Ponto Vermelho
Apitos dessincronizados
18 de Dezembro de 2013
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1. Ainda que sem grande expressão esta época para aquilo a que estamos habituados, têm-se ouvido aqui e ali bem ao jeito dos habituais protagonistas do futebol português alguns desabafos de dirigentes e treinadores acerca dos culpados e vítimas do costume. Já não exclusivamente contra os árbitros mas também contra os chamados fiscais de linha. Compreende-se a alteração dos alvos dado que os erros nucleares têm vindo subtilmente a ser transferidos, com as disparidades a serem distribuidas de forma mais equitativa. É uma nova etapa que o futebol português já percorre acompanhando os efeitos da profissionalização que está a dar os primeiros passos sem grandes alterações qualitativas que se vejam à vista desarmada, a não ser quiçá a folha de proventos. De qualquer forma estas experiências demoram sempre o seu tempo a florescer e embora as expectativas sejam muito baixas não sejamos assim tão pessimistas…

2. Do ponto de vista da eficácia pretendida pelos mentores temos que admitir que é uma boa jogada para distrair os menos atentos, porquanto em certas circunstâncias há que reconhecer que a avaliação é de facto muito difícil e, como tal, do ponto de vista de muitos espectadores tendo em consideração a posição que ocupam nos estádios, a sua análise acaba por ser influenciada pela impossibilidade manifesta de poderem ajuizar correctamente certos lances por natural desenquadramento e noutros pelas dificuldades inerentes aos próprios lances. Sobram as infindáveis repetições da TV que transmite quase todos os jogos e nessas flutuam os ângulos consoante os adversários em compita, como aliás estamos saturados há muito de observar. E aí os espectadores formam opinião...

3. Esse tipo de erros que só há relativamente pouco tempo começou a ser realçado e teve o seu ponto mais aberrante na desconcentração momentânea de Ricardo Santos da equipa de Pedro Proença num lance de bola parada no Benfica-FC Porto da época 2011/12 que validou um golo descaradamente fora de jogo e que acabaria por ser decisivo na atribuição de mais um título aos portistas com cheiro arbitral, não é de agora pois sempre aconteceu. Simplesmente ao longo dos anos o foco sempre incidiu sobre o chefe de equipa, pelo que os erros dos assistentes iam sendo desvalorizados, até porque os meios tecnológicos eram mais incipientes e também não havia tanta profusão de programas de debate televisivo e espaço de comentário e análise exaustiva às incidências dos jogos. E, em aditamento, tantos especialistas a comentarem as arbitragens...

4. Esta época não tem sido diferente e decorrido pouco mais de um terço do campeonato várias têm sido as falhas registadas o que não espanta ninguém. Faz parte dos jogos, pois se os protagonistas são os mesmos e se o sistema é o mesmo, porque raio de carga de água haveria de ser diferente? Só se as circunstâncias se tivessem alterado o que manifestamente não aconteceu, pelo menos até à jornada 13.ª. Qualquer pessoa de boa fé admite sem qualquer dificuldade que muitas vezes é difícil aos auxiliares detectarem, por exemplo, infracções ao fora de jogo sobretudo quando a posição do atacante é de análise complexa, naquilo que vulgarmente se designa por fora de jogo milimétrico. Nessas situações de dúvida e de harmonia com as recomendações da FIFA os lances deverão ser validados compreendendo-se que assim aconteça, aparte ser contra a própria equipa.

5. Todavia, o problema central é que esta matéria específica dá uma enorme amplitude às decisões das equipas de arbitragem que umas vezes sancionam outras não, abrindo caminho para que se levante a suspeição, em particular quando está envolvida uma equipa grande e o lance teve clara influência no resultado final. As constantes solicitações e reparos públicos para que haja uma uniformização de critérios (tal como aliás a bola na mão vs mão na bola) não têm surtido qualquer efeito junto dos responsáveis da arbitragem, daí as manifestações que têm acontecido sempre que surge mais um caso com os mesmos contornos.

6. Pensávamos nós, pelos vistos ingenuamente, que já tínhamos visto e revisto todo o cardápio de erros e enganos de arbitragem nos relvados portugueses. Puro engano! A nossa arbitragem tem uma tão grande capacidade inovadora que a despeito de já ter preenchido as fichas todas, logrou ainda superar-se; conseguiu descortinar um lance para grande penalidade sem que tivesse havido qualquer falta (mas isso enfim não é nem será a última vez) mas, surpresa das surpresas, ocorrido fora das quatro linhas. E esta hein? O folclore que se seguiu e que começa a ser a imagem de marca de Alvalade só veio provar que o Sporting nunca aceita que por vezes é beneficiado. E se calhar, por mera coincidência com a meritória carreira da equipa, esta época demasiadas vezes. Mas, nesse particular, as contas fazem-se no fim…








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