, mas sim constatar realidades. O campeonato é uma prova longa em que a regularidade assume papel principal e, até ao momento decorrido pouco mais de um terço da prova, o que se constata é que o Sporting tem sido a equipa que se tem apresentado competitivamente mais regular. E isso não pode ser escamoteado. O que se tem visto é que o FC Porto e o Benfica têm tido alguns momentos altos que têm alternado com prestações paupérrimas o que, na globalidade, se tem traduzido por uma manifesta irregularidade quer na Europa quer na prova interna, o que tem levado a preocupação aos seus adeptos em contraponto com a euforia que grassa nas hostes de Alvalade.

Ontem, com o Belenenses, o que fica é uma vitória clara. Mas a exibição que o Sporting estava a produzir até à generosa contribuição dos apitadores que resolveram desbravar um caminho que estava a ser bastante complicado, ficou muito a dever às loas que têm sido propaladas. Depois da porta escancarada aí sim a equipa soltou-se e o que ficou na retina foi essa vitória e a manutenção da liderança, um facto de assinalar por estarmos na quadra natalícia. Todavia, importa sublinhar que desta vez não ouvimos a tradicional algazarra leonina no que à equipa de arbitragem diz respeito, o que prova que Alvalade é sempre coerente…

Hoje, os seus dois perseguidores têm deslocações que poderão ser mais ou menos complicadas dependendo da sua disposição e da forma como atacarão os alvos que estão mais do que ao seu alcance. Em circunstâncias normais dir-se-ia que com maior ou menor dificuldade a vitória não escaparia, mas considerando a irregularidade de que têm dado mostras a dúvida pode vir a prolongar-se no tempo de jogo. No caso do Benfica e ainda que as ausências sejam de considerar, é muito simples: se pretende manter a via aberta para o título há que vencer. E para isso irá ter que lutar pelo resultado desde o primeiro minuto e não deixar o tempo passar na convicção de que o tempo lhe trará a vitória. Se não o fizer arrisca-se a repetir situações que têm deixado em franja os nervos dos seus adeptos. Que não o merecem!






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