Ponto Vermelho
Nada de novo no Sado
21 de Dezembro de 2013
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1. Foi justa e justificada a vitória do Benfica na sua deslocação ao Bonfim? Sem dúvida. Mas, mais uma vez, o resultado foi deveras melhor do que a exibição. Tínhamos projectado que com os regressos de Jorge Jesus ao banco e de Enzo Pérez ao miolo e depois das críticas que se abateram sobre a equipa após o jogo de Loulé com o Olhanense, os encarnados poderiam dar indícios claros de estar de regresso a patamares exibicionais mais elevados e mais de harmonia com o que se espera da equipa. Mas o que aconteceu não foi nada disso, o que levou a que a apreensão continue instalada no espírito dos adeptos.

2. Houve de facto alguma melhoria porquanto a valia do V. Setúbal é neste momento superior à do Olhanense e, ao contrário de há oito dias, os encarnados não cometeram desta vez lapsos graves. Mas considerando não estarmos a ser exigentes, a equipa tem de produzir mais e sobretudo melhor, tendo em conta que a sua prestação quase roçou a banalidade. Salvou-se a eficácia tantas vezes arredia, mas é lícito aos adeptos exigirem exibições condizentes e que retirem aos jogadores aquela carga inibitória que os parece afectar e que os impede de produzir aquilo que realmente sabemos estar ao seu alcance.

3. Numa altura em que o próximo jogo é nada mais nada menos do que o clássico com o FC Porto ainda que a alguma distância, em que o resultado sem assumir contornos decisivos assume relevância pela moralização para o resto do campeonato que empresta à equipa que lograr sair vencedora, é com alguma apreensão que observamos que a equipa não consegue atingir e estabilizar os seus níveis de jogo. É certo que as lesões têm contribuído para que isso aconteça, mas por outro lado, o treinador parece ainda estar a hesitar sobre o modelo de jogo mais adequado e a efectuar experiências em competição que parecem não estar a surtir os efeitos desejados. E daqui a pouco estamos a atingir o fim da primeira volta…

4. Até ao momento nada é irremediável se considerarmos que o Benfica mantem-se bem vivo na luta pelo título, mas as exibições pouco convincentes que a equipa tem protagonizado desde que se iniciou a prova têm exercido uma pressão acentuada nos adeptos e simpatizantes que, em cada jogo, estão sempre na esperança de ver regressar o Benfica às grandes exibições que sabem ser capaz. No entanto o que tem acontecido é verem aumentar as suas dúvidas e a sua apreensão. E ela só não é mais acentuada porque a equipa vai continuando a vencer ainda que sem particular brilho.

5. A jornada de ontem em Setúbal já se sabia, apresentava um grau de dificuldade alto. Não só porque a equipa denota alguma instabilidade exibicional mas porque o V. Setúbal que tem vindo a recuperar, costuma sempre levantar dificuldades aos encarnados nas deslocações ao seu reduto. Ainda que tenha havido um Bom Fim, a realidade é que tal voltou a acontecer motivado por mérito setubalense que exerceu uma boa pressão na 1.ª parte em que, por sua vez, a equipa do Benfica denotou lentidão de processos e pouca convicção atacante, traduzida na incrível escassez de remates em todo esse largo período. Pouco, para um real candidato ao título.

6. O intervalo foi benéfico pois serviu para corrigir um equívoco táctico. Sem colocar em causa a categoria do jogador, afigura-se-nos que Fejsa continua a conviver mal com Matic que está mais rotinado na posição e ocupa o espaço com outra eficácia e desenvoltura táctica. Ao estar mais adiantado perde rotinas e brilho e com isso o futebol encarnado no núcleo central do meio-campo ressente-se como se viu ao longo de toda a primeira parte. Com a agravante que continuando Enzo Pérez a ser um pilar indiscutível naquela zona do terreno na sua dupla função de cobertura e municiamento do ataque, a sua deslocação para um dos flancos leva o futebol encarnado a perder fluidez e circulação de bola tornando-se mais previsível e mais fácil de neutralizar.

7. Isso foi bem visível no 1.º quarto-de-hora da 2.ª parte onde de facto os encarnados tiveram o seu melhor período e onde construiram o resultado, e na fase posterior onde as eficazes e constantes troca de bola aumentaram a segurança do jogo encarnado ao mesmo tempo que retiraram a iniciativa e levaram o adversário a baixar os índices de confiança. É portanto importante que sejam quanto antes acertados esses pormenores que acabam por se transformar em pormaiores pois aumentam a possibilidade da equipa atingir os níveis que se exigem a um plantel de qualidade. Para além de que torna mais fácil a disputa com equipas de outra dimensão competitiva…






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