Ponto Vermelho
Perspectivas
17 de Dezembro de 2013
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Consumada a 1.ª fase das provas europeias com os resultados que se conhecem e com a transferência dos sobreviventes Benfica e FC Porto para a Liga Europa a que subitamente alguns resolveram apelidar de II divisão europeia com o seu quê de exagero (será que Tottenham, Nápoles, Juventus, Lyon, Ajax, Valência, etc, etc, serão equipas de segundo plano?), importa agora avaliar as perspectivas. Desde logo o mais importante pois aí funciona como 3.ª divisão –, a disparidade de prémios em equação que estão efectivamente muito distantes; depois porque está-se a generalizar a ideia de que apenas um escasso número de equipas pode doravante almejar manter-se nos patamares mais elevados.

Aceitamos que neste momento essa é uma leitura lógica do trajecto evolutivo da prova e que a diferença abissal de orçamentos de um pequeno lote de equipas com investimentos que dir-se-iam pornográficos e até irrealistas face à conjuntura acentuadamente retractiva que vivemos no momento presente, faz com que se agravem as assimetrias e se estabeleçam diferenças que empurram para o topo determinadas equipas sem história que se veja no panorama europeu. É o novo riquismo futebolístico que tem invadido o futebol europeu por ser o que maior atracção desperta, e que, um dia mais tarde, o abandonará pela porta dos fundos quando se cansarem dos brinquedos.

Esse factor causa enorme impacto porque permite atingir objectivos quase imediatos sem necessidade de ter de ultrapassar etapas intermédias. E apesar de nessas circunstâncias o mercenarismo adquirir maior expressão, dispôr dos melhores futebolistas e treinadores contratados à la carte começa a estabelecer diferenças ainda que isso não constitua uma regra absoluta. Mas é indiscutível que estamos a assistir à intromissão de várias equipas sem passado futebolístico digno de realce se comparado com os históricos, que surgiram do nada para se transformarem de repente em constelações futebolísticas que pedem meças a qualquer um e, a manter-se o nível de investimentos, a arrasar porventura a concorrência que se atravesse no caminho.

Perante este panorama que não pode deixar de preocupar as equipas portuguesas atendendo a que nunca estarão em condições de conseguir atrair tão vultuosas aplicações dada a debilidade competitiva da Liga Portuguesa que não desperta interesse por aí além por se tratar de um campeonato periférico, também o alarme está a soar noutras ligas em equipas que estavam habituadas a ter sucesso na Europa e que vêem assim ficar cada vez mais limitadas as suas possibilidades. Será portanto altura das entidades reguladoras acelerarem a reformulação das provas e em particular da Liga Europa, diminuindo a enormíssima décalage dos prémios em relação à Liga dos Campeões que transforma os participantes naquela prova como parentes pobres do futebol europeu. Até porque, como vimos, há ano após ano mais equipas ilustres a disputá-la.

Como não podia deixar de ser, as equipas do topo português enfrentam um desafio muito complicado mas ao mesmo tempo motivador. Porque a despeito de não terem a mínima possibilidade de poderem competir com esses autênticos potentados no tocante à escolha dos futebolistas que melhor julgam servir as suas aspirações, têm ou podem ter uma vantagem insubstituível; a possibilidade de tirar proveito da formação que está no seu conjunto em plena laboração, tendo em conta que os jovens portugueses têm aptidões inatas para a prática futebolística, apesar das limitações que derivam do escasso campo de recrutamento e da prática continuada de adquirir jovens estrangeiros, uma situação que mais tarde ou mais cedo terá que ser revista por motivos que se nos começam a afigurar como óbvios.

Para os novos ricos, se o campo de recrutamento se alarga por força da capacidade de investimento, isso não significa necessariamente alta rentabilidade em todos os casos. Situações existem que a lógica é contrariada sendo o exemplo mais flagrante o do histórico Real Madrid que com um orçamento sem paralelo e ainda que sem se afastar do pelotão da frente, não consegue ano após ano traduzir em títulos os vultuosos investimentos a que se tem proposto, significando isso que alguma coisa não funciona na organização e no aproveitamento dos fabulosos jogadores que possui. Não é caso único e por isso não há razão para que se estabeleça a ideia de que os principais clubes portugueses estão condenados e de antemão circunscritos à Liga Europa, onde os mesmos arautos da desgraça passaram agora a considerá-los favoritos como se não houvesse mais candidatos e, fundamentalmente, pela irregularidade das suas exibições até ao momento. É verdade que a manter-se este posicionamento muito dificilmente atingirão a fase última da Champions, mas daí a considerar-se que o seu destino é inapelavelmente a Liga Europa vai uma certa distância…








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