Ponto Vermelho
Dá que pensar...
16 de Dezembro de 2013
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A 13.ª jornada teve como novidade a deslocação do Benfica a Sul pela primeira vez esta época para defrontar o Olhanense num jogo que se antevia sem dificuldades de maior para os encarnados uma vez que os algarvios têm um dos mais fracos plantéis da I Liga e por via disso atravessam dificuldades que até já os fizeram mudar de treinador. Além de que, o jogo não era disputado no José Arcanjo mas sim no Estádio do Algarve, o que, à partida, era um factor que favorecia a equipa do Benfica. Esta opção da direcção algarvia tem merecido aliás alguma contestação dos adeptos, com vários a fazerem greve aos jogos naquele recinto. Ainda ontem se constatou isso mas, o que porventura mais terá causado espanto foi também a comparência de muito poucos adeptos encarnados, o que explica em grande parte a fraquíssima assistência que o Estádio do Algarve registou.

Dir-se-ia que a malfadada crise que nos vai devorando sem dó nem piedade fruto da incompetência e da incúria dos (des)governantes que temos não só em Portugal mas também na Europa, poderá de algum modo justificar que muitos adeptos encarnados que sabemos existirem no Sul do País e concretamente no Algarve não se tenham deslocado por infelizmente serem forçados a enveredar por outras opções mais prementes dado que os rendimentos cada vez chegam para menos coisas. Nesta altura do campeonato não podemos e muito menos devemos escamotear um facto que parece demasiado evidente a toda a gente. Mas justificarmos a tendência crescente de diminuição acentuada das assistências (que estão em queda livre) apenas e só com esse factor é estarmos a confundir a árvore da orla com o interior denso da floresta.

Uma das principais justificações, quiçá a maior, para que isso esteja a acontecer parece ser, sem dúvida, o mau serviço que nos tem vindo a ser servido. Comparando com uma imagem gastronómica reconhece-se sem qualquer esforço que a ementa está recheada de ingredientes riquíssimos cuja confecção deveria dar origem a pratos suculentos que não a salada russa, apesar de reconhecermos que esta continua a ser apreciada por um diversificado leque de gastrónomos. Ao serem fornecidos repetidamente pratos que estão muito longe de saciar a nossa fome, a tendência, aparte as dificuldades, é a de deixar de frequentar os restaurantes a despeito da tristeza e do desencanto que isso leva por serem rompidos hábitos e paixões de muitos anos. Mas parece ser essa a tendência do momento.

Quando isso acontece há de imediato a tentação de mudar o cozinheiro a quem são atribuídos todos os defeitos e insuficiências da má confecção. Se por vezes isso é solução na instabilidade, outras torna-se num pesadelo que acaba por terminar pior do que começou. E quando assim é tudo acaba por ser posto em causa, não escapando à ira persecutória daqueles cujo estômago foi enganado, nem sequer os ingredientes outrora muito apreciados e que faziam as delícias da populaça ávida de sabores que enfileiravam na preferência dos top chefs como best of. Essa é uma realidade incontornável que urge analisar com alguma profundidade para que possam ser encontradas respostas e fundamentalmente soluções. Não fugazes mas de continuidade.

A principal estranheza é que esta constatação não é de agora mas já tem tempo suficiente de gestação para que o rumo dos acontecimentos tivesse mudado. O mais bizarro da questão e para o qual ainda não encontrámos justificação plausível, é o facto de em certos dias e noites nos serem servidos pratos suculentos e de grande textura que ombream com o que de melhor existe na moderna culinária que contrastam inexplicavelmente com outros, infelizmente na maioria das ocasiões, em que o restaurante serve a dieta mediterrânica na sua versão crise. É, de facto, um insondável mistério para o qual é preciso encontrar uma explicação antes que o restaurante perca a sua clientela-base e passe a ser apenas frequentado pelos comensais.

Havendo explicações para quase tudo, não somos pessimistas nem derrotistas ao ponto de não acreditar que também aqui não há solução que, estamos certos, estará a ser intensamente procurada. Só que há puzzles que são muito mais complexos e difíceis de resolver que outros e cuja demora em descobrir soluções tarda sempre mais. Se a questão fosse fácil de resolver certamente já teria acontecido, porque o que por vezes parece lógico e fácil acaba por ser afinal mais complexo e difícil. De uma coisa temos a certeza; quanto mais tardar a arquitectura da solução maiores serão os riscos de ver resolvido um problema que faz pairar a ameaça de se tornar insolúvel. E porque como tantos outros clientes fazemos questão de continuar a apreciar as iguarias sem paralelo do restaurante, é vital que tudo se resolva quanto antes. Para bem de todos nós!








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