Ponto Vermelho
Rosários de descrença
23 de Dezembro de 2013
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Não sendo um exclusivo português e muito menos nestas coisas da bola, existem pessoas que por mais que se esforcem não conseguem ultrapassar as fronteiras do seu restricto mundo. Vivem enclausuradas por detrás dos altos muros de que fizeram questão de se rodear, e quando os ultrapassam é apenas para declarar guerra ao mundo hostil que existe para além deles onde tudo está mal e nada se recomenda. É o seu mundo de frustrações congénitas refinadas ao longo da sua vivência triste e amargurada. Futebolísticamente falando é claro.

Há quem associe com alguma lógica, convenhamos, esse tipo de comportamentos a traumas resultantes de vivências nem sempre controladas devido a contínuas desilusões. Nem todos estão preparados psicologicamente para perder e, mesmo os que estão, nem sempre demonstram capacidade para aguentar o choque do arrastamento no tempo da saga de insucessos misturados com humilhações. E quando é atingido tal cenário as reacções são invariavelmente pouco assizadas, pois tendem a exprimir em cada dia o vai vem contraditório da sua própria essência.

Quando falamos de desporto e em particular no futebol, o impacto pode atingir vários neutrões, tendo em consideração que a vivência de emoções renova-se a cada semana quando não mesmo em tempo mais curto. Se para os mais resistentes e ponderados o misto de comoções já é assinalável e por vezes difícil de digerir, para os mais permeáveis e desiludidos a eventual contradição de sensações no mesmo período pode ser direccionada para caminhos sérios de frustração pessoal. Ainda que estejam em causa meras partidas de futebol ou a carreira da própria equipa.

São conhecidos alguns desses frustrados a que os media dão guarida porque animam as próprias hostes, transmitem uma sensação ilusória de pluralismo e, melhor do que isso, publicitam e fazem vender as notícias. Mesmo que a sua substância seja oca e diminuta e sejam construídas, como bastas vezes acontece, numa base individual e puramente especulativa. Afinal o que importa é passar o tema ou a notícia pois uma importante parte dos destinatários vai acreditar nela, enquanto a outra não tendo hipótese de a confirmar mas com eventual preocupação subjacente, acaba por encaminhá-la para as redes sociais onde acaba por ter um leque alargado de publicidade gratuita e de comentário. Estão atingidos os fins pretendidos e está fechado o circuito.

A sua praia favorita é a maledicência sobre tudo e sobre todos lançando até anátemas sobre o seu próprio clube e sobre os seus dirigentes, gostando de fazer gala e de se auto-elogiarem sempre que por mera hipótese do destino acertam uma qualquer previsão. Os seus temas são invariavelmente não assuntos e insistem quase sempre na sua retórica de cordel sobre temas gastos, na esperança e na convicção de que assim possam aliviar o mau estar e a azia que os vai consumindo. Pensam ainda algo ingenuamente a despeito da sua larga experiência, que assestando sistematicamente as baterias no vizinho o problema das suas perturbações, se não fica resolvido, ao menos tonifica e alivia o seu estado de alma.

Sendo complicado por enquanto o golpe de rins porque ainda existem alguns com memória, vão exprimindo com alguma prudência e habilidade a prosápia sobre o seu próprio clube na expectativa de que os tempos se alterem para voltarem às suas conversas pouco edificantes e do bota abaixo apenas e só porque se precipitaram na análise prévia dos dirigentes eleitos e agora, por razões estratégicas, não querem obviamente dar o braço a torcer. Foi este tipo de pseudo-críticos que sempre causaram danos quase irremediáveis no clube de Alvalade e levaram a que o clube definhasse até atingir o ponto mais negro da sua história. O Sporting que se cuide porque eles andam por aí…

Enquanto isso, entretêm-se semanalmente a debitar as suas teses edificantes sobre o Benfica (sobre quem havia de ser?) a quem, no papel de fidalgos arruinados, não reconhecem qualquer mérito seja em que campo for. O contrário seria uma surpresa porque os frustrados e os invejosos jamais conseguirão enxergar os méritos alheios mais próximos, preferindo, ao invés, sublinhá-los noutras latitudes cujos métodos ambivalentes e pouco ortodoxos estão mais em consonância com a sua personalidade enviezada. Passamos optimamente com isso e vê-los numa luta titânica a repetirem-se a cada passo para provarem teorias que nunca chegarão à prática diverte-nos, em tempos de crise, mais do que nunca. E sempre que surge mais uma das suas lenga-lengas sensaboronas em que nada se aprende a não ser mediocridade, o nosso pensamento diz-nos a cada passo que isso jamais serão contas do nosso rosário... Porque como dizia Winston Churchill, Fanático é o sujeito que não muda de ideia e não pode mudar de assunto».






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