Ponto Vermelho
Campeão de Inverno
22 de Dezembro de 2013
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No preciso momento em que se finou o Outono e fez a sua aparição o Inverno ainda que na entrada não tenha aparecido com o general no comando, completou-se a 14.ª jornada do campeonato de que resultou um triunvirato porventura inesperado na dianteira. Se FC Porto e Benfica são tidos como clientes normais e assíduos, já o Sporting ressuscitou o seu passado mais longínquo e está a consolidar-se na posição que não era previsível mas que assume com inteira justiça e até normalidade que resulta de um percurso quiçá surpreendente no princípio da época, mas que agora se apresenta como vulgar. São as boas surpresas do Futebol.

Em todos os sectores da vida nacional vivemos num País complicado e no futebol não poderia ser diferente atendendo a que também lá a velha escola perdura. A Liga de Clubes instituiu um critério classificativo que não faz o mínimo sentido e daí que se possa legitimamente pensar que possa haver, estranhamente, dois campeões de Inverno. Depende da filosofia de cada um; seguir o critério durante 29 jornadas e aí o Campeão seria o Sporting, ou adoptar desde logo o critério que preside à ùltima (como fez por exemplo o diário Record) e aí o campeão seria o FC Porto seguido do Benfica. São fait-divers bem à portuguesa que demonstra a nossa eterna tendência para baralhar o que se apresenta como fácil e descomplicado.

Depois do FC Porto ter ultrapassado como se previa o seu obstáculo com facilidade e do Benfica também ter tido êxito na sua empreitada ainda que com maior dificuldade como de resto era esperado, existia alguma expectativa para saber como reagiria o Sporting à pressão de ter de ganhar para continuar a ser líder isolado e campeão de Inverno, com toda a justiça por ter sido a equipa mais regular nesta primeira fase. Jogando em casa ante o Nacional era evidentemente favorito embora precisasse de legitimar no terreno de jogo essa lógica que lhe era imputada.

As expectativas dos responsáveis e adeptos leoninos sairam defraudadas uma vez que não foram além de um empate que gorou a possibilidade de continuarem isolados no topo da classificação, para gáudio dos seus dois rivais que aproveitaram o deslize leonino para lhe fazerem companhia na liderança. Um revés parcial que acontece em vésperas de receberem o FC Porto para a Taça da Liga e que servirá para aferir da sua capacidade de reacção a esta semi-desilusão que no entanto não lhes vai estragar desta vez e depois de tantos anos, a Consoada que já está garantida na paz e na harmonia.

A despeito do discurso monocórdico do seu treinador que contrasta em absoluto com o do seu homólogo do outro lado, a insistir na tese de que o Sporting nunca ganhou nenhum jogo devido à arbitragem, convenhamos que é difícil manter a coerência desse discurso. E num golpe de rins que encerrou algum malabarismo de linguagem, continuou a não falar das arbitragens mas a elas se referindo, sob o pretexto de ter havido disparidade de critérios. É uma forma comportamental como outra qualquer ainda que distinta e que ilustra bem a forma de ser lusa.

Se repararmos, será mesmo uma raridade quando um grande não consegue os três pontos e não sublinha erros de arbitragem em seu prejuízo. Esse é um princípio fortemente enraízado há muitos anos e tem por base aqueles monumentais erros que pedem meças à Torre dos Clérigos. E daí a expressar a sua indignação vai um curtíssimo passo considerando que alguns são inconcebíveis e fazem ganhar jogos e campeonatos. Não como casos isolados, mas como situações com um grau de recorrência assinalável que o Benfica conhece, infelizmente, como a palma das mãos.

Achamos por isso corriqueira mais uma manifestação exacerbada do presidente Bruno de Carvalho ao considerar que o Sporting tinha sido espoliado dos três pontos e que voltou a monopolizar o tempo de antena como ele tanto gosta. Contudo, uma coisa é ter o direito de expressar a sua indignação e outra completamente diferente é entregar-se a exageros consecutivos que acabam por produzir o efeito contrário ao pretendido. Está a começar a assumir a tradicional velha postura leonina que sonha que existe uma cabala e uma conspiração permanentes para impedir o Sporting de ganhar seja o que for.

Percebemos sem qualquer dificuldade que se sinta desiludido e frustrado por o Sporting não ter vencido o Nacional, compreendemos até que os momentos pós-jogo não são os mais adequados para análises serenas e ponderadas, mas chamar inteiramente a despropósito outros à colação como sendo os bons e os vencedores não contribui, de forma nenhuma, para a acalmia que disse uma vez pretender no futebol. Ou será que com tão pouco tempo de gerência já padece da fobia da perseguição?




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